Mono-Carvoeiro precisa proteção

União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN deve passar o muriqui da categoria “vulnerável à extinção” para a  de “criticamente  ameaçado”.

Esta foi a conclusão geral do encontro que aconteceu de 23 a 26 de maio de 1998, em Belo  Horizonte, em forma de workshop, para reavaliar o status de conservação do mono-carvoeiro ou muriqui (Brachyteles arachnoides), o maior primata americano, que vive na Mata Atlântica. O objetivo do workshop foi realizar um PHVA (análise da viabilidade populacional da espécie e do seu habitat), sugerindo medidas para sua conservação.

Participaram especialistas em muriqui de todo o país, mais representantes da  Sociedade Brasileira de Primatologia, Conservation International, União Internacional para a Conservação da Natureza – UICN (entidade com sede na Suiça que elabora os critérios e categorias de extinção: vulnerável, ameaçado, extinto, etc); a Dra. Karen Strier (University of Wisconsin, USA),  Fundação Biodiversitas e do IBAMA. O patrocínio para o encontro veio da Margot Marsh Foundation (USA).

Com a utilização do programa Vortex, que simula a possibilidade de extinção, quatro grupos de trabalho cruzaram informações sobre as populações remanescentes, a situação dos habitats, os esforços para reproduzir a espécie em cativeiro e o impacto humano nas áreas de ocorrência da espécie,foram feitas projeções sobre o comportamento das populações para os próximos 200 anos.

Concluiram que a população de Minas Gerais, a maior parte concentrada em um fragmento de mata de mil hectares, deve sobreviver sem problemas de consangüinidade durante os próximos 100 anos. A partir disto devem comecar a aparecer os problemas decorrentes do cruzamento entre parentes devido ao isolamento populacional. A taxa de desmatamento de Mata Atlântica naquele Estado é de 20 mil hectares/ano e precisa ser congelada para que os muriquis sobrevivam.

No Espírito Santo, a situação é mais grave: as populações vivem em pequenos fragmentos e não terão problemas nos próximos 50 anos. Em São Paulo, estão as últimas áreas de Mata Atlântica não fragmentadas e lá os animais devem sobreviver durante os próximos 200 anos, se o desmatamento não aumentar. Na Bahia, a espécie já foi extinta pelos desmatamentos dos últimos 20 anos.

Para evitar o desmatamento, sugeriram-se como atividades econômicas viáveis: turismo ecológico, fruticultura, psicultura, e também melhorias do sistema de plantio do café, para se coibir a utilização de novas áreas para plantio.

Deve-se  barrar o avanço da pecuária sobre a área de mata, fiscalizar pequenos desmatamentos em terrenos que serão utilizados para especulação imobiliária, que não aparecem nas fotos de satélite e hoje são os maiores  responsáveis pelo desmatamento; implementar mata-corredores entre fragmentos isolados; continuar a pesquisa sobre reprodução em cativeiro que é feita no Centro de Primatologia do RJ; e pesquisar a vida deste primata em outras regiões do Brasil.

Como conclusão geral do encontro, a IUCN deve passar o muriqui da categoria “vulnerável à  extinção” para “criticamente ameaçado”. Para o biólogo Rodrigo Cambará Printes, presente ao workshop, “devemos resgatar o muriqui como espécie-bandeira da conservação no Brasil”. (RCP/jbsa)

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