Historiadores e ambientalistas lêem trechos da obra de Lutzenberger sobre a Amazônia

O projeto Lutz Global, coordenado pela professora de História Elenita Malta, acaba de divulgar no seu canal no YouTube o 2º Sarau do Lutz sobre ‘A Amazônia e seus defensores’. 0 vídeo tem a duração de 33 minutos e traz a participação de, além da própria Elenita, de Sebastião Pinheiro, Ilza Girardi e Sara Fritz. Cada um escolheu algum trecho escrito da obra de José Lutzenberger para ler.

Ao iniciar o Sarau, a professora Elenita Malta justificou o tema da edição em gravação no Horto Florestal de Rondonópolis, no Mato Grosso, cidade aonde trabalha: “Amazônia e seus defensores”. A proposta, esclarece, é trazer palavras do Lutzenberger, acrescido de comentários. Pretende mostrar com este resgate que os grandes defensores da floresta são os povos indígenas, os seringueiros, os ribeirinhos, enfim, os povos que vivem na floresta, apoiados por pessoas que vão à região ajuda-los na defesa do bioma.

Elenita Malta

O trecho escolhido por Elenita é do livro “Gaia, o Planeta Vivo — Por um Caminho Suave“, editado em 1990 pela Editora LPM, e tem um capítulo muito interessante,diz Elenita, que se chama “Amazônia não é o pulmão do mundo”.

Verificou a professora, que Lutzenberger foi muito impactado pela morte do Chico Mendes. Chico Mendes foi uma liderança seringueira importantíssima. Foi presidente do Sindicato dos Seringueiros em Xapuri, no Acre, e foi assassinado por conta da sua luta. Sua luta tanto sindical pelo trabalho dos seringueiros, assim como também pela defesa ambientalista da floresta amazônica, porque os seringueiros na sua luta, nas suas batalhas, se deram conta de que eles precisavam das seringueiras em pé, da floresta em pé pra poder realizar o seu trabalho.

Então, continuou a pesquisadora, por conta disso, sua luta acabou tendo essa dupla dimensão e teve uma divulgação internacional do trabalho do Chico Mendes. Tanto que a sua morte, em dezembro de 1988, causou um impacto muito forte não só no Brasil, mas no mundo, porque o Chico Mendes já tinha inclusive saído do Brasil, dado palestras, declarações, ele já estava se transformando numa liderança muito importante.

Então leu um trecho do texto de Lutzenberger:

A Amazônia não é o pulmão do mundo. Chico Mendes morreu, foi morto e a sua morte gerou um fato novo. Não foi o primeiro assassinato desse tipo a ocorrer. Centenas, talvez milhares de pessoas, já morreram em atentados semelhantes. Os próprios auxiliares do Chico, quase todos já foram mortos. Mas pela primeira vez no mundo, o assassinato de uma pessoa tão humilde, vivendo em um lugar tão remoto, teve uma repercussão tão grande em nível internacional.

Na Europa e nos Estados Unidos, a morte de Chico foi notícia até em jornais regionais e pequenas aldeias. Mesmo na imprensa brasileira, a repercussão foi maior do que a usual. Quando me telefonaram, uma hora depois da morte de Chico, pensei no que fazer para que ela não fosse em vão e tivesse a maior repercussão possível. Mas não foi preciso fazer nada.

Desde o dia 23 de dezembro até hoje. Não houve um único dia em que a imprensa deixasse de mencionar o fato, o que demonstra a consciência que existe em todo o planeta sobre a importância do que está acontecendo na Amazônia. Nesse sentido, a morte de Chico não terá sido em vão.

Comentário da Elenita — Só lembrando que esse texto foi escrito em 1989, então, bem na sequência do ocorrido

Continua o texto de Lutzenberger:

Pessoalmente, tive poucos contatos com ele. Nos encontramos em diversos congressos de meio ambiente, principalmente sobre a Amazônia. Só nesses momentos podemos conversar, mas consegui através de minha fundação, no caso a Fundação Gaia, uma verba para ajudá-lo. O Chico era muito pobre e precisava passar longos períodos trabalhando na floresta, no seringais, quando seria muito mais útil trabalhando pela defesa dessa floresta e dos seringais.

Por isso, consegui uma verba mensal para ajudá-lo a sobreviver, sem precisar passar esse tempo nos seringais, agora estou direcionando junto a uma fundação americana para que ajude sua família, que ficou sem nada. Basta lembrar que a casa do Chico era um casebre de madeira e que ele foi morto quando ia tomar banho no banheiro, o que ficava fora do corpo da casa.

Vejam como uma pessoa humilde pode se tornar importante na luta por uma causa mundial porque a luta pela preservação da Amazônia interessa a todo ser vivo deste planeta

Elenita – No caso, essa verba que o repasse referência aqui era do valor de 500 dólares. Eu consegui saber isso na minha pesquisa de doutorado e durante alguns meses ele recebeu antes de falecer. Isso com certeza foi uma ajuda bem importante para para causas para as causas do Chico Mendes. Esse texto ele vai abordar ainda mais questões assim da questão da Amazônia, a importância da Amazônia para o clima. Eu vou ler mais alguns trechinho. O Lutzenberger faz referência aqui em 1989 ao Inpe — Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos, ppor exemplo, ou mesmo a Nasa, por meio dos computadores da época, já tinham condições de ver imagens do planeta como um todo na Amazônia e ver como se dava o deslocamento das massas dos ventos, das massas de nuvens.

E aí esses equipamentos mais modernos já estavam permitindo que os cientistas entendessem que a Amazônia não é o pulmão do mundo. Essa imagem de que o oxigênio seria produzido principalmente pelas árvores e a Amazônia como uma grande floresta contribuiria já caiu por terra em função de que se sabe que os oceanos, na verdade, que produzem a maior parte do nosso oxigênio. E, na verdade, a Amazônia ele é importantíssima, mas muito mais pela regulação climática que ela possibilita. Outro está dizendo que nosso clima no Sul depende muito da Amazônia. Então, nessas imagens se vê o quanto o clima da Europa, da Sibéria e aqui da América do Sul depende em grande parte da Amazônia. Desde que temos essa visão global do planeta, ficou bem clara a importância da Amazônia e de todas as outras florestas equatoriais úmidas que ainda restam para a regulagem do clima mundial. Ao mesmo tempo que fica cada vez mais clara a fragilidade do processo todo.

E ele faz todas as suas reflexões, sempre pensando na teoria de Gaia, que vê o planeta todo como interconectado, como um ser vivo e quase como formulado pelo James Lovelock. Já mais para o final, mas citando alguns exemplos que ficam, ele mostra a evidência dessas interconexões e a importância de se ver o planeta como um todo.

Lutzenberger:

Não adianta dizer como querem nossos governantes e principalmente nossos militares, que aquilo que fazemos na Amazônia não interessa a ninguém. Só a nós. O caso brasileiro interessa, sim e interessa a todo o mundo. A Amazônia não é só nossa, é do planeta inteiro, um órgão vital dos ser vivo chamado Gaia, que é a Terra.

Não podemos continuar destruindo a Amazônia. É preciso parar. É preciso repensar conceitos. Mesmo porque do ponto de vista meramente economico aquilo é uma pilhagem.

Então, é importante colocar essa questão de que a Amazônia como um tema mundial. Ela vem desde os anos 1970, sendo pensada não só mais como um problema do Brasil, mas também como um problema do mundo, não um problema global em função dessa questão, essa questão do clima, né? E aí eu já vou passar para o final, então, com uma mensagem do Lutzenberger:

Estamos destruindo a vida do planeta para enriquecer meia dúzia de pessoas, o que está acontecendo na Amazônia é uma guerra, uma guerra de pilhagem. Chico Mendes como uma das pessoas que viviam integradas à floresta, lutou nessa guerra, lutou contra a destruição. Foi um soldado da vida. O mínimo que podemos fazer, em respeito a sua memória, é nos integrarmos todos à sua luta.

Sebastião Pinheiro

O segundo a falar, Sebastião Pinheiro, escolheu um trecho da página 35 dos anais da Comissão Parlamentar para o Estudo da Poluição e Defesa do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, que funcionou em 1972, apenas um ano depois da criação da AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. Lutzenberger foi assessor da Comissão. E leu o seguinte trecho:

A ecologia é a ciência da sobrevivência. Enquanto que as ciências econômicas estudam as transações exclusivamente humanas, a ecologia analisa os negócios da natureza em geral. A economia é, portanto, apenas um capítulo dentro da ecologia e deveria ser encarada como tal. Infelizmente, o homem moderno está hoje de tal maneira empolgado em seu fabuloso poder tecnológico, que ficou quase por completo alienado da natureza. Não quer ver que é apenas um ator em uma infinidade de outros, dentro da fantástica sinfonia da evolução orgânica que lhe deu origem e sem continuação da qual não pode sobreviver. O homem moderno gosta de pensar que está fora do jogo, que é dono de tudo e todos os demais seres só têm sentido em função de sua utilidade imediata para ele.”

Em relação à manifestação do Lutzenberger, em 1972, Sebastião Pinheiro lembrou que estava retornando da Amazônia quando se deu o assassinato do indigenista Bruno Araujo e o jornalista britânico Don Phillips. E fez a seguinte reflexão:  

A Amazônia está em grande perigo. E um grande perigo, porque hoje nela comandam os interesses de grandes corporações, gigantescas corporações que precisam de terra mecanizável para suas commodities.  E querem transformar tudo em commodities. Parece até que não sabemos que o nome “Brasil” vem da segunda ou terceira commodity existente no mundo.

A primeira foi o tabaco ou o fumo.  A segunda é o pau brasil. E aí, então nós temos que nos atentar, atender, entender o olho e com este olho passar a ver as coisas que para nós são extremissimamente importantes . Dos três olhos escolhemos o olho do guaraná, o olho cultural, um olho de uma planta domesticada que vivia na floresta e que o ser humano moderno tirou da floresta para ganhar mais dinheiro, da mesma forma como fez com o café. 

E aí passamos a pagar um preço. Hoje somos o maior produtor de café do mundo, mas o nosso café não tem qualidade. A qualidade de um café colombiano, de um café mexicano, peruano ou nicaraguense. Por quê? Porque nós estamos sempre atrás do dinheiro. Nunca estamos atrás do valor da qualidade e da vida. É por isso que o funcionário Bruno e o britânico Don, foram trucidados, horrendamente trucidados.

E nós não poderíamos deixar de lembrar que ecologia é uma ciência da sobrevivência. O caminho que está sendo trilhado no Brasil, de ódio, que diz respeito à vida, de imposição de medo e totalitarismo,, quando nós temos uma função fantástica: de preservar o clima deste planeta para não só nós de sul a norte de leste a oeste, mas para toda a América Latina, para todo o continente americano, para também África e Ásia,  porque a Amazônia significa muito, não só como reserva de água, não só como sabedoria e cultura, não só como depósito de grandes reservas minerais. Ele é algo que só pode ser pensado através de uma ecologia como Ciência da sobrevivência, como nos disse Lutzenberger.

Sara Fritz

A integrante do projeto Lutz Global Sara Fritz escolheu trecho da manifestação de José Lutzenberger na Conferência Estocolmo Mais Dez, realizada em Nairóbi, Quênia, em 1982.

Eu fui convidado a falar com vocês sobre a situação ambiental na América Latina e os trabalhos das ONGs lá. Mas a América Latina é muito grande para mim e tem outros delegados aqui que podem prestar contas em primeira mão de seus países. Não tentarei dar uma visão geral da situação no meu país, Brasil, mas irei concentrar me em um problema que preocupa todos nós a demolição sistemática da floresta tropical na Amazônia. O que vemos hoje no Brasil e na maioria da América Latina é o maior holocausto biológico na história da vida. Nunca no decurso de 3 bilhões de anos e meio de anos, desde as primeiras agitações de vida neste planeta, houve uma demolição tão atacada, acelerada e violenta dos sistemas de vida como atualmente.

Passamos do ponto onde profanamos apenas essa ou aquela paisagem cênica, esse ou aquele ecossistema. Estamos agora no processo de destruição de biomas inteiros. Toda essa destruição está sendo feita sistematicamente em nome do progresso. O governo brasileiro, a ditadura militar que se instalou em 1964, definiu o custo do desenvolvimento a qualquer preço. A definição dele de desenvolvimento foi a da tecnocracia, o modelo econômico engrenado para tornar os fortes mais fortes e os pobres ainda mais fracos.

Essa atitude não mudou desde Estocolmo, onde a delegação brasileira fez papel ridículo ao convidar outros países para trazerem sua poluição. Hoje eles não falam mais assim. Ao invés disso, eles fingem uma ecologia. Mas a devastação é pior hoje do que jamais antes, e o nível de destruição está, por si só, crescendo em um nível exponencial. Todos os anos, novas formas de devastação anteriormente inimagináveis surgem até mesmo em lugares onde nenhuma ameaça poderia ser suspeitada.  Levaria horas para que eu pudesse lhes dar um quadro geral do Holocausto. Mas vamos nos ater à Amazônia. A devastação em grande escala da floresta tropical se dá de diversas formas. Em um extremo, temos uma demolição megatecnológica. Ela é feita por grandes multinacionais ou corporações nacionais, assim como por poderosos indivíduos que vão para a Amazônia para multiplicar seu capital.

Esse aparelho estabelece enormes projetos criação de gado, fábricas de papel, monoculturas para celulose. Cada projeto significa destruir extensões gigantes da floresta virgem, algumas vezes, de centenas de milhares de hectares. Outro impacto devastador desses esquemas, esse social, é que eles empregam uma média de um trabalhador a cada 2000 bois. Isso é uma pessoa em pelo menos 3000 hectares. A mesma área da floresta poderia facilmente alimentar e abrigar algumas centenas de pessoas se deixada intacta. O estilo de vida tradicional do caboclo, dos indígenas e dos seringueiros é também muito mais agradável, fácil, independente e seguro do que o estilo de vida de um trabalhador de fazenda. A ironia disso tudo é que a pequena quantidade de carne é produzida para exportação. O caboclo amazônico, sabiamente fala: aonde o gado chega, a gente sai — gado significa fome.

Os únicos beneficiários são as corporações, que nem mesmo gastam o dinheiro que ganham nas áreas que devastam.  A devastação social dos outros esquemas, monoculturas extensivas de árvores, mineração a céu aberto, barragens gigantes, corte de madeira e madeireiras, pesca comercial, são tão ruins quanto.  São todas engrenadas para exportação e enriquecimento dos poderosos de fora da região. Não existe preocupação pelas necessidades das populações locais.

Eles são arrancados, marginalizados, alienados e eles ou vão para as favelas ou escapam para mais ainda dentro da floresta até onde existe floresta. 

Sara comenta que é importante o fato do Lutzenberger ter abordado a questão social nesse discurso “porque contemporaneamente a esse evento existiam pessoas que também estavam atuando no âmbito local, dentro da floresta. E uma dessas pessoas era a irmã Dorothy. Essa missionária, desde a década de 70, atua na região onde foi construída a Rodovia Transamazônica. E ela lutava pelo direito dos caboclos à terra. A Transamazônica é um dos maiores símbolos desse progresso a qualquer preço que o Lutzenberger comenta, que começou na ditadura militar, mas que se estendeu ao longo dos anos, mudando suas feições, mas mantendo a mesma lógica.

Então, a irmã Dorothy atuava nessa região, junto à população local buscando soluções, buscando fugir dessa lógica e procurando justiça ambiental e social. E assim ela organizou esses caboclos em assentamentos e foram chamados Projetos de Desenvolvimento Sustentável, onde ela aliava a reforma agrária à preservação da natureza, da floresta. Mas é claro que, num país como o Brasil, a situação de justiça agrária e de preservação da floresta resultou para ela em vários inimigos e, infelizmente, em 2005, a irmã Dorothy foi vítima de uma emboscada organizada por madeireiros e pecuaristas e ela morreu aos 75 anos, com seis tiros.

Ela deixou um legado muito importante, um modelo de luta e de atuação, infelizmente podado por um crime que é tão recorrentemente destinada aos ambientalistas no nosso país.

Ilza Girardi

A professora aposentada da UFRGS e jornalista Ilza Girardi atua no programa de Pós-Graduação em Comunicação aonde é líder do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental. No Sarau, leu um trecho do livro Fim do Futuro – Manifesto Ecológico Brasileiro, de José Lutzenberger. Escolheu parte do capítulo chamado “Barbarismo Consciente”.

Inúmeras tribos indígenas que viveram não sabemos quantos milhares ou dezenas de milhares de anos na selva amazônica e nada alteraram aquela exuberante natureza.  Onde nós hoje nos deslocamos, nos confrontamos com a majestade primordial e intacta da ideia que passamos logo a profanar e a destruir para sempre. Como sabe todo aquele que conhece de perto a vida indígena, o índio, além de não devastar, emporcalhar o mundo em que vive, vive uma vida profundamente humana e caracterizada por formas de harmonia, de integração social e felicidade individual que não têm paralelo nas sociedades modernas.

Em sua cultura intacta, não contaminada pelo homem moderno, os indígenas não são anormais ou marginais. Quem assim pensa demonstra que nada compreendeu, que não tem noção da realidade que lhe falta toda a perspectiva histórica. Como pode ser anormal quem apenas continua a mais antiga e venerável tradição da humanidade, que continua vivendo como vivíamos durante 99% da nossa história, que se recusa a participar de uma experiência cujo resultado é ainda duvidosa.

Anormais somos nós. Anormal é a sociedade de consumo, tanto pela posição que ocupa na grande perspectiva histórica, como pela adoração da mudança e pela mudança quando já sabemos que o futuro não pode pertencer à mudança contínua, que somente a estabilidade tem futuro, que somente situações equilibradas podem garantir a sobrevivência e o verdadeiro progresso. O progresso espiritual e moral, o progresso da qualidade de vida que nada tem a ver com a quantidade de materiais que movimentamos.

Não temos direito de querer impor a um indígena a nossa maneira de vida, nem insistir em sua integração. A única proteção que o indígena necessita é o respeito a seus direitos como ser humano, como cultura autônoma, como nação. O que devemos proporcionar? Abrigo das agressões e da cobiça do homem civilizado que quer despojá-lo de suas terras. O índio nada, absolutamente nada, tem a ganhar com o nosso progresso, a não ser o desastre. Impondo nossa civilização, somente trazemos aniquilamento cultural e físico. 

E a professora Ilza comenta:

Vejam só que é que a atualidade é esse texto. Hoje os índios estão na luta pela demarcação e não a demarcação das terras indígenas. Eles têm o direito de permanecer nas terras onde viveram seus ancestrais, nas terras onde eles vivem.

Agora é que já viveram, que sempre viveram, em que vivem. E eles estão sendo atualmente muito. Na verdade, estão sendo aniquilados, atacados constantemente. É como se nós tivéssemos no país uma política pública voltada para a destruição dos povos indígenas e quem mais deveria protege-los e quem mais nos ataca? O governo federal e o presidente da República tem o dever constitucional de proteger os indígenas e não é isso que nós vemos.

Eles são atacados pelos guerrilheiros, pelos garimpeiros, pelo agronegócio e até por traficantes. Essa situação não pode continuar do jeito que está, porque muito sofrimento e muita desumanidade nós convivemos com esse sofrimento cotidiano dos povos indígenas. O ser humano, os uru-eu-wau-wau e tantos outros (sofrem) ataques permanentes. É hora de a gente dar um basta nisso tudo. Que nós nos unamos. 

A luta dos povos indígenas, também é uma luta nossa. Se nós formos uma nação de cidadãos, pessoas dignas, pessoas corretas, a luta indígena é uma luta nossa. Nós precisamos lutar junto com eles para mudanças e é possível nós mudarmos logo a situação desse país. O futuro que a gente tem tá bem ali, bem próximo. E se a gente pensar e refletir sobre essas palavras do Lutzenberger que foram escritas em 1976 e que hoje, em 1922, são de uma atualidade impressionante, se a gente refletir e se essas reflexões gerarem mudanças, e se a gente conseguir passar essas palavras para outras pessoas, nós podemos mudar esse país. Eu acredito nisso.

Elenita Malta

Ao finalizar o 2 Sarau Lutz professora de História Elenita Malta, coordenadora do projeto Lutz Global, traz trecho do capítulo Gaia, de José Lutzenberger, sobre a importância da Amazônia e seus defensores. Considera a historiadora que Lutzenberger fala no texto de Chico Mendes, “mas nós podemos pensar que está falando da Irmã Doroty, os próprios Bruno Pereira e Dom Philips e tantos outros e outras, outros que a gente nem fica sabendo. Infelizmente, o Brasil é o pais em que mais acontecem assassinatos de ambientalistas no mundo. Esta mensagem é muito importante — precisamos cuidar da Amazonia, porque ela é importante para o clima, para manter a biodiversidade em ambito global, ela não interessa só ao Brasil, interessa ao mundo inteiro.

Veja também

— Video do 2 Sarau do Lutz.

— Canal Lutz Global no YouTube.

Transcrição e texto do Editor do AgirAzul.com.
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