Arquivo da categoria: Biomas

Código Florestal não respeita a ciência

Alterações feitas pelo Congresso atendem demandas de grandes e médios produtores e criam déficit de proteção ambiental

Ao completar dez anos de sua aprovação no Congresso Nacional, o Código Florestal tem sido alvo de revisões que anulam o avanço que representou para a conservação ambiental quando foi aprovado e criam um significativo déficit em proteção ambiental. A constatação é de especialistas que participaram do painel “O Código Florestal 10 anos depois. Meio Ambiente X Agronegócio”.

Realizado quinta-feira (28/7) durante a 74ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o painel foi coordenado pelo engenheiro agrônomo José Antônio Aleixo da Silva, coordenador do Grupo de Trabalho sobre o código da SBPC. Os painelistas foram a ecóloga Mercedes Bustamante da Universidade de Brasília (UnB), coordenadora do relatório sobre uso da terra do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC); o biólogo Carlos Alfredo Joly, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador da Plataforma Brasileira de Biodiversidades e Serviços Ecossistêmicos (BPBES); e Ricardo Ribeiro Rodrigues, biólogo, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq).

Fazendo um retrospecto, Carlos Joly, que participou das discussões com o Congresso Nacional, afirmou que a proposta, que tramitava desde 2008 e foi aprovada em 2012, reduziu substancialmente a proteção aos recursos hídricos, alguns complexos de vegetação como manguezais e restingas e, principalmente, acabou com a contribuição para a conservação.

“A SBPC e ABC (Academia Brasileira de Ciências) criaram esse grupo de trabalho, trabalhamos intensivamente sobre as leis, produzimos um livro sobre as contribuições da ciência para o Código Florestal, discutimos com todos, ouvimos todos os deputados, a favor e contra, o relator, as indústrias, o agronegócio, os ambientalistas e fizemos o que era a base científica”, relatou o biólogo. “Infelizmente a ciência não foi ouvida”, criticou, lembrando que desde então esse marco legal sofreu outras alterações com demandas – até hoje – por ainda mais flexibilização das regras que levam à redução das Áreas de Preservação Permanente (APP).

Com base em dados do relatório anual de 2021 da organização MapBiomas, Mercedes Bustamante mostrou que o desmatamento cresceu em todos os biomas brasileiros em relação a 2020. Segundo ela, a maior parte da destruição ocorreu sobre áreas registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), registro público nacional previsto no Código Florestal, obrigatório para todos os imóveis rurais, que tem por finalidade integrar as informações ambientais para efeito de controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento. “Isso indica que, apesar do cadastro, há uma enorme quantidade de desmatamentos que podem ser classificados como Ilegais”, analisou Bustamante.

O resultado de todo o retrocesso na legislação nos últimos anos, com sucessivas flexibilizações das áreas mínimas a serem preservadas, segundo Ricardo Ribeiro Rodrigues, pode ser observado pelo déficit estimado de APP por bioma que, só em São Paulo chega a 768 mil hectares em 340 mil propriedades rurais.

“Como podemos não estar sofrendo os efeitos das mudanças climáticas, a falta d’água, se só São Paulo deve 770 mil hectares de proteção de rios durante seu tempo de ocupação?”, questionou o biólogo.

Segundo Rodrigues, a estrutura desse déficit mostra que 90% está concentrado em grandes e médias propriedades. “Quando a gente escutava na mídia que precisava alterar o Código Florestal porque estava prejudicando os pequenos, era uma grande balela”, afirmou.

Íntegra do painel

Fonte: Jornal da Ciência
Fotografia em destaque – Floresta Amazonica – liberada para uso pelo autor Douglas Fernandes (2003)

Professor de gerações de botânicos recebeu o prêmio Curicaca

A jornalista Sílvia Marcuzzo homenageia o Professor Luís Rios de Moura Baptista

Um professor em extinção

Luís Baptista recebeu prêmio pelo conjunto de sua obra em defesa da conservação da natureza

Sílvia Marcuzzo – Jornalista e artivista

Professor Batista recebeu a homenagem de Isabel Chiapetti, que trabalhou na Fepam na área que atuava com o bioma Mata Atlântica. Foto: ONG Curicaca

Existem pessoas que deixam marcas, legados, decisivos para a compreensão da nossa existência por gerações. Tive o privilégio de conhecer e conviver durante a minha trajetória profissional com algumas. Uma delas é o professor Luís Rios de Moura Baptista, que hoje está aposentado do Departamento de Botânica da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Ele recebeu o Prêmio Curicaca no evento “E os nossos biomas tchê?”, realizado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul no último dia 1º de julho. A homenagem, promovida pela ONG Curicaca, foi em reconhecimento ao conjunto do trabalho do professor que tem dedicado sua vida à conservação do bioma Mata Atlântica. O Instituto Curicaca é uma das organizações mais atuantes do Estado no quesito conservação de ambientes naturais e criou essa premiação este ano, em alusão aos seus 25 anos de atividade.

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Divulgada Carta Aberta à Sociedade Gaúcha pela proteção do Pampa

Carta Aberta à Sociedade Gaúcha pela proteção do Pampa.

Diretrizes e Ações para Uso Sustentável e Conservação do Biama

“Carta Aberta à Sociedade Gaúcha pela proteção do Pampa”

O Pampa é o bioma brasileiro com a maior perda percentual de áreas naturais no período 2000-2018, com uma redução de 16,8%, principalmente para fins agrícolas (IBGE, 2020). Entre 2012 a 2018, 125 mil hectares de campos nativos foram transformados anualmente em lavouras, silvicultura e pastagens plantadas, o equivalente a 2,5 vezes o território de Porto Alegre (Rede Campos Sulinos 2020).

Embora pareça homogêneo, o bioma Pampa apresenta diversas fisionomias vegetais campestres e florestais que se caracterizam pela riqueza em biodiversidade, sendo os campos tão ou mais biodiversos do que as florestas (Pillar & Lange, 2015). Ao mesmo tempo, apresenta elevado número de espécies de plantas e animais ameaçados de extinção – mais de 380 espécies da flora (dados do Laboratório de Estudos em Vegetação Campestre/UFRGS) e pelo menos 86 espécies da fauna (Bencke, 2016).

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Seminário sobre os biomas do Rio Grande do Sul é nesta sexta, 1º/7

E como estão nossos biomas tchê?”

O Pampa? Que no Brasil é exclusivo daqui e nos traz enorme responsabilidade. A Mata Atlântica? Que tem o limite austral de sua ocorrência em nosso território num ecótono de extrema riqueza. E a Zona Costeiro-Marinha? Que especialmente aqui tem influências tropicais e patagônicas. Tanta importância! Mas tanto descuido por parte de quem tem a obrigação de cuidá-los.

Esse é o tema central do evento que acontecerá nesta sexta-feira, 1 de julho de 2022, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, organizado pelo parlamento gaúcho, a Coalizão pelo Pampa, o Instituto Curicaca e a Coalizão Costa Mar Sul.

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Araucárias em rota de extinção são cortadas de forma criminosa e legal

Por Aldem Bourscheit, jornalista

  • Brechas em normativas e de fiscalização aumentam as chances de que a espécie desapareça das paisagens nacionais nas próximas cinco décadas.
  • Governos do Paraná e de Santa Catarina permitem o corte de pinheiros para abrir caminho a obras como estradas e linhas de transmissão; a derrubada de árvores nativas está proibida no Brasil desde 2001.
  • A extensão de florestas com araucária já encolheu 98%, de 182 mil km2 para 3,6 mil km2.

Marcadas para desaparecer nas próximas cinco décadas, as florestas com araucárias resistem em diminutas parcelas em relação ao que um dia ocuparam no país. Apesar da pindaíba, são eliminadas ilicitamente ou com aval de órgãos públicos. A legislação nacional traz meios para sua proteção e recuperação, contam especialistas.

A majestosa araucária (Araucaria angustifolia) é uma árvore natural de porções mais altas e frias das regiões Sul e Sudeste. Existe há 200 milhões de anos e pode chegar a 50 metros de altura, mesmo porte de uma castanheira amazônica. Desponta na chamada floresta ombrófila mista, uma das formações da Mata Atlântica, que abriga até mil espécies distintas de plantas e de animais.

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Curicaca forma primeira turma de Condutores de Visitantes no Parque Estadual de Itapeva

O Instituto Curicaca realiza nesta quinta-feira (4/2/2021) a formatura da primeira turma de Condutores de visitantes no Parque Estadual de Itapeva, situado no Município de Torres, junto ao mar. A cerimônia será transmitida pela internet neste endereço, a partir das 9h. Conforme o Plano de Uso Público, elaborado pelo Instituto, algumas trilhas necessitam de condutores para serem percorridas pelos turistas.

Após a elaboração do Plano, em 2018, a contribuição à unidade de conservação pelo Curicaca foi buscar a parceria da Fundação SOS Mata Atlântica para qualificar os jovens da comunidade local. Foram definidos critérios para a inscrição no curso, direcionando-o para jovens moradores da região, preferencialmente de baixa renda, reservando vagas para os indígenas.

O Parque Estadual de Itapeva é gerido pela SEMA – Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura.

O conteúdo programático foi aquele definido pela Instrução Normativa nº 2/2016 do ICMBio . Os condutores adquiriram ou aprofundaram conhecimentos legais sobre o Parque, sobre o contexto geográfico, arqueológico e histórico de onde a UC está inserida, sobre a biodiversidade – espécies, ecossistemas e processos ecológicos protegidos -, sobre a base legal, técnica e ética da condução, sobre como usar técnicas de educação ambiental e facilitação para a sensibilização, sobre como evitar e monitorar impactos à biodiversidade, sobre como fazer um atendimento de primeiros socorros e um pouco mais.

O Instituto Curicaca atua há anos na região de Torres sempre defendendo que é possível a manutenção da área como Unidade de Conservação influenciando positivamente a economia da região.

Alexandre Krob, coordenador técnico do Curicaca, conta ao AgirAzul.com que alguns setores econômicos e políticos locais sempre resistiram à ideia de manter o Parque, que é geograficamente localizado ao lado da cidade de Torres. “Desde quando participamos da criação do Parque, em 2002, fizemos um discurso para a sociedade torrense, baseado em nossa experiência nos Parques Nacionais de Aparados da Serra e Serra Geral, que o PEVA – Parque Estadual de Itapeva – traria também benefícios sociais e econômicos aos locais“, diz.

Conta que “passamos muito tempo remando contra a maré, até conseguirmos convencer os gestores de que era preciso um Plano de Uso Público de forma a trazer os benefícios prometidos para a comunidade do entorno“.

Acredita Alexandre Krob que se o Plano for executado completamente “teremos novamente o mesmo resultado que alcançamos em Cambará e Praia Grande, jovens se aliando à conservação do Parque, tirando renda do ecoturismo, atuando colaborativamente e sendo exemplo de sucesso a partir da criação de unidade de conservação – UC — isso realizará parte da nossa promessa feita em 2002“.

Com o sucesso local, poderá haver outros desdobramentos possíveis, inclusive a partir da ampliação do trabalho junto a outras UCs, como o Refúgio da Vida Silvestre da Ilha dos Lobos, a APA Municipal Lagoa de Itapeva e o Parque Municipal Tupancy, considera Krob.

Alexandre Krob entende que a SEMA/RS, gestora do Parque de Itapeva, deva colocar em prática a totalidade do Plano de Uso Público: “ele foi feito de forma participativa com associações, empresários locais, representantes do Executivo e do Legislativo, garantindo acesso por meio de concessões menores, aos empreendedores e associações locais“. É a observação que faz em relação às concessões dos grandes parques nacionais realizadas pelo governo federal: “o Plano de Uso Público do Parque Estadual de Itapeva é um modelo inclusivo, muito diferente da opção que está sendo feita para os Parques Nacionais, que só beneficia grandes empreendedores de fora da região“.

Visitação

Grupos de até 5 pessoas podem agendar uma visita contactando diretamente a equipe do Parque. A expectativa do Curicaca é que após essa formatura que irá ocorrer no dia 4/2, a área se torne um grande atrativo para a região.

Parque Nacional da Lagoa do Peixe

O Instituto Curicaca também está organizando um curso de condutores de visitantes junto ao Parque Nacional da Lagoa do Peixe, com especialização em observação de aves. O publico específico será formado pelos joveis do ensino médio ou recém egressos dos Municípios de Mostardas e Tavares, com critérios de seleção semelhantes aos aplicados em Torres, valorizando política de gênero, renda e com reserva de vagas para os quilombolas.

O curso foi iniciado, mas rapidamente suspenso devido a Covid-19 e será retomado de forma EAD. e as inscrições serão reabertas considerando as condições instaladas na comunidade para apoiar a formação em plataforma digital. Considera Alexandre Krob que “como estamos especializados nesse tema, novos cursos surgirão para as UCs com as quais trabalhamos, dependendo da captação de recursos para bancar os custos de organização e de horas aula dos professores“.

Atualmente, os cursos estão um pouco prejudicados por causa da pandemia. O conteúdo inclui técnicas de condução em trilha terrestre e atendimentos de primeiro socorros que são difíceis de ensinar de forma virtual. Também interações de facilitação em sensibilização ambiental e de conhecimentos da biodiversidade, geografia, arqueologia são bem melhores em contato com a natureza.

Abertura a futuros trabalhos

Caso prefeituras tenham interesse em qualificar jovens da comunidade para atuarem em UC municipais, RPPN ou mesmo em UCs estaduais e federais em comum acordo com seus gestores, o Instituto Curicaca está disponível para as trocas de ideia iniciais e a realização do trabalho.

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Texto de João Batista Santafé Aguiar / editor@AgirAzul.com

Ministra Rosa Weber revigora Resoluções tornadas sem efeito por Salles

A Ministra Rosa Weber concedeu nesta quarta-feira (28/10/2020) liminar (link para a íntegra ao final) para suspender de imediato os efeitos da Resolução nº 500/2020-CONAMA assinada pelo Ministro do Meio Ambiente e presidente do CONAMA Ricardo Salles. No mesmo ato, e em conseqüência, reestabeleceu a vigência e eficácia imediata das Resoluções CONAMA nºs 284/2001, 302/2002 e 303/2002.

MInistra Rosa Weber/2018

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF nº 747 foi proposta ao Supremo Tribunal Federal / STF pelo Partido dos Trabalhadores/PT. A decisão será encaminhada ao Plenário do STF para referendo, ou não, da decisão.

A Ministra entendeu que há “elevado risco de degradação de ecossistemas essenciais à preservação da vida sadia, comprometimento da integridade de processos essenciais e perda de biodiversidade” que dão razão à necessidade de urgente suspensão da Resolução nº 500/2020. Ainda afirmou que “aparente estado de anomia e descontrole regulatório, a configurar material retrocesso no tocante à satisfação do dever de proteger e preservar o equilíbrio do meio ambiente, incompatível com a ordem constitucional e o princípio da precaução“.

A Resolução 500/2020 CONAMA é resultado direto da reunião do colegiado realizada em 28 de setembro (ver textos e propostas), presidida pelo ministro Ricardo Salles, em que os órgãos públicos federais, em completa maioria, concordaram com a proposta de tornar sem efeito três resoluções que prevêem a exigência de estudo de impacto ambiental, em alguns casos, para os projetos de irrigação, que fixa parâmetros na delimitação de Áreas de Preservação Permanente, e que normatiza parâmetros nas áreas de dunas, manguezais e restingas nas regiões costeiras do território brasileiro. Na reunião, houve discordância geral com as proposições apenas da representante do MPF – Ministério Público Federal, e da ONG Novo Encanto. A Procuradora da República Fátima Aparecida de Souza Borghi, que representa o MPF no colegiado, embora sem direito a voto, informou aos demais Conselheiros durante o processo de votação, que não durou mais do que alguns minutos, que iria propor a sua instituição a responsabilização dos votos contrários à proteção ambiental.

Redação: jornalista João Batista Santafé Aguiar/AgirAzul.com.

Novidade: Você pode divulgar seu próprio evento na Agenda AgirAzul. Ver www.AgirAzul.com/agenda

Mapeamento de borboletas na Mata Atlântica identifica áreas prioritárias para conservação

Janaína Simões | Agência FAPESP – Ao mapear a distribuição de espécies de borboletas na Mata Atlântica, pesquisadores constataram que as regiões do bioma com maior diversidade são a Serra do Mar, a Serra da Mantiqueira, a Mata de Araucárias e algumas áreas específicas situadas no Espírito Santo, em Minas Gerais, na Bahia e em Pernambuco. De acordo com o estudo, portanto, esses seriam locais prioritários para políticas de conservação.

A pesquisa também mapeou as regiões com menor número de espécies, com destaque para a bacia do Rio São Francisco. Para esses casos, foram propostas pelos cientistas medidas voltadas à restauração de serviços ecossistêmicos, ou seja, à recuperação de ao menos parte dos benefícios propiciados pelo ecossistema, como ciclagem de nutrientes, regulação do clima e da qualidade do ar, controle da erosão do solo e polinização, entre outros.

Os resultados completos do trabalho, que contou com apoio da FAPESP, foram divulgados na revista Diversity and Distributions.

O mapeamento comprova que determinadas características da paisagem, como o percentual de cobertura florestal e a inclinação do relevo, são fatores tão importantes quanto o clima para explicar a atual distribuição das espécies de modo geral. Essa influência é bastante conhecida em estudos de microescala e para pequenos grupos de animais e vegetais, mas uma novidade em pesquisas que abrangem grandes áreas geográficas e espécies.

Ao mostrar em quais regiões do bioma o contexto paisagístico é mais relevante do que o climático, a pesquisa das universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual Paulista (Unesp) e Federal do Mato Grosso (UFMT) ressalta também o impacto da atividade humana e a importância dos remanescentes florestais para a manutenção da riqueza de espécies.

“Como muitas paisagens na Mata Atlântica já foram alteradas e os grandes centros estão próximos às regiões mais ricas em espécies, o avanço da ação humana sobre as paisagens naturais é hoje a principal ameaça à diversidade de borboletas no bioma”, afirma à Agência FAPESP Jessie Pereira dos Santos, professor do Departamento de Biologia Animal do Instituto de Biologia da Unicamp.

Segundo o pesquisador, as borboletas são indicadores biológicos importantes para o diagnóstico ambiental e o monitoramento da biodiversidade. “Entender o que ocorre com elas ajuda na compreensão do que acontece no bioma como um todo e no desenho de políticas de conservação.”

Hotspots

O estudo mostra que os padrões de distribuição encontrados para as borboletas são parecidos com os observados em outros grupos de organismos. Esse dado reforça a existência dos centros de endemismo, que são regiões com alta diversidade e maior número de espécies exclusivas, ou seja, que não ocorrem em outros locais. A existência desses hotspots constitui uma das hipóteses da ciência para explicar a grande diversidade do bioma.

Com o mapeamento, os pesquisadores quantificaram a contribuição da paisagem e do clima na distribuição de borboletas, confirmando que a perda do hábitat natural é a principal ameaça à diversidade de espécies. O mapa principal mostra os locais em que os fatores ligados à paisagem são mais preponderantes do que o clima na perda de espécies.

“Pudemos traçar um panorama sobre a distribuição da riqueza de um grupo grande de borboletas para toda a extensão da Mata Atlântica, informação até então restrita para grupos menores”, diz Santos.

Segundo André Victor Lucci Freitas, professor do Departamento de Biologia Animal da Unicamp e coautor do texto, uma das principais contribuições da pesquisa está na incorporação de métricas de paisagem, como uso da terra, a fragmentação florestal e outros processos causados pelo homem, em uma perspectiva macroecológica (a das relações entre os organismos e seu ambiente em grandes escalas espaciais). Em geral, essas métricas são usadas em estudos de menor escala.

Os efeitos da modificação das paisagens, em especial, ainda careciam de estudos mais aprofundados nesse contexto. “A pesquisa mostra que a influência da paisagem é tão importante quanto a do clima para determinar a distribuição de espécies em maior escala”, afirma.

Entre borboletas presentes no bioma, as mais comuns são as Hermeuptychia, pequenas borboletas marrons comuns na cidade, em terrenos abandonados e parques. Há ainda as borboletas estaladeiras (gênero Hamadryas), observadas em parques urbanos e que são reconhecidas pelo barulho de cliques quando voam, as “borboletas azuis” (gênero Morpho) e as “borboletas coruja” (gênero Caligo e aparentadas), que possuem marcas em forma de olhos de coruja nas asas. As borboletas do coqueiro (gênero Brassolis) também são conhecidas por suas lagartas, que se alimentam de palmeiras e bananeiras. Há também espécies mais raras ou peculiares, como as do gênero Pampasatyrus.

A lista de espécies de borboletas usada no estudo é resultado do esforço de diversos pesquisadores brasileiros, com destaque para o levantamento feito por Keith S. Brown Jr., que coordenou um Projeto Temático ao Programa BIOTA-FAPESP relacionado ao tema.

Das 279 espécies identificadas na literatura científica, 146 serviram de parâmetro para o cálculo dos modelos computacionais usados para gerar os mapas de distribuição das borboletas. Esse número se refere às espécies que tinham, pelo menos, 10 pontos de ocorrência nos remanescentes atuais da Mata Atlântica, levantados na bibliografia e também em trabalho de campo. As outras 133 espécies foram consideradas endêmicas ou raras, contadas apenas nos locais de ocorrência e depois somadas aos mapas finais de riqueza.

Por razões metodológicas, foram estudadas borboletas que se alimentam de frutas em decomposição, dada a facilidade de preparação de armadilhas usando isca de fruta fermentada, um método de coleta passivo, que não depende da experiência do coletor, e que permite a obtenção de uma amostragem padronizada.

O bioma foi dividido em cinco sub-regiões, seguindo classificação já usada por outros pesquisadores: Bahia, Brejos Nordestinos, Pernambuco, Diamantina e Serra do Mar; e três áreas de transição: São Francisco, Florestas Interiores e Florestas de Araucária.

Modelos baseados em paisagem, clima e sua combinação

Combinando os dados da literatura com os de campo, os pesquisadores conseguiram destrinchar as contribuições individuais da paisagem e do clima para o número de espécies que podem ser encontradas na Mata Atlântica utilizando o EcoLand, uma nova metodologia de análise desenvolvida pelos autores. Com ele, foi produzido um mapa que sobrepõe as projeções de distribuição da riqueza pelo clima e paisagem, conceito que engloba não só aspectos como relevo e outros elementos naturais, mas o uso da terra, a fragmentação florestal e outros processos causados pela atividade humana.

A riqueza de espécies é quantificada como alta, média e baixa, de acordo com a paisagem e o clima, separadamente, e depois combinada neste único mapa. “Por meio de diferentes combinações das projeções, a gente consegue avaliar, em diferentes localidades do espaço geográfico, qual fator – paisagem ou o clima – prediz determinado valor de riqueza”, conta Santos.

O EcoLand mostra, por exemplo, que nos remanescentes florestais, onde se encontra a maior parte da Mata Atlântica preservada, há altos valores de riqueza de espécies apontados tanto pela paisagem quanto pelo clima. Porém, existem grandes centros urbanos desenvolvidos nos arredores dessas regiões. Nesses centros, a paisagem prediz uma riqueza mais baixa, mesmo que o clima indique o oposto.

“Isso nos mostra que a paisagem dessa localidade já não dá suporte para altos valores de riqueza de espécies”, explica. Um outro exemplo seria a região Sul do país. “Nela, temos altos valores de riqueza para a paisagem, entretanto o clima não é o mais adequado para o registro de valores altos de riqueza”, diz.

Quando observado separadamente, o modelo baseado no clima mostra que as áreas com maior riqueza de espécies são os complexos da Serra do Mar e da Mantiqueira, que chegam a abrigar até 162 espécies. Já as de menor riqueza, na bacia do rio São Francisco e também na transição com o Cerrado e áreas próximas da divisa com Paraguai e Argentina, registram menos de 50 espécies.

O modelo baseado exclusivamente na paisagem indica que as áreas mais ricas em espécies são as porções de Mata Atlântica no interior de Santa Catarina e do Paraná, que inclui a região das Araucárias e pontos isolados na Serra do Mar e Bahia. Nas áreas de maior riqueza, foram encontradas até 190 espécies. A região do São Francisco e Pernambuco são os locais onde foi encontrado o menor número de espécies nesse modelo.

Ao unir ambos os modelos em um único mapa, por meio do EcoLand, o mapeamento mostra que a maior parte das áreas de Mata Atlântica apresenta valores médios de riqueza de espécies. As áreas em que há uma elevada variedade de espécies são o complexo da Serra do Mar e o da Serra da Mantiqueira, com alguns pontos de destaque no nordeste da Bahia e de Pernambuco, assim como no interior do continente. As mais baixas estão no noroeste de toda a região estudada, predominantemente na região da bacia do São Francisco.

Quando ambos os modelos são conjugados, observa-se também que, nas adjacências das áreas em que se encontram os níveis mais altos de riqueza, encontram-se aquelas nas quais há uma alta riqueza no modelo baseado no clima e baixa riqueza no modelo baseado em paisagem. “Aqui estão, provavelmente, as áreas em que a riqueza de borboletas é mais afetada pelas mudanças de paisagem e pela fragmentação florestal e essas áreas estão espalhadas por praticamente todas as sub-regiões, exceto a do São Francisco”, apontam no artigo. Esse dado reforça a importância de se preservar as florestas e os remanescentes florestais para a manutenção das diversas espécies. Cerca de 70% da população brasileira se encontra em áreas que eram de Mata Atlântica, que hoje tem aproximadamente 11% da sua cobertura original.

O mapeamento sugere que áreas com alta riqueza de espécies para ambos os modelos, como a Serra do Mar, devem ser vistas como foco central nas políticas de conservação. Aconselha também a importância da restauração do ambiente natural, especialmente nos locais em que o modelo registra um baixo nível de riqueza em relação à paisagem e alto em relação ao clima. Recomenda, ainda, a implementação de corredores ecológicos para regiões em que a floresta foi, em grande parte, derrubada, mas ainda existem pequenos fragmentos de mata, como a Bahia.

Os pesquisadores destacam no artigo a importância de áreas com alta riqueza de espécies considerando apenas a paisagem, que podem vir a ser importantes em um contexto de mudanças climáticas, caso da região da Araucária. Para os locais de valores altos e médios de riqueza, as estratégias de conservação são voltadas para a conservação da riqueza de borboletas. “Entretanto, nas regiões com menores valores, em vez de indicar ações mais intensas, nós mudamos o foco da prática. Em vez da conservação das borboletas [a riqueza é baixa para pensar em investir em conservação nestas áreas], o ponto focal passa a ser o bem-estar da sociedade, por meio da restauração dos serviços ecossistêmicos básicos”, explica Santos.

São serviços ligados à qualidade de vida das pessoas que habitam as regiões, como polinização, erosão e fertilização do solo, decomposição, controle do clima, regulação e abastecimento hídrico, emissão de gases etc. “Embora a restauração de hábitat possa levar ao resgate de serviços ecossistêmicos, isso nem sempre é possível ou de fácil investimento, daí nossa sugestão”, pondera Santos.

O mapeamento resultante do EcoLand resgata também os centros de endemismo já apresentados para outros taxa (plural da palavra táxon, as categorias usadas no sistema de classificação dos seres vivos, como, por exemplo, reino, gênero e espécie) na Mata Atlântica. “Obtivemos padrões de distribuição da diversidade que se assemelham aos observados para outros grupos de organismos, o que reforça as hipóteses que buscam explicar a origem da diversidade nesse bioma”, afirma.

Por fim, os pesquisadores deixam um alerta. “Mesmo que o cenário de perda da diversidade pelas mudanças climáticas seja preocupante, a perda de hábitat natural se configura como a principal ameaça à diversidade. A ação conjunta das mudanças climáticas pode gerar cenários ainda mais alarmantes”, ressalta Santos.

O artigo Effects of landscape modification on species richness patterns of fruit-feeding butterflies in Brazilian Atlantic Forest pode ser lido em https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/ddi.13007.
Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Foto do destaque republicada com autorização do autor:  Inseto é considerado indicador biológico importante para entender o que ocorre no bioma. Trabalho também quantifica a contribuição da paisagem e do clima para o padrão atual de distribuição de espécies (borboleta da espécie Hamadryas laodamia; foto: André Victor Lucci Freitas/Unicamp

2019 conclui uma década de aquecimento excepcional e eventos climáticos extremos

De acordo com novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), a temperatura média da Terra entre janeiro e outubro de 2019 foi 1,1oC superior aos níveis pré-industriais, criticamente próximo da meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento em 1,5oC até 2100; o ano de 2019 caminha para ser o 2º ou 3º anos mais quente já registrado

Madri, 03 de dezembro de 2019 – O ano de 2019 conclui uma década de calor global excepcional, de retirada de gelo e de níveis recorde do mar, impulsionados por gases com efeito de estufa provenientes de atividades humanas. As temperaturas médias para os períodos de cinco anos (2015-2019) e dez anos (2010-2019) são quase certas de serem as mais elevadas de que há registo. 2019 está a caminho de ser o segundo ou terceiro ano mais quente de que há registro, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

relatório preliminar da OMM sobre o Estado do Clima Global diz que a temperatura média global em 2019 (janeiro a outubro) foi de cerca de 1,1 graus Celsius acima do período pré-industrial. Continue lendo

Cânion do Funil nos Aparados da Serra pode ser afetado por complexo eólico

Cânion do Funil, por Carolina Schaffer/Divulgação

Entidades ambientalistas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina representaram junto ao Ministério Público Estadual e Federal de Santa Catarina para que investiguem a localização de um parque eólico junto ao Cânion do Funil, no Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina.

Corre no Estado de SC o processo de licenciamento do empreendimento e por isso a atuação do MP estadual. E afeta diretamente um Parque Nacional – por isso a entrega da representação também ao Ministério Público Federal.

Para a Comissão de Defesa dos Aparados da Serra, a AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural , o INGA – Instituto de Estudos Ambientais, a RMA – Rede de ONGS da Mata Atlântica, a APREMAVI – Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida, e o Instituto Curicaca a localização escolhida para o empreendimento vai interferir na paisagem e na economia da região que vem apresentando um grande incremento nos últimos anos a partir do ecoturismo. Continue lendo

Conexões Amazônicas é nesta quarta, dia 13

O evento Conexões Amazônicas – UFRGS vai apresentar trabalhos desenvolvidos por pesquisadores vinculados à UFRGS sobre a Amazônia em diferentes campos da ciência.  Participarão pesquisadores de áreas como sociologia, recursos hídricos, ecologia, zoologia, genética, jornalismo, direito, química e glaciologia. Continue lendo

TRF4 confirma condenação da Petrobrás por vazamento de petróleo em 2000: o maior acidente ambiental no Paraná

A 3ª e 4ª Turma do  Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) , com sede em Porto Alegre, em sessão conjunta, mantiveram, por maioria, a condenação da Petrobrás pelo vazamento de óleo ocorrido em 16 de julho de 2000, no município paranaense de Araucária, alguns meses depois de um grande desastre na baia da Guanabara. A decisão mantém a obrigação da estatal recuperar as áreas atingidas pelo vazamento e pagar indenizações que chegam a cerca de R$ 610 milhões, valor a ser corrigido,  que serão destinados o Fundo Estadual do Meio Ambiente do Paraná. Continue lendo

Observatório do Clima critica discurso de Bolsonaro na ONU

A coordenação do Observatório do Clima, grupo que reúne as principais entidades ambientalistas que atuam no Brasil, divulgou nota nesta terça-feira (24/9) em que repercute o pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, na abertura da Assembleia da ONU, em Nova Iorque.

A seguir, a nota:

Como era esperado, o discurso de Jair Bolsonaro na ONU dobrou a aposta no divisionismo, no nacionalismo e no ecocídio. O presidente mais uma vez envergonhou o Brasil no exterior ao abdicar a tradicional liderança do país na área ambiental em nome de sua ideologia. Não fez nada para tranquilizar investidores, nem para aplacar o clamor crescente por boicote a produtos brasileiros. Põe em risco o próprio agronegócio que diz defender.

Mas não apenas isso: as políticas de Bolsonaro trazem risco imediato para toda a humanidade. A ciência nos diz que temos até 2030 para cortar emissões de carbono em 45% se quisermos ter chance de estabilizar o aquecimento da Terra em 1,5oC e evitar seus piores efeitos. O desmatamento descontrolado do cerrado e da Amazônia pode, sozinho, botar a perder a meta global.

Artigo de Paulo Brack: A mudança no licenciamento ambiental ignora a legalidade e o cenário crítico do RS

por Paulo Brack*

O governo de Eduardo Leite anunciou na manhã desta terça-feira (20/08), para lideranças políticas, a sua intenção em flexibilizar a legislação ambiental do Rio Grande do Sul, em evento no Palácio Piratini. Como de praxe, a área ambiental acabou sendo a “culpada” pelo atraso nos negócios. Por outro lado, a proposta foi uma incógnita, pelo menos até seu anúncio, pois não foram consultados os técnicos do quadro da Fepam e SEMA e também não foi consultado o próprio Conselho Estadual de Meio Ambiente, órgão superior da política ambiental do Estado. O CONSEMA sequer foi comunicado ou convidado para o ato do lançamento da nova política ambiental. O que se soube, via meios de comunicação, foi que o governo “prepara uma revisão completa do Código Estadual do Meio Ambiente, que inclui a proposta de implementação do Licenciamento por Adesão e Compromisso (LAC), o chamado autolicenciamento ambiental”.

Cabe lembrar que para a construção do atual Código Estadual de Meio Ambiente (Lei Estadual 11.520/2000) ocorreram debates intensos, aprofundados e foi apresentada uma série de proposições representativas de vários setores da sociedade, ao longo de alguns anos, logo após a criação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, em um período efervescente na área. Infelizmente, hoje a Secretaria está subjugada à Infraestrutura, inclusive no nome, incorporando uma guerra fiscal entre os Estados e uma pressa irracional que desconsidera que o debate ambiental é um processo que não deve ser atropelado.

A situação ambiental piorou. Continue lendo

Ministério Público realiza Audiência Pública sobre a Mina Guaíba


Evento será transmitido pela Internet

Acontece nesta terça-feira (20/8/2019), das 18h às 24h, no Auditório do Ministério Público Estadual (Aureliano de Figueiredo Pinto, 80), a audiência pública promovida conjuntamente entre os MPs Estadual e Federal para instruir seus respectivos expedientes investigatórios acerca do projeto Mina Guaíba. A audiência será transmitida em tempo real pelo Facebook do MPRS.

De acordo com a promotora de Justiça do Meio Ambiente de Porto Alegre Ana Maria Moreira Marchesan, a decisão de realizar o evento considerou a complexidade do projeto e a grande repercussão de seus possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos, além dos pedidos formulados em larga escala pela sociedade.

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Instituto Augusto Carneiro cria abaixo-assinado em favor da Lei da Pesca do Rio Grande do Sul que impede o arrasto junto à praia

O Instituto Augusto Carneiro, com sede em Porto Alegre,  criou abaixo-assinado para pressionar o Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite e deputados estaduais a manterem a Lei Estadual nº 15.223/2018 que instituiu uma política sustentável de desenvolvimento da pesca no Estado, atingindo também a orla marítima.

MP Federal e Estadual do RGS realizarão Audiência Pública sobre o projeto Mina Guaíba

Mina Guaíba, se implantada, será a
poucos kms de Porto Alegre

Os Ministérios Públicos Estadual do Rio Grande do Sul e o Federal realizarão, no dia 20 de agosto, audiência pública para instruir seus respectivos expedientes investigatórios acerca do projeto Mina Guaíba. O debate acontecerá das 18h às 24h, no Auditório do Ministério Público Estadual (Aureliano de Figueiredo Pinto, 80, em Porto Alegre).

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Atualização: Presidente do TRF mantém Audiência Pública para aproveitamento do Carvão no Rio Grande do Sul

O Desembargador Federal Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, presidente do TRF4, deferiu, ao final da tarde desta quinta-feira, o pedido da FEPAM para manter a Audiência Pública para avaliação do EIA/RIMA disponibilizado em dezembro/2018, marcado para esta quinta-feira, 14/3, em Charqueadas.

O recurso aos Presidentes dos Tribunais está previsto na Lei nº 8.437/1992, que dispõe que “compete ao presidente do tribunal, ao qual couber o conhecimento do respectivo recurso, suspender, em despacho fundamento, a execução da liminar nas ações movidas contra o Poder Público ou seus agentes, a requerimento do Ministério Público ou da pessoa jurídica de direito público interessada, em caso de manifesto interesse público ou de flagrante ilegitimidade, e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas”. Continue lendo

Projeto da Maiojama para Ipanema terá que aguardar novas definições da Justiça

Com a firme oposição das comunidades dos bairros de Ipanema, Espírito Santo e Guarujá, na zona sul de Porto Alegrea um projeto da empresa construtora Maiojama, cuja composição acionária se confunde bastante com a da RBS, afiliada local da Rede Globo e da Zero Hora, foi mantida, provisoriamente, a preservação da área de preservação permanente do Arroio Espírito Santo e remanescentes florestais da Mata Atlântica existente em 13 hectares na av. Guaíba, ao lado do Clube do Professor Gaúcho.  (ver área no Google Maps)
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Curicaca: inscrições abertas para curso gratuito condutores de ecoturismo para torrenses

Prazo para inscrições termina nesta quarta-feira, 3/10/18

Trilhas guiadas em Unidades de Conservação precisam de condutores de visitantes. São raras as pessoas que tem essa formação no Rio Grande do Sul. Para que seja implantado o Uso Público no Parque Estadual de Itapeva, o Instituto Curicaca oferecerá aos torrenses um curso gratuito. O processo de seleção está aberto direcionado prioritariamente para jovens da comunidade local.

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Sartori, Cairoli e Ana Pelini tentam liberar os agrotóxicos que ainda não circulam no Rio Grande do Sul

Por João Batista Santafé Aguiar, jornalista

Com a publicação no Diário Oficial do Estado de uma nova definição do que seria país de origem, o território do Estado do Rio Grande do Sul passaria a dar livre-trânsito a todos os agrotóxicos que até então deixavam de circular no Estado mais ao sul do Brasil, pois o registro era indeferido ao se observar que o produto era proibido no seu país de origem. O que fez o Estado por meio de sua área ambiental, chefiada por Ana Pelini, medida assinada pelo Governador José Ivo Sartori? Publicou Decreto nesta quarta-feira  (17/1/2018) modificando o conceito de ‘país de origem’.  Será que vai “colar”? Continue lendo

Manifestações em favor do Pampa acontecem neste domingo no Rio Grande do Sul

Neste domingo, 17/12, será comemorado o Dia do Bioma Pampa. A data coincide com a do nascimento de José Lutzenberger, em Porto Alegre, em 1926, Um total de 178 mil km2, cenário único, exclusivo do Rio Grande do Sul, está em grave risco de ser destruído. Entidades ambientalistas filiadas à APEDEMA, a federação que reúne a maior delas, estão em campanha pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição Federal – PEC 05/2009, apresentada pelo Senador Paulo Paim ao Congresso Nacional. O texto descreve o bioma dos Campos Sulinos como patrimônio nacional.   

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