AGAPAN realiza live sobre em quem votar e em quem não votar

Algumas pessoas têm solicitado à AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural sugestões de em quem votar em 2 de outubro de 2022 que apoiam a pauta ambiental. “Como o tema é delicado e complexo, ao invés de apontar nomes diretamente a cada um, optamos por conversar através de uma transmissão de vídeo ao vivo aqui no site (abaixo) e nos canais da Agapan na internet: Youtube, Facebook e Instagram“, informa a entidade. .

A live iniciará às 20h deste sábado, 24/9/2022 neste link.

“O maior desafio desta eleição é eleger um Congresso e Assembleias que não sigam destruindo o país e se vendendo a interesses externos.”

Heverton Lacerda e Francisco Milanez, atual e ex-presidente da entidade, respectivamente, conduzirão os trabalhos.

Em comemoração aos 18 anos, Coletivo Catarse lança documentário sobre o Arroio Dilúvio

  • O documentário foi possível de ser realizado a partir do apoio do SindBancários, parceiro na construção deste projeto. A estreia está marcada para o dia 27 de setembro de 2022, terça-feira, data de comemoração do aniversário de 18 anos do Coletivo Catarse.

O Coletivo Catarse comemora seus 18 anos lançando o documentário “Dilúvio – riacho que a cidade esqueceu”. O filme pretende discutir a relação histórica da cidade de Porto Alegre com aquele que é o maior afluente da margem leste do Guaíba, o Arroio Dilúvio. Batizado pelos Guaranis, que já se relacionavam com o riacho há milênios, como Rio Jacarey, o Dilúvio foi alvo de uma das maiores obras já realizadas na capital riograndense. Canalizado, vem sendo inundado pelos dejetos de significativa parte da população porto-alegrense e resiste, ainda assim, com a vida que se adapta e teima em sobreviver nas suas águas. O filme traz a fala de pesquisadoras e pesquisadores de ramos diferentes das ciências, refletindo sobre a importância desse curso d’água nas nossas vidas, no passado, no presente e no futuro.

Além dessa estreia, também será apresentado o curta-metragem de ficção – mas nem tanto – “Tainhas no Dilúvio”, uma paródia da vida real que trata da questão da água em uma lógica desenvolvimentista no espaço urbano e que tem como um dos seus personagens o próprio Arroio Dilúvio. O Coletivo Catarse lançou este projeto em 2018, com apoio do Fundo Socioambiental CASA e em co-realização com o Grupo Cinehibisco.

Fechando a noite, teremos uma roda de conversa sobre a relação da cidade de Porto Alegre com suas águas, com a participação de Anahi Froes, Daniele Vieira, Renato Barcelos e Luciano Fetzner, que abordarão essa relação a partir de diferentes olhares.

Os filmes têm exibição marcada para às 19h, e a roda de conversa inicia logo após a estreia do documentário.

  • Anahi Froes – comunicadora ambiental por vocação, jornalista diplomada, com especialização em Comunicação Jornalística – Estudos e Estratégias, fala sobre comunicação e meio ambiente e também faz a mediação.
  • Daniele Vieira – Professora, doutoranda e Mestra em Geografia, nos traz um panorama sobre os territórios negros no trecho final do Arroio Dilúvio.
  • Renato Barcelos – advogado, Mestre em Direito Público e especialista em Direito Ambiental, traz a fala “Mesmo que o mundo acabasse amanhã, ainda assim protegeríamos o Arroio Dilúvio”.
  • Luciano Fetzner – bancário e atual Presidente do SindBancários, nos fala sobre a importância da atuação do sindicato junto à comunidade, apoiando lutas, cultura e artes.

O quê: estreia do documentário “Dilúvio – riacho que a cidade esqueceu” + Tainhas no Dilúvio + roda de conversa.

Quando: dia 27 de setembro, às 19h.

Quanto: entrada gratuita.

Onde: CineBancários (Rua Gen. Câmara, 424 – Centro Histórico – Porto Alegre)

Realização
Coletivo Catarse

Apoio
SindBancários

XII Seminário TodaVida sobre “Crise Climática” acontece nesta quarta, 14/9

O Instituto TodaVida realizará na próxima quarta-feira, dia 14 de setembro/2022, o XII Seminário TodaVida – com o tema “CRISE CLIMÁTICA: como combatê-la?”. O evento ocorrerá no Auditório Dante Barone na Assembleia Legislativa do RS, das 8h30min às 17h, é gratuito e aberto ao público. Os inscritos receberão certificado de participação.

Tendo por base os ODS 13, 06 e 07 da ONU, relativos ao enfrentamento da Crise Climática para a Agenda 2030, o seminário trará palestrantes experts nos temas de Mobilidade Elétrica , Energias renováveis, Desastres Naturais, Água e Saneamento Básico e Defesa Animal. Nosso futuro depende de cada um de nós!

O Seminário terminará com uma mesa redonda, comandada pela jornalista Sílvia Marcuzzo, discutindo todas estas ações para o enfrentamento às Mudanças Climáticas, debatendo Políticas Públicas e Ambientais nacionais e locais e também o ativismo.

Nesta XII edição a Expo Sustentabilidade, diferencial dos Seminários do TODAVIDA, haverá exposição de soluções tecnológicas voltadas para o combate ao Aquecimento Global e uma grande Feira de Economia Circular , reunindo iniciativas de criadores, empreendedores e artesãos que têm no seu ‘DNA’ o cuidado com a nossa Casa Planetária. 

Serviço:

  • O que: – CRISE CLIMÁTICA- Como combatê-la? + Expo Sustentabilidade
  • Quando: 14/09/2022, quarta-feira
  • Horário: das 8:30h às 17:30h
  • Onde: Teatro Dante Barone, Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul

Programação:

  • 9h às 9h15 – Abertura do Seminário
  • 9h15 às 9h30 – Projetos TODAVIDA
  • 8h às 8h45 – Confirmação das Inscrições para certificado
  • 9h30 às 10h – Danielle Martins e Larissa Schemes Heinzelmann – “Mudanças Climáticas e Desastres Naturais”
  • 10h às 10h30 – Pedro Amaral Reis – “Impactos do Aquecimento Global”
  • 10h30 às 11h – Intervalo para visita à Exposição
  • 11h às 11h30 – Adalberto Maluf – ” Eletromobilidade no Brasil”
  • 11h30 às 12h – João Gabriel Magnabosco – Marcopolo – “Eletromobilidade no Transporte Público – People Moovers e VLTs”
  • 12h às 14h – Intervalo para visita à exposição, estabelecer contatos (formação de redes) e almoço
  • 14h às 14h30 – Apresentação de trabalhos sobre sustentabilidade da Faculdade Factum
  • 14h30 às 15h – Diego Moreira- “Ética, Animais e Meio Ambiente”
  • 15h as 15 30 – Intervalo para visita à Exposição
  • 15h30 às 17 h – Mesa debate com Sílvia Marcuzzo, Rovana Reale Bortolini, Cibele Carneiro, Bruna Suptitz e Amália Garcez.

Inscrição

Historiadores e ambientalistas lêem trechos da obra de Lutzenberger sobre a Amazônia

O projeto Lutz Global, coordenado pela professora de História Elenita Malta, acaba de divulgar no seu canal no YouTube o 2º Sarau do Lutz sobre ‘A Amazônia e seus defensores’. 0 vídeo tem a duração de 33 minutos e traz a participação de, além da própria Elenita, de Sebastião Pinheiro, Ilza Girardi e Sara Fritz. Cada um escolheu algum trecho escrito da obra de José Lutzenberger para ler.

Ao iniciar o Sarau, a professora Elenita Malta justificou o tema da edição em gravação no Horto Florestal de Rondonópolis, no Mato Grosso, cidade aonde trabalha: “Amazônia e seus defensores”. A proposta, esclarece, é trazer palavras do Lutzenberger, acrescido de comentários. Pretende mostrar com este resgate que os grandes defensores da floresta são os povos indígenas, os seringueiros, os ribeirinhos, enfim, os povos que vivem na floresta, apoiados por pessoas que vão à região ajuda-los na defesa do bioma.

Elenita Malta

O trecho escolhido por Elenita é do livro “Gaia, o Planeta Vivo — Por um Caminho Suave“, editado em 1990 pela Editora LPM, e tem um capítulo muito interessante,diz Elenita, que se chama “Amazônia não é o pulmão do mundo”.

Verificou a professora, que Lutzenberger foi muito impactado pela morte do Chico Mendes. Chico Mendes foi uma liderança seringueira importantíssima. Foi presidente do Sindicato dos Seringueiros em Xapuri, no Acre, e foi assassinado por conta da sua luta. Sua luta tanto sindical pelo trabalho dos seringueiros, assim como também pela defesa ambientalista da floresta amazônica, porque os seringueiros na sua luta, nas suas batalhas, se deram conta de que eles precisavam das seringueiras em pé, da floresta em pé pra poder realizar o seu trabalho.

Então, continuou a pesquisadora, por conta disso, sua luta acabou tendo essa dupla dimensão e teve uma divulgação internacional do trabalho do Chico Mendes. Tanto que a sua morte, em dezembro de 1988, causou um impacto muito forte não só no Brasil, mas no mundo, porque o Chico Mendes já tinha inclusive saído do Brasil, dado palestras, declarações, ele já estava se transformando numa liderança muito importante.

Então leu um trecho do texto de Lutzenberger:

A Amazônia não é o pulmão do mundo. Chico Mendes morreu, foi morto e a sua morte gerou um fato novo. Não foi o primeiro assassinato desse tipo a ocorrer. Centenas, talvez milhares de pessoas, já morreram em atentados semelhantes. Os próprios auxiliares do Chico, quase todos já foram mortos. Mas pela primeira vez no mundo, o assassinato de uma pessoa tão humilde, vivendo em um lugar tão remoto, teve uma repercussão tão grande em nível internacional.

Na Europa e nos Estados Unidos, a morte de Chico foi notícia até em jornais regionais e pequenas aldeias. Mesmo na imprensa brasileira, a repercussão foi maior do que a usual. Quando me telefonaram, uma hora depois da morte de Chico, pensei no que fazer para que ela não fosse em vão e tivesse a maior repercussão possível. Mas não foi preciso fazer nada.

Desde o dia 23 de dezembro até hoje. Não houve um único dia em que a imprensa deixasse de mencionar o fato, o que demonstra a consciência que existe em todo o planeta sobre a importância do que está acontecendo na Amazônia. Nesse sentido, a morte de Chico não terá sido em vão.

Comentário da Elenita — Só lembrando que esse texto foi escrito em 1989, então, bem na sequência do ocorrido

Continua o texto de Lutzenberger:

Pessoalmente, tive poucos contatos com ele. Nos encontramos em diversos congressos de meio ambiente, principalmente sobre a Amazônia. Só nesses momentos podemos conversar, mas consegui através de minha fundação, no caso a Fundação Gaia, uma verba para ajudá-lo. O Chico era muito pobre e precisava passar longos períodos trabalhando na floresta, no seringais, quando seria muito mais útil trabalhando pela defesa dessa floresta e dos seringais.

Por isso, consegui uma verba mensal para ajudá-lo a sobreviver, sem precisar passar esse tempo nos seringais, agora estou direcionando junto a uma fundação americana para que ajude sua família, que ficou sem nada. Basta lembrar que a casa do Chico era um casebre de madeira e que ele foi morto quando ia tomar banho no banheiro, o que ficava fora do corpo da casa.

Vejam como uma pessoa humilde pode se tornar importante na luta por uma causa mundial porque a luta pela preservação da Amazônia interessa a todo ser vivo deste planeta

Elenita – No caso, essa verba que o repasse referência aqui era do valor de 500 dólares. Eu consegui saber isso na minha pesquisa de doutorado e durante alguns meses ele recebeu antes de falecer. Isso com certeza foi uma ajuda bem importante para para causas para as causas do Chico Mendes. Esse texto ele vai abordar ainda mais questões assim da questão da Amazônia, a importância da Amazônia para o clima. Eu vou ler mais alguns trechinho. O Lutzenberger faz referência aqui em 1989 ao Inpe — Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos, ppor exemplo, ou mesmo a Nasa, por meio dos computadores da época, já tinham condições de ver imagens do planeta como um todo na Amazônia e ver como se dava o deslocamento das massas dos ventos, das massas de nuvens.

E aí esses equipamentos mais modernos já estavam permitindo que os cientistas entendessem que a Amazônia não é o pulmão do mundo. Essa imagem de que o oxigênio seria produzido principalmente pelas árvores e a Amazônia como uma grande floresta contribuiria já caiu por terra em função de que se sabe que os oceanos, na verdade, que produzem a maior parte do nosso oxigênio. E, na verdade, a Amazônia ele é importantíssima, mas muito mais pela regulação climática que ela possibilita. Outro está dizendo que nosso clima no Sul depende muito da Amazônia. Então, nessas imagens se vê o quanto o clima da Europa, da Sibéria e aqui da América do Sul depende em grande parte da Amazônia. Desde que temos essa visão global do planeta, ficou bem clara a importância da Amazônia e de todas as outras florestas equatoriais úmidas que ainda restam para a regulagem do clima mundial. Ao mesmo tempo que fica cada vez mais clara a fragilidade do processo todo.

E ele faz todas as suas reflexões, sempre pensando na teoria de Gaia, que vê o planeta todo como interconectado, como um ser vivo e quase como formulado pelo James Lovelock. Já mais para o final, mas citando alguns exemplos que ficam, ele mostra a evidência dessas interconexões e a importância de se ver o planeta como um todo.

Lutzenberger:

Não adianta dizer como querem nossos governantes e principalmente nossos militares, que aquilo que fazemos na Amazônia não interessa a ninguém. Só a nós. O caso brasileiro interessa, sim e interessa a todo o mundo. A Amazônia não é só nossa, é do planeta inteiro, um órgão vital dos ser vivo chamado Gaia, que é a Terra.

Não podemos continuar destruindo a Amazônia. É preciso parar. É preciso repensar conceitos. Mesmo porque do ponto de vista meramente economico aquilo é uma pilhagem.

Então, é importante colocar essa questão de que a Amazônia como um tema mundial. Ela vem desde os anos 1970, sendo pensada não só mais como um problema do Brasil, mas também como um problema do mundo, não um problema global em função dessa questão, essa questão do clima, né? E aí eu já vou passar para o final, então, com uma mensagem do Lutzenberger:

Estamos destruindo a vida do planeta para enriquecer meia dúzia de pessoas, o que está acontecendo na Amazônia é uma guerra, uma guerra de pilhagem. Chico Mendes como uma das pessoas que viviam integradas à floresta, lutou nessa guerra, lutou contra a destruição. Foi um soldado da vida. O mínimo que podemos fazer, em respeito a sua memória, é nos integrarmos todos à sua luta.

Sebastião Pinheiro

O segundo a falar, Sebastião Pinheiro, escolheu um trecho da página 35 dos anais da Comissão Parlamentar para o Estudo da Poluição e Defesa do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, que funcionou em 1972, apenas um ano depois da criação da AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. Lutzenberger foi assessor da Comissão. E leu o seguinte trecho:

A ecologia é a ciência da sobrevivência. Enquanto que as ciências econômicas estudam as transações exclusivamente humanas, a ecologia analisa os negócios da natureza em geral. A economia é, portanto, apenas um capítulo dentro da ecologia e deveria ser encarada como tal. Infelizmente, o homem moderno está hoje de tal maneira empolgado em seu fabuloso poder tecnológico, que ficou quase por completo alienado da natureza. Não quer ver que é apenas um ator em uma infinidade de outros, dentro da fantástica sinfonia da evolução orgânica que lhe deu origem e sem continuação da qual não pode sobreviver. O homem moderno gosta de pensar que está fora do jogo, que é dono de tudo e todos os demais seres só têm sentido em função de sua utilidade imediata para ele.”

Em relação à manifestação do Lutzenberger, em 1972, Sebastião Pinheiro lembrou que estava retornando da Amazônia quando se deu o assassinato do indigenista Bruno Araujo e o jornalista britânico Don Phillips. E fez a seguinte reflexão:  

A Amazônia está em grande perigo. E um grande perigo, porque hoje nela comandam os interesses de grandes corporações, gigantescas corporações que precisam de terra mecanizável para suas commodities.  E querem transformar tudo em commodities. Parece até que não sabemos que o nome “Brasil” vem da segunda ou terceira commodity existente no mundo.

A primeira foi o tabaco ou o fumo.  A segunda é o pau brasil. E aí, então nós temos que nos atentar, atender, entender o olho e com este olho passar a ver as coisas que para nós são extremissimamente importantes . Dos três olhos escolhemos o olho do guaraná, o olho cultural, um olho de uma planta domesticada que vivia na floresta e que o ser humano moderno tirou da floresta para ganhar mais dinheiro, da mesma forma como fez com o café. 

E aí passamos a pagar um preço. Hoje somos o maior produtor de café do mundo, mas o nosso café não tem qualidade. A qualidade de um café colombiano, de um café mexicano, peruano ou nicaraguense. Por quê? Porque nós estamos sempre atrás do dinheiro. Nunca estamos atrás do valor da qualidade e da vida. É por isso que o funcionário Bruno e o britânico Don, foram trucidados, horrendamente trucidados.

E nós não poderíamos deixar de lembrar que ecologia é uma ciência da sobrevivência. O caminho que está sendo trilhado no Brasil, de ódio, que diz respeito à vida, de imposição de medo e totalitarismo,, quando nós temos uma função fantástica: de preservar o clima deste planeta para não só nós de sul a norte de leste a oeste, mas para toda a América Latina, para todo o continente americano, para também África e Ásia,  porque a Amazônia significa muito, não só como reserva de água, não só como sabedoria e cultura, não só como depósito de grandes reservas minerais. Ele é algo que só pode ser pensado através de uma ecologia como Ciência da sobrevivência, como nos disse Lutzenberger.

Sara Fritz

A integrante do projeto Lutz Global Sara Fritz escolheu trecho da manifestação de José Lutzenberger na Conferência Estocolmo Mais Dez, realizada em Nairóbi, Quênia, em 1982.

Eu fui convidado a falar com vocês sobre a situação ambiental na América Latina e os trabalhos das ONGs lá. Mas a América Latina é muito grande para mim e tem outros delegados aqui que podem prestar contas em primeira mão de seus países. Não tentarei dar uma visão geral da situação no meu país, Brasil, mas irei concentrar me em um problema que preocupa todos nós a demolição sistemática da floresta tropical na Amazônia. O que vemos hoje no Brasil e na maioria da América Latina é o maior holocausto biológico na história da vida. Nunca no decurso de 3 bilhões de anos e meio de anos, desde as primeiras agitações de vida neste planeta, houve uma demolição tão atacada, acelerada e violenta dos sistemas de vida como atualmente.

Passamos do ponto onde profanamos apenas essa ou aquela paisagem cênica, esse ou aquele ecossistema. Estamos agora no processo de destruição de biomas inteiros. Toda essa destruição está sendo feita sistematicamente em nome do progresso. O governo brasileiro, a ditadura militar que se instalou em 1964, definiu o custo do desenvolvimento a qualquer preço. A definição dele de desenvolvimento foi a da tecnocracia, o modelo econômico engrenado para tornar os fortes mais fortes e os pobres ainda mais fracos.

Essa atitude não mudou desde Estocolmo, onde a delegação brasileira fez papel ridículo ao convidar outros países para trazerem sua poluição. Hoje eles não falam mais assim. Ao invés disso, eles fingem uma ecologia. Mas a devastação é pior hoje do que jamais antes, e o nível de destruição está, por si só, crescendo em um nível exponencial. Todos os anos, novas formas de devastação anteriormente inimagináveis surgem até mesmo em lugares onde nenhuma ameaça poderia ser suspeitada.  Levaria horas para que eu pudesse lhes dar um quadro geral do Holocausto. Mas vamos nos ater à Amazônia. A devastação em grande escala da floresta tropical se dá de diversas formas. Em um extremo, temos uma demolição megatecnológica. Ela é feita por grandes multinacionais ou corporações nacionais, assim como por poderosos indivíduos que vão para a Amazônia para multiplicar seu capital.

Esse aparelho estabelece enormes projetos criação de gado, fábricas de papel, monoculturas para celulose. Cada projeto significa destruir extensões gigantes da floresta virgem, algumas vezes, de centenas de milhares de hectares. Outro impacto devastador desses esquemas, esse social, é que eles empregam uma média de um trabalhador a cada 2000 bois. Isso é uma pessoa em pelo menos 3000 hectares. A mesma área da floresta poderia facilmente alimentar e abrigar algumas centenas de pessoas se deixada intacta. O estilo de vida tradicional do caboclo, dos indígenas e dos seringueiros é também muito mais agradável, fácil, independente e seguro do que o estilo de vida de um trabalhador de fazenda. A ironia disso tudo é que a pequena quantidade de carne é produzida para exportação. O caboclo amazônico, sabiamente fala: aonde o gado chega, a gente sai — gado significa fome.

Os únicos beneficiários são as corporações, que nem mesmo gastam o dinheiro que ganham nas áreas que devastam.  A devastação social dos outros esquemas, monoculturas extensivas de árvores, mineração a céu aberto, barragens gigantes, corte de madeira e madeireiras, pesca comercial, são tão ruins quanto.  São todas engrenadas para exportação e enriquecimento dos poderosos de fora da região. Não existe preocupação pelas necessidades das populações locais.

Eles são arrancados, marginalizados, alienados e eles ou vão para as favelas ou escapam para mais ainda dentro da floresta até onde existe floresta. 

Sara comenta que é importante o fato do Lutzenberger ter abordado a questão social nesse discurso “porque contemporaneamente a esse evento existiam pessoas que também estavam atuando no âmbito local, dentro da floresta. E uma dessas pessoas era a irmã Dorothy. Essa missionária, desde a década de 70, atua na região onde foi construída a Rodovia Transamazônica. E ela lutava pelo direito dos caboclos à terra. A Transamazônica é um dos maiores símbolos desse progresso a qualquer preço que o Lutzenberger comenta, que começou na ditadura militar, mas que se estendeu ao longo dos anos, mudando suas feições, mas mantendo a mesma lógica.

Então, a irmã Dorothy atuava nessa região, junto à população local buscando soluções, buscando fugir dessa lógica e procurando justiça ambiental e social. E assim ela organizou esses caboclos em assentamentos e foram chamados Projetos de Desenvolvimento Sustentável, onde ela aliava a reforma agrária à preservação da natureza, da floresta. Mas é claro que, num país como o Brasil, a situação de justiça agrária e de preservação da floresta resultou para ela em vários inimigos e, infelizmente, em 2005, a irmã Dorothy foi vítima de uma emboscada organizada por madeireiros e pecuaristas e ela morreu aos 75 anos, com seis tiros.

Ela deixou um legado muito importante, um modelo de luta e de atuação, infelizmente podado por um crime que é tão recorrentemente destinada aos ambientalistas no nosso país.

Ilza Girardi

A professora aposentada da UFRGS e jornalista Ilza Girardi atua no programa de Pós-Graduação em Comunicação aonde é líder do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental. No Sarau, leu um trecho do livro Fim do Futuro – Manifesto Ecológico Brasileiro, de José Lutzenberger. Escolheu parte do capítulo chamado “Barbarismo Consciente”.

Inúmeras tribos indígenas que viveram não sabemos quantos milhares ou dezenas de milhares de anos na selva amazônica e nada alteraram aquela exuberante natureza.  Onde nós hoje nos deslocamos, nos confrontamos com a majestade primordial e intacta da ideia que passamos logo a profanar e a destruir para sempre. Como sabe todo aquele que conhece de perto a vida indígena, o índio, além de não devastar, emporcalhar o mundo em que vive, vive uma vida profundamente humana e caracterizada por formas de harmonia, de integração social e felicidade individual que não têm paralelo nas sociedades modernas.

Em sua cultura intacta, não contaminada pelo homem moderno, os indígenas não são anormais ou marginais. Quem assim pensa demonstra que nada compreendeu, que não tem noção da realidade que lhe falta toda a perspectiva histórica. Como pode ser anormal quem apenas continua a mais antiga e venerável tradição da humanidade, que continua vivendo como vivíamos durante 99% da nossa história, que se recusa a participar de uma experiência cujo resultado é ainda duvidosa.

Anormais somos nós. Anormal é a sociedade de consumo, tanto pela posição que ocupa na grande perspectiva histórica, como pela adoração da mudança e pela mudança quando já sabemos que o futuro não pode pertencer à mudança contínua, que somente a estabilidade tem futuro, que somente situações equilibradas podem garantir a sobrevivência e o verdadeiro progresso. O progresso espiritual e moral, o progresso da qualidade de vida que nada tem a ver com a quantidade de materiais que movimentamos.

Não temos direito de querer impor a um indígena a nossa maneira de vida, nem insistir em sua integração. A única proteção que o indígena necessita é o respeito a seus direitos como ser humano, como cultura autônoma, como nação. O que devemos proporcionar? Abrigo das agressões e da cobiça do homem civilizado que quer despojá-lo de suas terras. O índio nada, absolutamente nada, tem a ganhar com o nosso progresso, a não ser o desastre. Impondo nossa civilização, somente trazemos aniquilamento cultural e físico. 

E a professora Ilza comenta:

Vejam só que é que a atualidade é esse texto. Hoje os índios estão na luta pela demarcação e não a demarcação das terras indígenas. Eles têm o direito de permanecer nas terras onde viveram seus ancestrais, nas terras onde eles vivem.

Agora é que já viveram, que sempre viveram, em que vivem. E eles estão sendo atualmente muito. Na verdade, estão sendo aniquilados, atacados constantemente. É como se nós tivéssemos no país uma política pública voltada para a destruição dos povos indígenas e quem mais deveria protege-los e quem mais nos ataca? O governo federal e o presidente da República tem o dever constitucional de proteger os indígenas e não é isso que nós vemos.

Eles são atacados pelos guerrilheiros, pelos garimpeiros, pelo agronegócio e até por traficantes. Essa situação não pode continuar do jeito que está, porque muito sofrimento e muita desumanidade nós convivemos com esse sofrimento cotidiano dos povos indígenas. O ser humano, os uru-eu-wau-wau e tantos outros (sofrem) ataques permanentes. É hora de a gente dar um basta nisso tudo. Que nós nos unamos. 

A luta dos povos indígenas, também é uma luta nossa. Se nós formos uma nação de cidadãos, pessoas dignas, pessoas corretas, a luta indígena é uma luta nossa. Nós precisamos lutar junto com eles para mudanças e é possível nós mudarmos logo a situação desse país. O futuro que a gente tem tá bem ali, bem próximo. E se a gente pensar e refletir sobre essas palavras do Lutzenberger que foram escritas em 1976 e que hoje, em 1922, são de uma atualidade impressionante, se a gente refletir e se essas reflexões gerarem mudanças, e se a gente conseguir passar essas palavras para outras pessoas, nós podemos mudar esse país. Eu acredito nisso.

Elenita Malta

Ao finalizar o 2 Sarau Lutz professora de História Elenita Malta, coordenadora do projeto Lutz Global, traz trecho do capítulo Gaia, de José Lutzenberger, sobre a importância da Amazônia e seus defensores. Considera a historiadora que Lutzenberger fala no texto de Chico Mendes, “mas nós podemos pensar que está falando da Irmã Doroty, os próprios Bruno Pereira e Dom Philips e tantos outros e outras, outros que a gente nem fica sabendo. Infelizmente, o Brasil é o pais em que mais acontecem assassinatos de ambientalistas no mundo. Esta mensagem é muito importante — precisamos cuidar da Amazonia, porque ela é importante para o clima, para manter a biodiversidade em ambito global, ela não interessa só ao Brasil, interessa ao mundo inteiro.

Veja também

— Video do 2 Sarau do Lutz.

— Canal Lutz Global no YouTube.

Transcrição e texto do Editor do AgirAzul.com.
Quaisquer inconsistências, favor entrar em contato.

Atualizada: Carta Aberta à Sociedade Gaúcha pela Proteção do Pampa foi entregue ao chefe do Ministério Público do RS

Comitiva formada por subscritores da Carta Aberta à Sociedade Gaúcha pela Proteção do PampaDiretrizes e Ações para Uso Sustentável e Conservação do Bioma esteve na tarde desta quarta-feira (25/8/2022) no gabinete do Procurador-Geral de Justiça para a apresentar o documento e solicitar apoio da instituição do Ministério Público do Rio Grande do Sul para modificar a situação descrita.

O documento pede imediato cumprimento ao previsto na Lei nº 12.651/2012, com a análise do CAR – Cadastro Ambiental Rural que prevê a observação da exigência da Reserva Legal — no mínimo 20% da área total das propriedades rurais do bioma pampa —, o que deveria ser realizado no Estado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

A Carta Aberta reinvidica também a revogação de legislação que estabelece o conceito equivocado de área rural consolidada enquadrando a pecuária como atividade que promove a remoção da vegetação nativa dos campos. Também é solicitada que seja publicada a regulamentação do art. 203 da Lei Estadual nº 15.434/2020 que prevê ter as características do Bioma Pampa definidas em regulamento específico, detalhando aspectos de conservação.

Para Alexandre Krob, dirigente do Instituto Curicaca, “a audiência foi satisfatória para que nossos anseios e soluções ficassem claros ao chefe da Instituição do Ministério Público”. Também afirmou ao AgirAzul.com que considera ter o MP “boa capacidade de ajudar a reversão do quadro relatado na Carta Aberta”.

Krob considerou ao chefe do MP, Marcelo Lemos Dornelles, que “há um desvirtuamento na legislação do Rio Grande do Sul em relação a princípios da legislação federal, pois propositalmente busca eliminar a Reserva Legal como uma alternativa importante para a conservação dos campos nativos, perfeitamente compatível com o uso para a pecuária“. “Isto precisa ser corrigido, pois são esses 20% do território que podem garantir a conservação do Bioma Pampa”, afirmou.

Acompanhando Krob, que representou o Instituto Curicaca, estiveram Ana Porto, pela Rede Sul de Restauração; Giovana Santi, pela ASFEPAM – Associação dos Servidores da FEPAM; Rodrigo Dutra, pela Associação dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente do IBAMA; Rosa Winter, pelo Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa e Professor Valério Pillar, pela Rede Campos Sulinos.

Além do anfitrião Dornelles, foram convidados pelo MP para a audiência os promotores de Justiça Daniel Martini, coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente, e Vera Sapko e Alexandre Saltz, ambos da promotoria de Meio Ambiente de Porto Alegre.

Aos presentes, garantiu o Procurador-Geral que “somos parceiros há muito tempo e podem continuar contando conosco”. Daniel Martini lembrou que o MPRS estaria cobrando do Executivo Estadual uma regulamentação adequada para o Bioma Pampa, com o fim de trazer maior proteção e segurança jurídica.

Já o promotor de Justiça da área de meio ambiente de Porto Alegre, Alexandre Saltz, considerou que o MP tenta sempre negociar para “conseguir coordenar os rumos das políticas públicas” E que “a ação só acontece quando todo o resto foi perdido”.

Atualização às 18h49min (25/8/2022)

A respeito destas últimas declarações do promotor de Justiça Saltz, o próprio esclareceu ao AgirAzul.com que, diferentemente do que a sua frase no parágrafo anterior poderia dar a entender, “o Ministério Público não intervém em ações do Executivo”. No entanto, “caso haja descumprimento legal, o MP pode ingressar com medidas judiciais, que são antecedidas sempre de tentativa de negociação para correção da ilegalidade”.

Como exemplo em que o Ministério Público decidiu propor Ação à Justiça, Alexandre Saltz lembrou que “uma das ações mais importantes de proteção do Bioma Pampa foi ajuizada pela Promotoria do Meio Ambiente de Porto Alegre, inclusive com obtenção de medida liminar, suspendendo Decreto do RS que contrariava o Código Florestal Estadual“.

Veja a íntegra da Carta Aberta:

Redação final pelo Editor do AgirAzul.com com declarações de Alexandre Krob. Clique aqui para verificar o texto e fotos distribuídos pelo MP sobre a audiência.

Juíza da Vara Ambiental Federal de Porto Alegre vai receber premiação do Conselho Nacional de Justiça

Autora da sentença sobre a Mina Guaíba, a magistrada Clarides Rahmeier, da 9ª Vara Federal de Porto Alegre, especializada na jurisdição ambiental, receberá premiação na categoria “Garantia do direito dos povos e comunidades tradicionais estabelecidas em área de proteção ou interesse ambiental”. A entrega da premiação pelo CNJ – Conselho Nacional de Justiça – acontece nesta quarta-feira, 24.8/2022, com direito à transmissão pela internet.

Clarides Rahmeier

decisão premiada, publicada em fevereiro deste ano, declarou a nulidade do processo de licenciamento do empreendimento chamado de Mina Guaíba em função de não ter sido possibilitada a participação efetiva da comunidade indígena, que seria afetada pelo projeto. A ação é movida pela Associação Indígena Poty Guarani, Associação Arayara de Educação e Cultura, Conselho de Articulação do Povo Guarani e Comunidade da Aldeia Guarani Guajayvi contra a Fundação Nacional do Índio (Funai), Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e Copelmi Mineração.

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Mostra EcoFalante exibe 110 filmes de 27 países em Porto Alegre

O mais importante evento sul-americano dedicado à divulgar a produção audio-visual dedicada à temática sócio-ambiental apresenta 110 filmes em Porto Alegre a partir desta quarta-feira, 24/8, até o dia 13/9/2022. Outras capitais do Brasil também recebem mostras itinerantes. Ver no site do evento – http://www.ecofalante.org.br.

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InGÁ pede impugnação do edital da concessão do Parque Estadual do Turvo

Com base na falta de respostas aos questionamentos realizados por professores da UFRGS ao processo de concessão do Parque Estadual do Turvo, o INGÁ – Instituto de Estudos Ambientais, com sede em Porto Alegre, encaminhou nesta sexta-feira (19/8/2022) comunicação ao Ministério Público estadual do RS dando a conhecer inúmeros problemas legais que estariam acontecendo durante o processo. O mesmo documento foi encaminhado aos responsáveis pelo processo de concessão pelo Estado do RS.

Os questionamentos realizados por professores e pesquisadores da UFRGS (veja o documento integral) não foram respondidos pelo Estado do Rio Grande. do Sul. Os signatários do documento não são contrários à concessão, mas que seja respeitada toda a legislação já existente que trata da gestão das Unidades de Conservação, que obriga a obediência ao Plano de Manejo, a existência de infraestrutura para pesquisadores (a atual seria transformada em hospedagem para turistas), o respeito à vegetação nativa e muitas outras observações.

Há o grande risco de a alta do movimento de turistas e visitantes ao Salto de Yucumã, área atingida apenas após o transito por extensa estrada em meio ao Parque, atingir negativamente a população de grandes felinos eventualmente verificada na região da Unidade de Conservação. O parque de 17 mil hectares é a única área em que é verificada a existência de onças no Estado — no lado argentino também há uma área conservada. Nos documentos divulgados não há qualquer estudo sobre as espécies em extinção verificadas no Turno.

Outro grande estranhamento de pesquisadores é a previsão de pousadas ou hotéis dentro da área do parque.

O AgirAzul.com está à disposição (email editor@agirazul.com) do Estado para informar as respostas dadas aos documentos e do MP para noticiar o que a instituição fará ou fez a respeito.

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Livro-reportagem “Contaminação, doenças e assassinatos”

A jornalista Arlete Bonelli está lançando o livro-reportagem sobre a “Contaminação, Doenças e Assassinatos: Meio século de garimpo na Floresta Amazônica e os danos causados às TIs Munduruku, Yanomami, Waiãpi e Kayapó”.

A publicação trata da contaminação ambiental causada pelo mercúrio usado nos garimpos ilegais de ouro, na Amazônia. Abrange um período de mais de 50 anos dessa atividade, na região, e reúne dados sobre crimes praticados contra indígenas, ribeirinhos, populações de vilarejos e áreas urbanas vizinhas dos garimpos ilegais e de mineradoras. As vítimas invisíveis dessa atividade habitam a floresta destruída, e usam a água de rios e igarapés onde peixes contaminados se reproduzem e servem como alimento.

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Código Florestal não respeita a ciência

Alterações feitas pelo Congresso atendem demandas de grandes e médios produtores e criam déficit de proteção ambiental

Ao completar dez anos de sua aprovação no Congresso Nacional, o Código Florestal tem sido alvo de revisões que anulam o avanço que representou para a conservação ambiental quando foi aprovado e criam um significativo déficit em proteção ambiental. A constatação é de especialistas que participaram do painel “O Código Florestal 10 anos depois. Meio Ambiente X Agronegócio”.

Realizado quinta-feira (28/7) durante a 74ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o painel foi coordenado pelo engenheiro agrônomo José Antônio Aleixo da Silva, coordenador do Grupo de Trabalho sobre o código da SBPC. Os painelistas foram a ecóloga Mercedes Bustamante da Universidade de Brasília (UnB), coordenadora do relatório sobre uso da terra do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC); o biólogo Carlos Alfredo Joly, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador da Plataforma Brasileira de Biodiversidades e Serviços Ecossistêmicos (BPBES); e Ricardo Ribeiro Rodrigues, biólogo, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq).

Fazendo um retrospecto, Carlos Joly, que participou das discussões com o Congresso Nacional, afirmou que a proposta, que tramitava desde 2008 e foi aprovada em 2012, reduziu substancialmente a proteção aos recursos hídricos, alguns complexos de vegetação como manguezais e restingas e, principalmente, acabou com a contribuição para a conservação.

“A SBPC e ABC (Academia Brasileira de Ciências) criaram esse grupo de trabalho, trabalhamos intensivamente sobre as leis, produzimos um livro sobre as contribuições da ciência para o Código Florestal, discutimos com todos, ouvimos todos os deputados, a favor e contra, o relator, as indústrias, o agronegócio, os ambientalistas e fizemos o que era a base científica”, relatou o biólogo. “Infelizmente a ciência não foi ouvida”, criticou, lembrando que desde então esse marco legal sofreu outras alterações com demandas – até hoje – por ainda mais flexibilização das regras que levam à redução das Áreas de Preservação Permanente (APP).

Com base em dados do relatório anual de 2021 da organização MapBiomas, Mercedes Bustamante mostrou que o desmatamento cresceu em todos os biomas brasileiros em relação a 2020. Segundo ela, a maior parte da destruição ocorreu sobre áreas registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), registro público nacional previsto no Código Florestal, obrigatório para todos os imóveis rurais, que tem por finalidade integrar as informações ambientais para efeito de controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento. “Isso indica que, apesar do cadastro, há uma enorme quantidade de desmatamentos que podem ser classificados como Ilegais”, analisou Bustamante.

O resultado de todo o retrocesso na legislação nos últimos anos, com sucessivas flexibilizações das áreas mínimas a serem preservadas, segundo Ricardo Ribeiro Rodrigues, pode ser observado pelo déficit estimado de APP por bioma que, só em São Paulo chega a 768 mil hectares em 340 mil propriedades rurais.

“Como podemos não estar sofrendo os efeitos das mudanças climáticas, a falta d’água, se só São Paulo deve 770 mil hectares de proteção de rios durante seu tempo de ocupação?”, questionou o biólogo.

Segundo Rodrigues, a estrutura desse déficit mostra que 90% está concentrado em grandes e médias propriedades. “Quando a gente escutava na mídia que precisava alterar o Código Florestal porque estava prejudicando os pequenos, era uma grande balela”, afirmou.

Íntegra do painel

Fonte: Jornal da Ciência
Fotografia em destaque – Floresta Amazonica – liberada para uso pelo autor Douglas Fernandes (2003)

Estado do RS e Município de Triunfo são responsáveis pela restauração da casa natal de Bento Gonçalves

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) manteve sentença que responsabilizou o Estado do Rio Grande do Sul e o Município de Triunfo (RS) a restaurar a Casa Natal de Bento Gonçalves, edifício de relevância histórica e cultural localizado na cidade gaúcha. A decisão foi proferida pela 3ª Turma, por unanimidade, no dia 26/7. O colegiado confirmou que, no caso, tanto o Estado quanto o Município possuem responsabilidade solidária de preservar o patrimônio histórico.

O imóvel foi o local de nascimento de Bento Gonçalves, em 1788, militar que ficou conhecido como um dos líderes da Revolução Farroupilha. A casa é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e, atualmente, abriga o Museu Farroupilha.

O processo foi ajuizado pelo Ministério Público Federal (MPF) em novembro de 2013 contra o Estado e o Município. Na época, o MPF alegou que “o imóvel está em situação de deterioração continuada ao longo dos anos, sem que haja a adoção de providências adequadas para a solução do problema; os réus mantêm comportamento temerário ao patrimônio histórico e cultural sob sua guarda e propriedade, tendo em vista a falta de medidas concretas efetivas para manter a integridade do bem”.

A 9ª Vara Federal de Porto Alegre, em abril de 2021, proferiu sentença julgando a ação procedente. O Estado do RS recorreu ao TRF4.

O Estado argumentou que não deveria ser responsabilizado, pois “o ente público que assumiu o compromisso de fazer os reparos foi o Município de Triunfo, cessionário da posse do imóvel”. Assim, foi defendido que a “responsabilidade deve recair sobre o ente municipal, a quem incumbe realizar as obras e as benfeitorias no imóvel, de forma a atender a finalidade da cessão, ou seja, preservação do imóvel como patrimônio histórico”.

A 3ª Turma negou o recurso. A relatora, desembargadora Marga Barth Tessler, destacou que “embora o Estado do RS não se conforme com a condenação solidária com o Município de Triunfo, a sentença fundamenta-se no artigo 23 da Constituição, o qual dispõe que é de competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios a responsabilidade por proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos”.

Em seu voto, Tessler concluiu: “ambos os entes compartilham responsabilidade pela preservação do bem em questão, sendo que o Estado é proprietário do imóvel Casa Natal de Bento Gonçalves. No que tange ao argumento de que o contrato de cessão firmado entre os entes afastaria a responsabilidade do apelante, confirmo os termos do parecer do MPF, no sentido de que a cessão de uso não afasta o dever de preservação do patrimônio histórico”.

Fonte: Imprensa do TRF — Processo Nº 5062309-09.2013.4.04.7100/TRF

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Museu Farroupilha na Wikipedia

Abaixo-assinado contra agrotóxicos próximo ao Parque Delta do Jacuí

Diversas entidades ambientalistas e proteção aos direitos humanos, além de produtores rurais, estão divulgando abaixo-assinado contra a proposta da Secretaria Estadual do Meio Ambiente que deixa aberta a possibilidade de liberação da pulverização aérea de agrotóxicos na Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Jacuí, próximo à capital, Porto Alegre, no conjunto de ilhas situado em frente à cidade.

Assinam o abaixo-assinado, entre outras entidades, a AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, AMA – Associação Amigos do Meio Ambiente de Guaíba, Instituto Preservar, INGá – Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais, Amigos da Terra Brasil, Acesso Cidadania e Direitos Humanos, Cooperativa Central dos Assentamentos do RS, Cooperativa de Produção Agropecuária de Tapes, Comissão da Produção Orgânica do Rio Grande do Sul, a Consulta Pública aberta pela SEMA – Secretaria Estadual do Meio Ambiente

No entender das entidades, a Consulta Pública aberta até o dia 7 de agosto de 2022 para receber propostas sobre o mapeamento de proibição de aplicação de agrotóxicos na Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Delta do Jacuí parece, a primeira vista, uma estratégia para legalizar a pulverização aérea na região da Área de Proteção Ambiental (APA), no entorno do Parque.

Leia a íntegra do manifesto e assine, se quiser, o abaixo-assinado aqui

Filme “Cordão Verde” será exibido na Feira dos Agricultores Ecologistas neste sábado, seguido de debate

A AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural promove neste sábado (30/7/2022), às 10h, a exibição do filme “Cordão Verde”. Após a exibição, às 10h30min, haverá debate sobre os temas apresentados na produção brasileira-holandesa. O evento faz parte da série “Agapan Debate na Feira” e ocorrerá na Feira dos Agricultores Ecologistas / FAE, que acontece todos os sábados na primeira quadra da av. José Bonifácio, em Porto Alegre.

A produção relata a produção orgânica na Holanda e nos arredores de Porto Alegre, as feiras e o relacionamento com os consumidores.

Veja a entrevista sobre a produção que o diretor holandês, que vive em Porto Alegre, concedeu ao jornal Brasil de Fatolink.

Mantida proibição de intervenções em terreno em área de preservação na Praia do Campeche

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) manteve uma liminar que determinou a proibição de novas obras e intervenções em um terreno na Avenida Campeche, em frente à Praia do Campeche, em Florianópolis, que está parcialmente situado em área de preservação permanente (APP), de terrenos de marinha da União e de faixa de praia marítima. A ação foi ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) em fevereiro deste ano e busca a reparação dos danos ambientais no local. A decisão foi proferida por unanimidade pela 4ª Turma na última semana (20/7).

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Onda Verde realiza painel sobre o novo plano diretor de Torres

A 🍃 Associação Onda Verde – Preservando o Meio Ambiente 🌱vai pautar em live nesta segunda-feira, 25/7/2022, 18 horas, o Novo Plano Diretor de Torres a ser apresentado em Audiência Pública no Centro de Eventos da ULBRA-Torres. A Audiência Pública sobre o Plano acontecerá no dia seguinte, dia 26, terça-feira.

A atividade tem por objetivo levantar questões e apontar considerações por profissionais de áreas diferentes de conhecimento, proporcionando à comunidade e população como um todo uma análise da legislação a ser apropriada uma vez que é de interesse coletivo.

Participarão:

• Prof. Christian Linck da Luz, Biólogo, Geógrafo, M.Sc. Botânica Sistemática, Ph.D. Geografia Ambiental, Consultor Ambiental na Secretaria Executiva do CBH Mampituba, membro da OV, atuando nas causas ambientais há mais de 30 anos.

• Prof. Leonardo Gedeon, Historiador, pesquisador e educador. Especialista em filosofia e sociologia. Atua nas linhas de educação e patrimônio, direitos humanos e história social e cultural. Desenvolve projetos no setor do patrimônio cultural há 18 anos, é autor de livros e paradidáticos sobre o tema, membro do Centro de Estudos Históricos de Torres e Região, ex-presidente do COMPHAC

Roberta S. Cechin Feltes, Arquiteta e Urbanista, sócia do escritório ARQ+URB, com 17 anos de atuação na cidade de Torres, LEED Green Associate pelo USGBC. Membro da Onda Verde.

Acompanhar

  • Para acompanhar é só acessar o link dia 25/07 às 18h – participe enviando perguntas ou sugestões.

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Saiba porque o conceito de Antropoceno é importante nos dias de hoje

Nesta quarta, 20 de julho de 2022, 20 horas, estreia vídeo na playlist #Cortes no LUTZ Global YouTube. O historiador ambiental José Augusto Pádua fala sobre o conceito de Antropoceno e sua importância no debate ambiental contemporâneo. Link para o vídeo que estreía nesta quarta.

Pádua foi entrevistado na playlist Minha História Ambiental, em 01 de junho de 2022. Você pode conferir a entrevista completa neste link: https://youtu.be/lt26i66hw-4

O vídeo atual é um corte da entrevista maior. Vale a pena assistir a avaliação de Pádua sobre a importância do conceito de Antropoceno para a história ambiental.

Assista também os outros vídeos da playlist Minha História Ambiental: https://youtube.com/playlist?list=PLt…

Visite o site: https://lutzglobal.com.br I
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‘Torres está a um passo de perder sua beleza característica’


Proposta do novo Plano Diretor da cidade tem desagradado ambientalistas por favorecer a construção civil em detrimento da proteção da natureza

Por Luciano Velleda // lucianovelleda@sul21.com.br // Reproduzido no AgirAzul.com com autorização

Vista ao longe por quem chega pela BR-101 ou pela Estrada do Mar, Torres, segundo Lara Lutzenberger, parece lembrar a ilha de Manhattan, em Nova York. Aquela cidade praiana predominantemente de casas, com seus charmosos morros se destacando na paisagem, permanece viva apenas na lembrança dos já distantes anos de 1970 e 1980. A comparação um tanto exagerada com a famosa megalópole americana é proposital. A filha de um dos mais ilustres ambientalistas brasileiros, frequentadora de Torres desde a infância, quer chamar a atenção para o caminho da descaracterização adotado pela cidade do litoral norte gaúcho, um rumo que pode estar prestes a não ter volta.

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Professor de gerações de botânicos recebeu o prêmio Curicaca

A jornalista Sílvia Marcuzzo homenageia o Professor Luís Rios de Moura Baptista

Um professor em extinção

Luís Baptista recebeu prêmio pelo conjunto de sua obra em defesa da conservação da natureza

Sílvia Marcuzzo – Jornalista e artivista

Professor Batista recebeu a homenagem de Isabel Chiapetti, que trabalhou na Fepam na área que atuava com o bioma Mata Atlântica. Foto: ONG Curicaca

Existem pessoas que deixam marcas, legados, decisivos para a compreensão da nossa existência por gerações. Tive o privilégio de conhecer e conviver durante a minha trajetória profissional com algumas. Uma delas é o professor Luís Rios de Moura Baptista, que hoje está aposentado do Departamento de Botânica da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Ele recebeu o Prêmio Curicaca no evento “E os nossos biomas tchê?”, realizado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul no último dia 1º de julho. A homenagem, promovida pela ONG Curicaca, foi em reconhecimento ao conjunto do trabalho do professor que tem dedicado sua vida à conservação do bioma Mata Atlântica. O Instituto Curicaca é uma das organizações mais atuantes do Estado no quesito conservação de ambientes naturais e criou essa premiação este ano, em alusão aos seus 25 anos de atividade.

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Divulgada Carta Aberta à Sociedade Gaúcha pela proteção do Pampa

Carta Aberta à Sociedade Gaúcha pela proteção do Pampa.

Diretrizes e Ações para Uso Sustentável e Conservação do Biama

“Carta Aberta à Sociedade Gaúcha pela proteção do Pampa”

O Pampa é o bioma brasileiro com a maior perda percentual de áreas naturais no período 2000-2018, com uma redução de 16,8%, principalmente para fins agrícolas (IBGE, 2020). Entre 2012 a 2018, 125 mil hectares de campos nativos foram transformados anualmente em lavouras, silvicultura e pastagens plantadas, o equivalente a 2,5 vezes o território de Porto Alegre (Rede Campos Sulinos 2020).

Embora pareça homogêneo, o bioma Pampa apresenta diversas fisionomias vegetais campestres e florestais que se caracterizam pela riqueza em biodiversidade, sendo os campos tão ou mais biodiversos do que as florestas (Pillar & Lange, 2015). Ao mesmo tempo, apresenta elevado número de espécies de plantas e animais ameaçados de extinção – mais de 380 espécies da flora (dados do Laboratório de Estudos em Vegetação Campestre/UFRGS) e pelo menos 86 espécies da fauna (Bencke, 2016).

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Seminário sobre os biomas do Rio Grande do Sul é nesta sexta, 1º/7

E como estão nossos biomas tchê?”

O Pampa? Que no Brasil é exclusivo daqui e nos traz enorme responsabilidade. A Mata Atlântica? Que tem o limite austral de sua ocorrência em nosso território num ecótono de extrema riqueza. E a Zona Costeiro-Marinha? Que especialmente aqui tem influências tropicais e patagônicas. Tanta importância! Mas tanto descuido por parte de quem tem a obrigação de cuidá-los.

Esse é o tema central do evento que acontecerá nesta sexta-feira, 1 de julho de 2022, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, organizado pelo parlamento gaúcho, a Coalizão pelo Pampa, o Instituto Curicaca e a Coalizão Costa Mar Sul.

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Assista a Conferência da ONU sobre os Oceanos que ocorre em Lisboa até sexta-feira

A Assembleia Geral das Nações Unidas, com os governos de Portugal e Quênia, está sediando a  Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano de alto nível para apoiar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14) em Lisboa. A Conferência iniciou seus trabalhos na segunda-feira, 27 de junho, e segue até sexta-feira, 1º de julho de 2022. A ODS 14 busca “conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos” e fornece uma série de metas para atingir esse objetivo.

Leonardo Boff é atração principal do I Encontro Regional ICLEI Sul e 1º Seminário Internacional de Mudanças Climáticas de São Leopoldo

ICLEI, Prefeitura de São Leopoldo e Unisinos abrem inscrições para eventos conjuntos, que ocorrem de 5 a 7 de julho, no auditório Padre Werner

Crédito: Gustavo Barboza

O teólogo, filósofo, escritor, professor e membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra, Leonardo Boff é o destaque da programação do I Encontro Regional ICLEI Sul e 1º Seminário Internacional de Mudanças Climáticas. Os eventos conjuntos, que ocorrem de 5 a 7 de julho, no auditório Padre Werner da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, estão com inscrições abertas.

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Evento transferido para 2/7 — Solstício de Inverno e Festa Junina são comemorados na FAE

Em respeito a uma parceria entre moradores da cidade de Porto Alegre e famílias produtoras do campo, iniciada em 1989, a FAE – Feira de Agricultores Ecologistas – realizaria neste sábado (25/06) sua comemoração do Solstício de Inverno e a Festa Junina. O evento foi transferido para 2 de julho sábado seguinte, devido às condições do clima, conforme previsões.

A celebração inicia às 9h da 1ª quadra da Av. José Bonifácio (próximo à Av. Osvaldo Aranha) e terá música, lanches tradicionais, quentão para esquentar, distribuição de pipocas e de sacolas retornáveis (afinal, a FAE não usa sacolas plásticas).

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Revista Educação Ambiental em Ação completa 20 anos

No último dia 5 de junho a Revista Educação Ambiental em Ação completou 20 anos. São mais de 4 mil artigos publicados em 79 edições.

Conta o site da Revista que foi num grupo de profissionais independentes envolvidos com a Educação Ambiental e o meio ambiente que tudo começou. “Neste grupo compartilhamos desde lançamentos de livros, artigos acadêmicos, notícias, matérias e também rolavam alguns debates — até que um dia tivemos a ideia de lançar uma revista, para não ficarmos apenas na troca de informações e, efetivamente, fazermos algo além de discutir e de nos informar“, diz a editora Bere Adams.

Todas as pessoas que se interessaram pela ideia reuniram-se em outro grupo e a revista começou a ser moldada. Exatamente nove meses depois, em 5 de junho de 2002, houve o lançamento da primeira edição. Continue lendo

Casa deve ter intervenções paralisadas e placa advertindo que é objeto de ação judicial

A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) manteve, na última quarta-feira (8/6), determinação para que a proprietária de um imóvel na Estrada Geral Canto da Lagoa, em Laguna (SC), se abstenha de fazer intervenções na residência ou em áreas adjacentes e fixe placa informativa mencionando que a edificação é objeto de ação civil pública.

O processo está sendo movido pela Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama), que pede a demolição da construção clandestina, que está em área de preservação permanente (APP) não edificável e inserida na zona de uso restrito do Plano de Manejo Baleio Franca.

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“Jornalismo indígena para jornalistas não-indígenas” busca contribuir com a prática da imprensa

O Núcleo de Ecojornalistas (NEJ-RS) vai realizar o curso virtual “Jornalismo indígena para jornalistas não-indígenas” visando facilitar uma atualização da prática de jornalistas de redações e no currículo de graduandos em Jornalismo. O contexto é de reprodução pela imprensa tradicional de estereótipos e preconceitos, de restrição das pautas às denúncias referentes ao desmonte legal ou à violência, em vez de estender a cobertura aos demais acontecimentos, seja na terra indígena, na retomada ou no espaço onde se encontrarem os povos originários ou indígenas. Além disso, a escuta das fontes indígenas nas notícias não é tão frequente como a de autoridades e técnicos dos órgãos ambientais, de indigenistas, de pesquisadores, entre outras fontes relacionadas aos temas dos povos originários. Para tanto, este curso propõe a escuta e a interação com Francy BaniwaYago KaingangRaquel Paris e Tarisson Nawa. Os links nos nomes conduzem aos perfis em redes sociais desses jovens comunicadores.

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Mantida suspensão de pesca de arrasto próximo à costa marítima do RS

Arrastão. Imagem utilizada em
matéria do Senado Federal.

O Desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4a. Região, manteve válida liminar da Justiça Federal de Porto Alegre que suspendeu a pesca por rede de arrasto tracionada por embarcações motorizadas na faixa marítima da zona costeira do Estado do Rio Grande do Sul. A decisão foi proferida no domingo (5/6/2022) . Link para a íntegra da decisão.

O processo foi ajuizado em abril pelo Estado do Rio Grande do Sul por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RS). O Estado do RS requisita ao Judiciário a declaração de nulidade de Portarias da Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SAP/MAPA) que aprovaram o Plano para a Retomada Sustentável da Atividade de Pesca de Arrasto na Costa do Rio Grande do Sul e estabeleceram regras para a pesca de arrasto motorizado na faixa marítima de três a 12 milhas náuticas (5,5 a 22,2 quilômetros).

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SBPC: seminário debaterá mudanças climáticas nesta quarta-feira

Evento virtual será realizado hoje, 8 de junho, às 16h, com transmissão pelo canal da SBPC no YouTube. Participe!

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realiza nesta quarta-feira, 8 de junho, às 16h, a décima sessão dos seminários “Projeto para um Brasil Novo”. O tema do debate online é Mudanças climáticas e será transmitido pelo canal da SBPC no YouTube.

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Pelo reforço às buscas por Dom Philips e Bruno Araújo Pereira

A RBJA – Rede Brasileira de Jornalistmo Ambientais divulgou nesta terça-feira a seguinte nota:

Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental manifesta preocupação com o desaparecimento do colega jornalista Dom Phillips e do experiente indigenista Bruno Araujo Pereira durante uma viagem de trabalho ao vale do rio Javari. Dom Phillips é um profissional free lancer que trabalha para jornais como o The Guardian, Washington Post, New York Times e o Financial Times.

Nós, profissionais que atuamos na área do jornalismo ambiental, solicitamos a todas as organizações que colaboram nas buscas, especialmente a Polícia Federal e outros organismos públicos, que não esmoreçam no esclarecimento deste caso.

Os dois profissionais desaparecidos foram, recentemente, alvo de ameaças por conta de seu trabalho em defesa dos povos indígenas e de apuração jornalística de crimes que estão sendo cometidos contra as comunidades indígenas no Brasil.

A segurança de profissionais que atuam na pesquisa e na investigação jornalística na Amazônia precisa ser garantida pelo Estado Brasileiro através de seus mecanismos de Justiça e Repressão ao Crime.

Dal Marcondes –
presidente da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental

Chamada extraordinária de jornalistas para a busca dos desaparecidos no Vale do Javari

O Amazon Rainforest Journalism Fund (Amazon RJF) abre um edital emergencial para a cobertura das violações à floresta amazônica no Vale do Javari, no estado do Amazonas, e para acompanhar as buscas pelo jornalista britânico Dom Phillips e pelo indigenista brasileiro Bruno Pereira, caso eles não sejam localizados neste período. Os projetos devem ser enviados até meia-noite desta quarta-feira, 8 de junho de 2022, e serão avaliados no mesmo dia, para que os selecionados possam viajar imediatamente.

Link para increver-se: https://pulitzercenter.submittable.com/submit/167289/amazon-rjf-special-call-the-violations-to-the-amazon-forest-in-vale-do-javari

Contato: Verónica Goyzueta (amazon.rjf@pulitzercenter.org)