ARTIGO: O PASSADO E FUTURO DA APA-BG

Artigo: O PASSADO E FUTURO DA APA-BG

 
Aurici Azevedo da Rosa*
Cristiano Machado Silveira**

As terras úmidas estão presentes em 6% da superfície do planeta e em 2% do território brasileiro. São, portanto, raras. E é justamente por essa raridade que estão entre as áreas mais ameaçadas de mundo.
 
 
Aqui, no nosso quintal, temos uma dessas valiosas áreas: o Banhado Grande. Um conjunto de banhados na verdade: Grande, Chico Lomã e dos Pachecos que juntos abrangem 133 mil hectares ocupando parte dos municípios de Glorinha, Gravataí e Santo Antônio da Patrulha e, é claro, Viamão.
 
Essa unidade de conservação não foi uma imposição do Estado à população, foi uma conquista da população da região metropolitana de Porto Alegre e a coroação de dois movimentos históricos. O primeiro deles organizado pela APN-VG na década de 70 para denunciar o extermínio dos banhados pelas ações de drenagem, captação indiscriminada de água, contaminação por agrotóxicos e esgotos domésticos. Essa luta resultou da criação da APA pelo Decreto Nº 38.971 de 23 de outubro de 1998.  O segundo round dessa batalha ocorreu no final da última década com a criação da comissão de luta pela efetivação da APA, um grupo que  exigiu do governo do estado que a APA saísse do papel e resultou na criação do conselho gestor da unidade com representação dos vários setores da sociedade dos quatro municípios, estado e união. A população, preocupada com os efeitos da estiagem de 2006, que levou a disputa de água entre os produtores de arroz e os cerca de 1 milhão de habitantes que se abastecem das águas do rio Gravataí foi o combustível que faltava.
 
O cervo-do-pantanal e duas centenas de espécies de aves pedem socorro.
Há dois anos o conselho da APA disse não à mineração de carvão e impediu que mais essa atividade degradasse esse frágil ecossistema. Mas as ameaças não param. A urbanização desordenada, as queimadas constantes, o uso de agrotóxicos, a expansão da mineração de areia, a caça, continuam assolando a região.
No dia 23 de outubro a criação da APA completará 14 anos. Passado todo esse tempo a APA ainda não tem um plano de manejo. O corpo de funcionários designados para protegê-la é pequeno e ainda tem que dividir a atenção entre a APA e outras unidades de conservação do estado com quase nenhum aparato material e pouco recurso financeiro.
 
A APA é uma conquista dos viamonenses e podemos nos orgulhar dessa história, mas qual será o futuro da APA?
O futuro da APA dependerá da elaboração do seu plano de manejo, das ações do seu conselho, de políticas que busquem o seu uso sustentável e da relação que a comunidade estabelece com essa unidade de conservação.
 
Conhecer para preservar
 
 
Para que tudo isso ocorra, a comunidade precisa conhecer a importância dessa área, de seus recursos, de sua biodiversidade e de sua beleza. Mas será que as pessoas do seu entorno são possuidora desses conhecimentos? Será que ela está sensibilizada a ponto de perceber toda essa importância e protegê-la? Será que ela tem um aporte de informações que possam embasar decisões mais sustentáveis à APA? Por pesquisas realizadas, pouco se sabe sobre a APA.
 
Aqui se percebe a relevância da Educação Ambiental como um fator preponderante ao futuro da APA. Uma educação capaz propiciar informações a respeito de toda a complexidade dessa região, capaz de contribuir na reflexão das dimensões conflituosas que entrelaçam a relação homem-natureza, ampliando o debate de simples preservação da natureza para inserir todos os aspectos que englobam conflitos e interesses contribuindo na formação cidadã e a busca da sustentabilidade.
 
Por que uma sociedade, sabedora de seus direitos e deveres, consciente e organizada, possui autonomia para exigir dos órgãos governamentais ações condizentes e não exploratórias, participando da gestão da unidade de conservação, e contribuindo de forma significativa para o futuro da APA do Banhado Grande.
 
 

* Licenciada em Ciências Biológicas, Especialista em Educação Ambiental, Conselheira  no Conselho da APA-BG
*Biólogo e Mestre em Ecologia

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