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Instituto Curicaca realiza seminário sobre a construção de soluções nas Unidades de Conservação

Captura de Tela 2017-11-03 às 18.50.53Instituição é reconhecida por realizar excelente trabalho em Unidades de Conservação. Em Torres, trabalha há anos no Parque Estadual de Itapeva. Agora, volta-se para o sul do Estado, para o Parque Nacional da Lagoa do Peixe.

No dia 13 de novembro, o Instituto Curicaca vai realizar o seminário Construindo soluções em Unidades de Conservação com enfoque no Parque Nacional da Lagoa do Peixe (RS). O objetivo do evento é debater desafios e oportunidades na unidade de conservação gaúcha, assim como discutir modelos para geração de renda sustentável da comunidade local.

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13/11: AGAPAN Debate vai tratar da importância da Fundação Zoobotânica para a preservação ambiental e para a Ciência

Participe do Agapan Debate no dia 13 de novembro, segunda-feira,  e conheça um pouco mais sobre a atuação desta importante fundação e a situação do projeto governamental que quer extingui-la.
Para apresentar o tema, convidamos o biólogo e pesquisador do Museu de Ciências da FZB/RS Glayson Ariel Bencke e o advogado Christian Ozório Kloppemburg, também da Fundação Zoobotânica.
A mediação estará por conta do jornalista João Batista Santafé Aguiar, conselheiro da Agapan e editor do site agirazul.com.
Fonte: www.agapan.org.br

Magistrados gaúchos aprovam tese em Congresso: é preciso reforçar o papel do juiz na proteção do Meio Ambiente

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Patrícia Laydner (fonte)

A Juíza de Direito Patrícia Antunes Laydner propôs e seus colegas aprovaram por unanimidade a tese de que “É preciso reforçar o papel do juiz na proteção do Meio Ambiente”. A tese foi uma das sete aprovadas no final do XII Congresso Estadual de Magistrados, do Rio Grande do Sul, realizado em Bento Gonçalves, em 29 de setembro de 2017.

A magistrada afirmou que “Em um contexto de governança ambiental, o Poder Judiciário deve exercer um papel relevante para a proteção do meio ambiente, preparando-se para enfrentar os problemas ligados à complexidade da matéria e às especificidades que marcam os litígios ambientais. Se a especialização de jurisdições representa um movimento importante neste sentido, também é necessário incrementar a formação ambiental dos juízes e rever certas exigências de produtividade (metas), incompatíveis por vezes com a efetividade buscada em ações desta natureza.”  

No texto da justificativa, que segue adiante, a Dra. Patrícia observa que a fixação de meta exigente em relação a números de processos julgados, como ponto de medição da produtividade do magistrado,  fixada pelo Conselho Nacional de Justiça, não leva em conta a complexidade dos processos na área ambiental.  Ela pergunta: Ainda, como conciliar as exigências probatórias do processo ambiental com a celeridade exigida institucionalmente e que se traduz, dentre outros, pelas metas impostas pelo CNJ?

Abaixo o texto integral da Justificativa como proposta a aprovada por unanimidade pela assembleia de Juízes:

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Os Encontros do Rio em 2012, por Arno Kayser, do Movimento Roessler, entidade filiada à APEDEMA/RS

Em junho de 2012 ocorreram dois encontros mundiais na cidade do Rio de Janeiro. A Cúpula dos Povos e a Conferência Rio mais 20.
A Rio mais vinte foi o evento oficial da ONU para avaliar os resultados de 20 anos de políticas em prol do desenvolvimento sustentável propostas na Conferência do Rio de 1992.
A Cúpula dos povos foi um evento de organizações da sociedade civil preocupadas com a questão ambiental, o combate à miséria, a degradação cultural e a luta por justiça no mundo.
O formato repetiu o que ocorreu em 92 quando a ONU organizou a Conferência do Meio Ambiente (a ECO 92) e a sociedade civil realizou o Fórum Global.
Em 92 houve a entronização oficial da questão ambiental na agenda oficial do Planeta.
Pressionada por um movimento social intenso foram acertados vários acordos sobre temas cruciais como biodiversidade, mudanças climáticas, combate a miséria e a luta contra a poluição e a formação de uma mentalidade ecológica na população.
Passados vinte anos todo àquele esforço não se manifestou em ações tão fortes como as desejadas em 92.
É verdade que houve um avanço grande na consciência ambiental da população como um todo. Mas muitos agentes econômicos fortes agiram para postergar a efetivação de medidas que contrariavam seus interesses imediatos.
A ONU não conseguiu impor se porque muitos dos governos mais poderosos do planeta não aderiram aos acordos propostos em 92 por conta de interesses internos.
Talvez isto explique a frustração de muita gente com os resultados da Rio mais vinte.
A meta de implantar medidas para alcançar o desenvolvimento sustentável foi adiada para 2014 e como financiá-las ficou para 2015.
O Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente segue como Programa e não se converteu em Agência de Meio Ambiente como muitos queria para ele ter mais força.
A crise econômica da 1ª década do milênio fez com que mais uma vez a prioridade para as questões ambientais e sociais fossem adiadas.
As grandes corporações econômicas procuraram se apresentar como agentes de construção de sustentabilidade. Mas a maioria apenas faz disto uma fachada verde para ocultar seu verdadeiro objetivo de aferir grandes lucros com a continuidade do modelo concentrador de renda e consumidor da natureza que praticam.
A sociedade civil vai ter que continuar lutando para mudar estas coisas. Na Cúpula dos Povos se pode ver que esta percepção cresce cada vez mais na formatação de uma agenda comum em prol do futuro do planeta.
Ela foi um evento aberto à livre participação feito em praça pública com poucos recursos que foi às ruas mostrar força.
Diferente da Rio mais 20 que se desenrolou à portas fechadas num lugar distante e protegida por forte esquema de segurança como poucas vezes se viu no Brasil.
Estas duas reuniões representam bem o atual estado das coisas. Por um lado uma elite política aliada com a elite econômica transnacional tenta continuar a controlar os destinos do mundo ao seu favor apenas com um verniz verde para disfarçar. Por outro lado forças populares embasadas num processo econômico solidário buscando construir um mundo que atenda as necessidades humanas de forma justa e equilibrada respeitando e resgatando o equilíbrio do planeta.
Um embate que ainda vai continuar por um bom tempo.
Enquanto isto o presidente esquerdista do Paraguai foi derrubado num processo relâmpago muito estranho e o governo brasileiro baixou para zero um imposto sobre combustíveis para manter a gasolina relativamente barata e atrasar ainda mais o domínio do Álcool nos automóveis.
Sinais de que a velha ordem política e econômica segue agindo com seus velhos métodos para seguir mandando no planeta ainda que com o sacrifício de todas as demais formas de vida.
Arno Kayser
Agrônomo, Ecologista e Escritor

Índice – AgirAzul Impresso nº 13

AgirAzul 13

Conteúdo editorial:

  1. Plano Diretor da Capital precisa maior discussão (capa)
  2. Dayrell é homenageado em Porto Alegre (capa, 12, 13, 14 e 15)
  3. Expediente (2)
  4. Ibama proporciona triste espetáculo no RS (2)
  5. Invadido Parque Nacional do Iguaçu (2)
  6. Aumenta oferta de alimentos sem agrotóxicos (2)
  7. A Crise da Esperança, por Rodrigo Cambará Printes (3)
  8. As SMAMs nas administrações públicas municipais, por Cláudio Turtelli (4)
  9. Reflexão: Início, meio e fim., por Lama Padma Samten (Alfredo Aveline) (5)
  10. Amazônia preocupa líderes brasileiros de instituições ligadas a políticas de meio ambiente (6)
  11. Henrique Roesser e sua luta dentro de uma perspectiva histórica, por Arno Kayser (7)
  12. A Natureza na mídia: a imagem que vende, por Guilherme Castro (8)
  13. O Minuto Ecológico, demagogia ou desleixo? por Júlio César Pereira Tomazzoli (8)
  14. A Prefeitura de Porto Alegre também devasta, por Augusto Carneiro (9)
  15. Mono-carvoeiro precisa de proteção (9)
  16. Cancro cítrico não é problema, pela Equipe Técnica da Fundação Gaia (10)
  17. O Plano Diretor e os habitantes esquecidos de Porto Alegre, por Gerson Buss (11)
  18. Carlos Alberto Dalyrell é cidadão de Porto Alegre (12, 13 e 14)
  19. Um testemunho do primeiro protesto ecológico, por Sérgio Becker (15)
  20. O Projeto Museu da Araucária pode mudar a serra gaúcha, por Cilon Estivalet (16)
  21. Saúde Global, prosa e versos de Ursula Aner (17)
  22. Santa Catarina – Litoral na encruzilhada da destruição total (18)
  23. Áreas litorâneas – Sobrevôos identificam degradação ambiental (19)
  24. Gasoduto Brasil-Bolívia (19)
  25. Zeno Simon: “grande ecologista, amigo, companheiro, paizão – valeu !” (20)
  26. Um radical livre chamado Zeno, por Carlos Gustavo Tornquist (21 e 22)
  27. O Futuro Roubado (22)
  28. Noticiário – Agapan, 27 anos – Movimento Roessler – CLEPEI quer estagiários – 300 participantes no EEEE de São Borja – Fundação Gaia em ação
  29. Mortandade de pingüins no sul do Brasil (24)
  30. ADFG-Amigos da Terra muda razão social para Núcleo Amigos da Terra (24)
  31. A Carta da Lagoa dos Patos (24)

O Plano Diretor e os habitantes esquecidos de Porto Alegre

Artigo do Biólogo  Gerson Buss

Uma das características que fazem com que alguém seja nativo de um determinado lugar é o fato dele conhecer o lugar onde vive. E que conhecimento é esse? É saber o clima, conhecer as plantas, os bichos, os lugares, saber os caminhos que levam aos lugares importantes pra ele, conhecer as pessoas e saber se comunicar com elas.

Nossa vivência urbana, televisiva e global nos afasta da vivência local, do conhecimento do mundo natural e por conseguinte, das pessoas. Como não observamos os relacionamentos do mundo natural, nossos relacionamentos da vida pessoal se tornam superficiais. Como não observamos as causas e as consequências, achamos que “podemos tudo”. Vivemos num meio artificial, nossa cidade, com um grande número de indivíduos de uma única espécie, a nossa, e essa situação nos cria a ilusão de que é isso que precisamos e que o resto não nos atinge, podendo ser descartado. Senhores do caótico meio urbano queremos agora, com essa mentalidade, planejar o desenvolvimento do município. E nesse contexto, imaginamos o município como uma grande cidade, as áreas naturais como áreas a serem ocupadas, as praias como áreas que necessitam calçadões e iluminação, e por aí vai.

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental foi elaborado para atender as necessidades de uma espécie, sem levar em consideração que para uma existência saudável dependemos de todas as demais espécies. Das três espécies de primatas que habitam nosso município, só nos lembramos de uma, a nossa. O que falar então, do Graxaim-do-campo, da Figueira-de-folha-miúda, da Capivara, do Gavião-caramujeiro, da Lontra, do Ingá, etc. Todas essas espécies tem populações, que habitam um determinado lugar e que se relacionam de alguma forma conosco. E com isso, chegamos a conclusão que todos os demais habitantes do Município de Porto Alegre estão sendo esquecidos.

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental no máximo de sua evolução reconhece apenas a diversidade do uso humano das áreas, esquecendo, ou não considerando, a diversidade biológica do município. Eu me pergunto, será que os técnicos da FLACAN, da Secretaria de Planejamento Municipal e os demais membros da equipe que elaboraram o Plano conhecem o Município de Porto Alegre? Eu acho que não, imagino que eles conheçam somente a cidade de Porto Alegre, pois só isso explica o fato das questões relativas ao Meio Ambiente Municipal estarem tratadas tão superficialmente, ao contrário da questão da habitação, por exemplo. Além disso o PDDUA tem propostas extremamente preocupantes, como a  criação de uma zona de ocupação intensiva ao lado da Reserva Biológica do Lami; de criarem um corredor agro-industrial entre o Morro São Pedro e o Morro da Extrema; entre outras.

Será que eles sabem que ainda existem bugios no Morro São Pedro, Morro da Extrema , Lami e Boa Vista e que para a sobrevivência dessas populações é extremamente necessário que sejam preservadas as conexões de mata entre essas áreas ? Senão, a presença do bugio vai se tornar apenas uma lembrança vaga na cabeça de alguns pesquisadores e dos moradores mais antigos. E um dia vai ser esquecido. Quem mora hoje no Bairro Cristal não imagina que na década de 60 ainda existiam bugios nas matas do Bairro, e quem mora hoje na Ponta Grossa também perdeu a oportunidade de ouvir um dos sons mais impressionantes do mundo natural, que é o ronco de um bando de bugios.  Assim como foi esquecida a onça pintada que, na época da fundação da cidade, foi morta onde hoje é  a Cidade Baixa. Será que vai ser esse o destino da fauna silvestre em nosso município?

Além de toda a importância desses animais para o ecossistema, existe um aspecto importantíssimo que estamos desconsiderando, estamos perdendo os personagens que embelezam o fenômeno da existência. Estamos transformando o Teatro da Vida em um Monólogo da Espécie Humana. Quem de nós já viu uma lontra brincando no Arroio Lami, filhotes de tatu voltando para a toca,  não se assustou com o grito de alerta de uma capivara. Isso ainda é possível em nosso município. Resta-nos fazer o possível para que tais experiências não passem a existir somente na memória de alguns, e que as futuras gerações de cidadãos Porto-alegrenses

(Pág. 11)

Aumenta oferta de Alimentos sem agrotóxicos

O movimento por uma agricultura sem o uso de agrotóxicos está se multiplicando no Estado mais meridional do Brasil, o Rio Grande do Sul. Já são sete feiras semanais, realizadas em Porto Alegre, Pelotas, Passo Fundo, Viamão e Caxias do Sul.

Na capital gaúcha, além das duas feiras principais, organizadas e promovidas pela Coolméia – Cooperativa Ecológica, temos os pontos de oferta realizados pela Prefeitura Municipal.

Informa Glaci Campos Alves, da Coolméia, que também está havendo preocupação em se promover as sementes ´crioulas´ em oposição à Monsanto e outras grandes transnacionais da química que até com apoio da Embrapa já começaram a comercializar produtos oriundos do manejo de gens em experiências de laboratório.

“Isso tudo também representa a busca, por parte de movimentos de consumidores, de alimentos livres de resquícios tóxicos”, diz Glaci.

Peça informações sobre vendas de produtos ecológicos mais perto de você.

  • Contatos: Fone/Fax (051) 333-4211 ou na Av. José Bonifácio, 675 – sobreloja -, Porto Alegre, RS Brasil.

(Pág. 2)

Expediente – AgirAzul 13

Publicação dirigida à ação dos ambientalistas brasileiros e
simpatizantes em geral

Ano VI —  Número 13 – com 24 páginas

Correspondências para a Caixa Postal 1222 – 90001-970 Porto Alegre, Rio Grande do Sul Brasil

Fechamento desta edição: 25 de julho de 1998

Editor: Jornalista João Batista Santafé Aguiar
reg. prof. 4826 DRT/RS

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As SMAMs nas administrações públicas municipais

Artigo de Cláudio Turtelli

É comum observamos verdadeiros absurdos quando nos deparamos com informações e medidas oriundas das Secretarias Municipais do Meio Ambiente – SMAMs, aqui no Brasil. O que vem acontecendo, e de maneira generalizada, é o grande equívoco que existe em relação às verdadeiras atribuições que devem ser desenvolvidas por este importante mecanismo gerenciador da administração pública.

Lamentavelmente, na maioria das vezes por arranjos políticos, as Secretarias do Meio Ambiente nas prefeituras brasileiras são conduzidas por pessoas totalmente despreparadas para as funções técnicas e administrativas que o cargo requer, ou, quando muito, são pessoas ligadas a movimentos de defesa aos animais, vegetação e outros, isoladamente, deixando a entender para população menos avisada que a proteção ao ecossistema se resume somente a esses aspectos.

Analisando o conteúdo das inúmeras conferências nacionais e internacionais sobre as atividades dos cientistas ambientais que hoje estão à frente de organismos estatais de meio ambiente, verificamos no perfil internacional, ao contrário do que assistimos por aqui, que a verdadeira função das SMAMs é atuar de maneira integrada com a administração pública (prefeitura), servindo como uma espécie de consultoria e assessoria, além de fazer o patrulhamento ambiental constante às demais secretárias, autarquias e outros órgãos da administração pública municipal.

Para que isso aconteça, o órgão ambiental deve possuir em seus quadros, profissionais qualificados para criar e manter um Sistemas de Gerenciamento Ambiental que contemple todas as esferas da administração pública. Saliento que o orçamento anual do  referido órgão, deve cobrir apenas as despesas com manutenção mínima estrutural, ficando os custos de projetos e implantações das medidas ambientais, para as secretarias, autarquias e outros envolvidos, dentro e fora da administração.

Esta medida de caráter econômico, desvinculando o custo operacional embutido na ação ambiental, daquele que gera a medida, garante ao aparelho, a possibilidade de maior autonomia na fiscalização e cobrança das normas ambientais preestabelecidas.

Para que uma administração municipal realmente tenha um órgão ambiental eficiente e verdadeiramente funcional, algumas medidas preliminares devem ser adotadas.

Entre estas medidas estão: a elaboração de um Projeto de Gerenciamento Ambiental Integrado, alcançando todos os setores da administração pública, possibilitando a implantação de planos e programas de atividades de prevenção e controle de poluição ambiental, tanto nas áreas internas (serviços públicos), como nas áreas externas (atividades privadas); elaboração de manuais, normas, especificações e instruções técnicas relativas ao controle ambiental, principalmente nas áreas de competência exclusiva dos municípios; organização e manutenção de bancos de dados sobre ocorrência de incidentes e/ou acidentes ambientais ocorridos dentro e fora da administração pública; preparação e implantação de programas de redução de geração de resíduos, tanto para os órgãos administrativos internos como para os diversos setores da sociedade produtiva (indústria, comércio, serviços e etc.); preparação e implantação de um plano de ação para as situações de emergência, envolvendo variáveis ambientais; ministrar treinamentos sobre temas ligados ao saneamento ambiental em todas os setores públicos e privados possíveis; redigir matérias que tratem da divulgação das atividades de prevenção e controle ambiental exercido pela administração pública, assim como representá-la em assuntos que envolvem as questões ambientais, e o mais importante, quando houver a elaboração de um ajuste  ao Plano Diretor Municipal, traçar as linhas mestras, pois qualidade de vida é a bandeira do órgão ambiental e o fator lógico de uma sociedade predominantemente racional.

É claro que para adoção de tais medidas, as administrações municipais devem ter um plano de gerenciamento administrativo bem definido quanto às atribuições de seus órgãos de atuação. Lamentavelmente, como a maioria das administrações publicas municipais brasileiras são dirigidas por pessoas com elevado grau de incompetência e desonestidade, fica realmente debilitada qualquer estratégia em defesa do ecossistema.

Mas, não podemos perder as esperanças, pelo contrário, temos que esperar o surgimento de homens públicos com um mínimo de consciência coletiva, que ao contrário dos que ai estão, se empenhem, com sinceridade, na busca da melhor qualidade de vida para todos.


O autor é especialista em Direito e Gerenciamento Ambiental e dirigente do Partido Verde em São Paulo. Corr.Eletrônico: pvsp@partidoverde.org.br.

(Pág. 4)

Cancro Cítrico não é problema

pela Equipe Técnica da Fundação Gaia

Foi cometido, há vários anos atrás, um incrível vandalismo oficial que afetou centenas de citricultores brasileiros. A Campanha Nacional para Erradicação do Cancro Cítrico (Canecc) conseguiu quase exterminar a citricultura do Paraná e só não levou adiante este objetivo no Rio Grande do Sul por causa da forte e determinada posição de alguns poucos ecologistas como o agrônomo José Lutzenberger. Quando encontravam sintomas desta doença numa única folha, de uma única planta de um viveiro ou pomar, cortavam e queimavam impiedosamente todas as cítricas de todo um município. Esta determinação foi diminuindo para 1000, 500, 100 metros de raio a partir daquela planta, graças a reação desses indignados cidadãos. Não adiantavam protestos. Era um ato de guerra. Felizmente, aquela campanha acabou morrendo, depois de duras discussões e, inclusive, processo judicial.

A filosofia que fundamentava a ação da campanha parte de um postulado errado: o agente patogênico, a bactéria Xanthomonas citri, é considerado inimigo arbitrário, feroz, capaz de, quando presente junto a qualquer planta cítrica, acabar com todo um pomar, com todo um viveiro e até com toda a citricultura brasileira. Se isso fosse uma verdade científica teríamos que erradicar, por exemplo  todas as parreiras atacadas por bacterioses, ou quem sabe todas as plantas cultivadas contaminadas por bactérias ou exagerando, todos os seres vivos que tivessem uma bactéria no seu organismo.

Na realidade, parasitas e agentes patogênicos não são inimigos arbitrários todo-poderosos na destruição. Se assim fosse, a Humanidade teria sucumbido às epidemias de pestes e outras. Todas as grandes epidemias só afetam parte de uma população. Os sobreviventes saem vacinados. Pragas e parasitas são indicadores biológicos que nos dizem estar nossas plantas ou animais doentes ou desequilibradas. Elas não têm vez em organismos sadios, metabolicamente equilibrados.

A solução, portanto, não está na erradicação. A bactéria do cancro cítrico jamais será erradicada. Ela é cosmopolita, ou seja, vive em diversas partes do planeta e em diversas plantas da família das Rutáceas, a família dos citros. Se a Secretaria da Agricultura, de Ciência e Tecnologia e a Emater pretendem fazer um trabalho realmente científico, sério, racional e humano (e todos queremos ajudá-los nisso!), terão que inverter a atual filosofia de trabalho. Vamos ensinar aos citricultores gaúchos métodos de cultivo que produzam plantas sadias que não precisam temer o cancro.

Se a nossa citricultura está hoje vulnerável a tanta doença e praga é porque os atuais métodos de cultivo estão errados. Podemos ler folhetos dos órgãos governamentais sobre condução de pomares que ensinam exatamente o contrário  do que deveriam ensinar para fazer plantas sadias, resistentes a parasitas e enfermidades. Em toda a parte vemos pomares doentes, com folhas amareladas, cloróticas. Isto porque a maioria dos agricultores seguindo orientação dos técnicos governamentais insiste em lavrar profundo, em fazer lavoura de milho e mandioca entre as linhas de árvores, já com espaçamento insuficiente, e principalmente usar adubos nitrogenados amoniacais em altas quantidades, como uréia e sulfato de amônio além de usar e abusar de agrotóxicos como os herbicidas, fungicidas e inseticidas que desequilibram a fisiologia das plantas.

Vamos aproveitar construtivamente  o dinheiro da pesquisa oficial e do Programa Estadual de Citricultura. Vamos ensinar ao citricultor a melhorar os pomares e a fazer viveiros bem feitos, dentro dos conceitos de uma agricultura ecológica: espaçamento adequado, enxertos que levem em conta resistência e afinidade, nunca lavrar profundo, manter cobertura com leguminosas e plantas nativas que nunca será capinada, apenas roçada, adubação orgânica bem madura, de estercos bem compostados ou de biofertilizante maduro, adubação mineral de solubilidade lenta, aplicações não de venenos, mas de substâncias que fortaleçam as plantas e quebra-ventos.

Trabalhos preventivos, para se contrapor ao alastramento do cancro enquanto a maioria das plantas for suscetível, deverão se limitar a localizar e tratar as plantas afetadas e a manter o viveiro ou pomar em quarentena até o desaparecimento total de infecções. Após, poderão ser liberados.

A verdadeira ameaça à citricultura gaúcha não está no cancro cítrico, o grande perigo está nos métodos de trabalho com o solo e com as plantas recomendados pela agronomia oficial. Ao invés da erradicação de viveiros e de maus tratos aos pomares, sugerimos a aplicação de técnicas ecológicas e regenerativas na instalação e manejo dos pomares.

Fundação Gaia,  Julho de 1998

(Pág. 10)

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