O Minuto Ecológico, demagogia ou desleixo ?

Artigo de Júlio César Pereira Tomazzolli

Para manterem os índices de audiência, as redes de televisão, em especial o grupo RBS, do sul do Brasil, vem se utilizando cada vez mais da chamada mídia ecológica. Neste caso destacamos o Minuto Ecológico. Programa, ou melhor, pacote ecológico, comprado do centro do país, que vem sendo veiculado já há algum tempo nas proximidades do programa Jornal do Almoço (como diz o nome, perto do meio-dia). Em contato informal com a emissora, verifiquei que os programas vão continuar por algum tempo.

O que poderia ser, em princípio, uma boa idéia, consegue transmitir muitas informações errôneas. Para um público sedento de informações sobre o meio ambiente, principalmente o estudantil, o resultado pode ser catastrófico.

Normalmente são mostrados animais que habitam outras regiões (exemplo: Pantanal), não ocorrem aqui entre nós – fato que o programa não deixa claro para seus telespectadores. Tuiuiús, Guarás, Ibis, etc. são aves típicas do ecossistema pantaneiro; o macaco-aranha próprio das regiões tropicais e assim por diante.

Os nomes populares dos animais, que o programa aproveita, são muitas vezes regionalizados. Isto é, um determinado animal, como por exemplo, o que apresenta o nome científico Furnárius Ruffus, que vale para todo o planeta, é conhecido no Brasil, como João-de-Barro. Na Argentina e no Uruguai  ele é conhecido como Hornero. Assim poderíamos citar vários outros casos.

Há outro problema também sério: a forma ´humana´ como os animais se manifestam, com necessidades e desejos. Porque não admitir que existe em cada espécie uma forma específica de se comunicar? E que às vezes o homem não alcança os seus significados?

Devemos alertar a produção do Jornal do Almoço e aos telespectadores quanto aos erros de aprendizagem que conteúdos apresentados destas formas causam. Afinal, a RBS tem condições de sobra e qualidade nos profissionais para produzir programas regionalizados, que mostre os animais de nosso meio natural! O premiado programa Globo Ecologia poderia servir de exemplo de informação passada sem mistificação a um público maior.

*O autor é Professor de Ciências e Biologia no 2º Grau.

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