Arquivos da Categoria: Edição nº 13 – 25 de julho de 1998

Índice – AgirAzul Impresso nº 13

AgirAzul 13

Conteúdo editorial:

  1. Plano Diretor da Capital precisa maior discussão (capa)
  2. Dayrell é homenageado em Porto Alegre (capa, 12, 13, 14 e 15)
  3. Expediente (2)
  4. Ibama proporciona triste espetáculo no RS (2)
  5. Invadido Parque Nacional do Iguaçu (2)
  6. Aumenta oferta de alimentos sem agrotóxicos (2)
  7. A Crise da Esperança, por Rodrigo Cambará Printes (3)
  8. As SMAMs nas administrações públicas municipais, por Cláudio Turtelli (4)
  9. Reflexão: Início, meio e fim., por Lama Padma Samten (Alfredo Aveline) (5)
  10. Amazônia preocupa líderes brasileiros de instituições ligadas a políticas de meio ambiente (6)
  11. Henrique Roesser e sua luta dentro de uma perspectiva histórica, por Arno Kayser (7)
  12. A Natureza na mídia: a imagem que vende, por Guilherme Castro (8)
  13. O Minuto Ecológico, demagogia ou desleixo? por Júlio César Pereira Tomazzoli (8)
  14. A Prefeitura de Porto Alegre também devasta, por Augusto Carneiro (9)
  15. Mono-carvoeiro precisa de proteção (9)
  16. Cancro cítrico não é problema, pela Equipe Técnica da Fundação Gaia (10)
  17. O Plano Diretor e os habitantes esquecidos de Porto Alegre, por Gerson Buss (11)
  18. Carlos Alberto Dalyrell é cidadão de Porto Alegre (12, 13 e 14)
  19. Um testemunho do primeiro protesto ecológico, por Sérgio Becker (15)
  20. O Projeto Museu da Araucária pode mudar a serra gaúcha, por Cilon Estivalet (16)
  21. Saúde Global, prosa e versos de Ursula Aner (17)
  22. Santa Catarina – Litoral na encruzilhada da destruição total (18)
  23. Áreas litorâneas – Sobrevôos identificam degradação ambiental (19)
  24. Gasoduto Brasil-Bolívia (19)
  25. Zeno Simon: “grande ecologista, amigo, companheiro, paizão – valeu !” (20)
  26. Um radical livre chamado Zeno, por Carlos Gustavo Tornquist (21 e 22)
  27. O Futuro Roubado (22)
  28. Noticiário – Agapan, 27 anos – Movimento Roessler – CLEPEI quer estagiários – 300 participantes no EEEE de São Borja – Fundação Gaia em ação
  29. Mortandade de pingüins no sul do Brasil (24)
  30. ADFG-Amigos da Terra muda razão social para Núcleo Amigos da Terra (24)
  31. A Carta da Lagoa dos Patos (24)

O Plano Diretor e os habitantes esquecidos de Porto Alegre

Artigo do Biólogo  Gerson Buss

Uma das características que fazem com que alguém seja nativo de um determinado lugar é o fato dele conhecer o lugar onde vive. E que conhecimento é esse? É saber o clima, conhecer as plantas, os bichos, os lugares, saber os caminhos que levam aos lugares importantes pra ele, conhecer as pessoas e saber se comunicar com elas.

Nossa vivência urbana, televisiva e global nos afasta da vivência local, do conhecimento do mundo natural e por conseguinte, das pessoas. Como não observamos os relacionamentos do mundo natural, nossos relacionamentos da vida pessoal se tornam superficiais. Como não observamos as causas e as consequências, achamos que “podemos tudo”. Vivemos num meio artificial, nossa cidade, com um grande número de indivíduos de uma única espécie, a nossa, e essa situação nos cria a ilusão de que é isso que precisamos e que o resto não nos atinge, podendo ser descartado. Senhores do caótico meio urbano queremos agora, com essa mentalidade, planejar o desenvolvimento do município. E nesse contexto, imaginamos o município como uma grande cidade, as áreas naturais como áreas a serem ocupadas, as praias como áreas que necessitam calçadões e iluminação, e por aí vai.

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental foi elaborado para atender as necessidades de uma espécie, sem levar em consideração que para uma existência saudável dependemos de todas as demais espécies. Das três espécies de primatas que habitam nosso município, só nos lembramos de uma, a nossa. O que falar então, do Graxaim-do-campo, da Figueira-de-folha-miúda, da Capivara, do Gavião-caramujeiro, da Lontra, do Ingá, etc. Todas essas espécies tem populações, que habitam um determinado lugar e que se relacionam de alguma forma conosco. E com isso, chegamos a conclusão que todos os demais habitantes do Município de Porto Alegre estão sendo esquecidos.

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental no máximo de sua evolução reconhece apenas a diversidade do uso humano das áreas, esquecendo, ou não considerando, a diversidade biológica do município. Eu me pergunto, será que os técnicos da FLACAN, da Secretaria de Planejamento Municipal e os demais membros da equipe que elaboraram o Plano conhecem o Município de Porto Alegre? Eu acho que não, imagino que eles conheçam somente a cidade de Porto Alegre, pois só isso explica o fato das questões relativas ao Meio Ambiente Municipal estarem tratadas tão superficialmente, ao contrário da questão da habitação, por exemplo. Além disso o PDDUA tem propostas extremamente preocupantes, como a  criação de uma zona de ocupação intensiva ao lado da Reserva Biológica do Lami; de criarem um corredor agro-industrial entre o Morro São Pedro e o Morro da Extrema; entre outras.

Será que eles sabem que ainda existem bugios no Morro São Pedro, Morro da Extrema , Lami e Boa Vista e que para a sobrevivência dessas populações é extremamente necessário que sejam preservadas as conexões de mata entre essas áreas ? Senão, a presença do bugio vai se tornar apenas uma lembrança vaga na cabeça de alguns pesquisadores e dos moradores mais antigos. E um dia vai ser esquecido. Quem mora hoje no Bairro Cristal não imagina que na década de 60 ainda existiam bugios nas matas do Bairro, e quem mora hoje na Ponta Grossa também perdeu a oportunidade de ouvir um dos sons mais impressionantes do mundo natural, que é o ronco de um bando de bugios.  Assim como foi esquecida a onça pintada que, na época da fundação da cidade, foi morta onde hoje é  a Cidade Baixa. Será que vai ser esse o destino da fauna silvestre em nosso município?

Além de toda a importância desses animais para o ecossistema, existe um aspecto importantíssimo que estamos desconsiderando, estamos perdendo os personagens que embelezam o fenômeno da existência. Estamos transformando o Teatro da Vida em um Monólogo da Espécie Humana. Quem de nós já viu uma lontra brincando no Arroio Lami, filhotes de tatu voltando para a toca,  não se assustou com o grito de alerta de uma capivara. Isso ainda é possível em nosso município. Resta-nos fazer o possível para que tais experiências não passem a existir somente na memória de alguns, e que as futuras gerações de cidadãos Porto-alegrenses

(Pág. 11)

Aumenta oferta de Alimentos sem agrotóxicos

O movimento por uma agricultura sem o uso de agrotóxicos está se multiplicando no Estado mais meridional do Brasil, o Rio Grande do Sul. Já são sete feiras semanais, realizadas em Porto Alegre, Pelotas, Passo Fundo, Viamão e Caxias do Sul.

Na capital gaúcha, além das duas feiras principais, organizadas e promovidas pela Coolméia – Cooperativa Ecológica, temos os pontos de oferta realizados pela Prefeitura Municipal.

Informa Glaci Campos Alves, da Coolméia, que também está havendo preocupação em se promover as sementes ´crioulas´ em oposição à Monsanto e outras grandes transnacionais da química que até com apoio da Embrapa já começaram a comercializar produtos oriundos do manejo de gens em experiências de laboratório.

“Isso tudo também representa a busca, por parte de movimentos de consumidores, de alimentos livres de resquícios tóxicos”, diz Glaci.

Peça informações sobre vendas de produtos ecológicos mais perto de você.

  • Contatos: Fone/Fax (051) 333-4211 ou na Av. José Bonifácio, 675 – sobreloja -, Porto Alegre, RS Brasil.

(Pág. 2)

Expediente – AgirAzul 13

Publicação dirigida à ação dos ambientalistas brasileiros e
simpatizantes em geral

Ano VI —  Número 13 – com 24 páginas

Correspondências para a Caixa Postal 1222 – 90001-970 Porto Alegre, Rio Grande do Sul Brasil

Fechamento desta edição: 25 de julho de 1998

Editor: Jornalista João Batista Santafé Aguiar
reg. prof. 4826 DRT/RS

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João Batista Santafé Aguiar, conselheiro-vice-presidente, e
Luiz Afonso  Barnewitz,, conselheiro-tesoureiro.

Cancro Cítrico não é problema

pela Equipe Técnica da Fundação Gaia

Foi cometido, há vários anos atrás, um incrível vandalismo oficial que afetou centenas de citricultores brasileiros. A Campanha Nacional para Erradicação do Cancro Cítrico (Canecc) conseguiu quase exterminar a citricultura do Paraná e só não levou adiante este objetivo no Rio Grande do Sul por causa da forte e determinada posição de alguns poucos ecologistas como o agrônomo José Lutzenberger. Quando encontravam sintomas desta doença numa única folha, de uma única planta de um viveiro ou pomar, cortavam e queimavam impiedosamente todas as cítricas de todo um município. Esta determinação foi diminuindo para 1000, 500, 100 metros de raio a partir daquela planta, graças a reação desses indignados cidadãos. Não adiantavam protestos. Era um ato de guerra. Felizmente, aquela campanha acabou morrendo, depois de duras discussões e, inclusive, processo judicial.

A filosofia que fundamentava a ação da campanha parte de um postulado errado: o agente patogênico, a bactéria Xanthomonas citri, é considerado inimigo arbitrário, feroz, capaz de, quando presente junto a qualquer planta cítrica, acabar com todo um pomar, com todo um viveiro e até com toda a citricultura brasileira. Se isso fosse uma verdade científica teríamos que erradicar, por exemplo  todas as parreiras atacadas por bacterioses, ou quem sabe todas as plantas cultivadas contaminadas por bactérias ou exagerando, todos os seres vivos que tivessem uma bactéria no seu organismo.

Na realidade, parasitas e agentes patogênicos não são inimigos arbitrários todo-poderosos na destruição. Se assim fosse, a Humanidade teria sucumbido às epidemias de pestes e outras. Todas as grandes epidemias só afetam parte de uma população. Os sobreviventes saem vacinados. Pragas e parasitas são indicadores biológicos que nos dizem estar nossas plantas ou animais doentes ou desequilibradas. Elas não têm vez em organismos sadios, metabolicamente equilibrados.

A solução, portanto, não está na erradicação. A bactéria do cancro cítrico jamais será erradicada. Ela é cosmopolita, ou seja, vive em diversas partes do planeta e em diversas plantas da família das Rutáceas, a família dos citros. Se a Secretaria da Agricultura, de Ciência e Tecnologia e a Emater pretendem fazer um trabalho realmente científico, sério, racional e humano (e todos queremos ajudá-los nisso!), terão que inverter a atual filosofia de trabalho. Vamos ensinar aos citricultores gaúchos métodos de cultivo que produzam plantas sadias que não precisam temer o cancro.

Se a nossa citricultura está hoje vulnerável a tanta doença e praga é porque os atuais métodos de cultivo estão errados. Podemos ler folhetos dos órgãos governamentais sobre condução de pomares que ensinam exatamente o contrário  do que deveriam ensinar para fazer plantas sadias, resistentes a parasitas e enfermidades. Em toda a parte vemos pomares doentes, com folhas amareladas, cloróticas. Isto porque a maioria dos agricultores seguindo orientação dos técnicos governamentais insiste em lavrar profundo, em fazer lavoura de milho e mandioca entre as linhas de árvores, já com espaçamento insuficiente, e principalmente usar adubos nitrogenados amoniacais em altas quantidades, como uréia e sulfato de amônio além de usar e abusar de agrotóxicos como os herbicidas, fungicidas e inseticidas que desequilibram a fisiologia das plantas.

Vamos aproveitar construtivamente  o dinheiro da pesquisa oficial e do Programa Estadual de Citricultura. Vamos ensinar ao citricultor a melhorar os pomares e a fazer viveiros bem feitos, dentro dos conceitos de uma agricultura ecológica: espaçamento adequado, enxertos que levem em conta resistência e afinidade, nunca lavrar profundo, manter cobertura com leguminosas e plantas nativas que nunca será capinada, apenas roçada, adubação orgânica bem madura, de estercos bem compostados ou de biofertilizante maduro, adubação mineral de solubilidade lenta, aplicações não de venenos, mas de substâncias que fortaleçam as plantas e quebra-ventos.

Trabalhos preventivos, para se contrapor ao alastramento do cancro enquanto a maioria das plantas for suscetível, deverão se limitar a localizar e tratar as plantas afetadas e a manter o viveiro ou pomar em quarentena até o desaparecimento total de infecções. Após, poderão ser liberados.

A verdadeira ameaça à citricultura gaúcha não está no cancro cítrico, o grande perigo está nos métodos de trabalho com o solo e com as plantas recomendados pela agronomia oficial. Ao invés da erradicação de viveiros e de maus tratos aos pomares, sugerimos a aplicação de técnicas ecológicas e regenerativas na instalação e manejo dos pomares.

Fundação Gaia,  Julho de 1998

(Pág. 10)

A Prefeitura de Porto Alegre também devasta

Artigo de Augusto César Cunha Carneiro*

Não obstante a pesada propaganda da Secretaria Municipal do Meio Ambiente – SMAM, através de cartazes, principalmente e inclusive da  Agenda 21, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana de Porto Alegre devastou completamente os acostamentos da antiga Estrada Edgard Pires de Castro, em Belém Novo. Foi um desbaste com maior violência do que qualquer obra semelhante às que faz o DNER nas estradas federais. A devastação municipal foi feita com machado e facão em toda a extensão da nossa estrada. As vítimas foram os arbustos e até árvores de porte.

Também em 1997, em junho, o mesmo DMLU, violando a Lei Florestal que protege as margens de rios, foi até a Praia do Leblon, no centro do Bairro Belém Novo, e ali se atirou com fúria contra a vegetação local.

Naquele recanto porto-alegrense há uma praça e defronte, uma pequena enseada com cerca de 100 metros de comprimento. Os inimigos da vegetação chegaram a entrar na água com roçadeira e degolaram os juncos até uma largura de mais ou menos 50m. Cortaram os arbustos e maricás, além de podarem árvores de porte. Havia também uns seis sarandis, sendo que quatro foram cortados a facão e os dois que sobraram o foram porque o pessoal da AGAPAN, intervindo, conseguiu impedir otérmino da estúpida obra.

AGAPAN e um voluntário defensor das árvores conseguiram parar a perniciosa obra. Efetuaram denúncia ao Ministério Público estadual que providenciou perícia, intimou a Prefeitura e está estudando a contradita da acusada, para a tomada de providências legais. Na Praia do Lami a Prefeitura repetiu o feitolimpando a vegetação “feia”.

A Prefeitura assim age porque parece que a SMAM é esquecida e não tem nenhuma influência sobre as demais repartições municipais, sendo sempre desconsiderada por quem realiza obras. Há prova desta omissão, pois os funcionários da Secretaria Municipal da Cultura chegaram a arrancar diversas árvores na praça-estacionamento do Teatro Renascença sem que se notasse a existência da SMAM nem para multar.

O autor é presidente da PANGEA. Contato: (0xx51) 3224-7014.

(Pág. 9)

Ibama proporciona triste espetáculo no RS

Em 16 de junho, o Juiz do Tribunal Regional Federal da 4ª Região Amir José Finocchiaro Sarti colocou os pingos nos “is”, data venia, ao despachar recurso contra decisão de colega seu que havia revogado decisão da Juíza Federal de Caxias do Sul, Isabel Pezzi Klein, que impedia a reabertura do Parque Nacional dos Aparados da Serra, no Rio Grande do Sul.

À reinauguração, dia 30 de maio, assegurada pela liminar cassada pelo Juiz Sarti, das obras que teriam gasto R$ 4 milhões (2,5 do Governo do Estado e 1,5 do Ibama) acorreu a turma do sr. Eduardo Martins, presidente do IBAMA, juntamente com a claque do Sr. Governador do Estado do RS, Antonio Britto, incluindo aí o sr. Presidente da Fepam, em clima de ‘campanha eleitoral’, conforme registrou jornal local, com a presença de todos os prefeitos da região, vereadores, deputados, mais apresentação da Orquestra Sinfônica e público. Foi um dos últimos atos do Governador Britto antes de licenciar-se do cargo para concorrer à reeleição.

O fato é que conforme o Decreto 84.917/79, “o uso e a destinação das áreas que constituem os Parques Nacionais devem respeitar a integridade dos ecossistemas abrangidos”, o que não estaria sendo proporcionado na área, apesar dos esforços de propaganda aparentemente darem idéia contrária. Deixou-se de cumprir diversos itens exigidos pelos Planos de Manejo, privilegiando-se a atividade do ‘ecoturismo’ em detrimento da conservação da área.

A ADFG-Amigos da Terra fez-se presente à ‘reinauguração’ afirmando que a reabertura era precipitada, eleitoreira e sem que fosse implantada a infra-estrutura necessária e, exigiu pagamento das desapropriações das terras.

Diz o Juiz Sarti em sua decisão, que o IBAMA já foi condenado a executar o Plano de Manejo do Parque. E é o mesmo órgão que vem defendendo a reabertura sem que as medidas recomendadas para a sua conservação sejam tomadas.

Acompanhe o desenrolar dos fatos na página de Notícias do saite do AgirAzul na Internet (www.agirazul.com.br). Ali há também a íntegra da decisão do Juiz Sarti.

(Pág. 2)

Carlos Alberto Dayrell é Cidadão de Porto Alegre

O então estudante que salvou a Tipuana na frente da Faculdade de Direito da UFRGS, em 1975, recebeu o título de representantes da Câmara de Vereadores que foram à Faculdade de Direito. Ele não abandonou a luta ecológica.

Artigo de Roberto Villar

Carlos Alberto Dayrell recebeu o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Lembram dele? Na manhã do dia 25 de fevereiro de 1975, uma grande multidão se formou na frente da Faculdade de Direito da UFRGS, em uma das principais vias da cidade, a avenida João Pessoa.

Funcionários da Secretaria Municipal de Obras estavam cortando dezenas de árvores para construir o viaduto Imperatriz Leopoldina. Um estudante de engenharia elétrica, sócio da Agapan – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, subiu numa Tipuana (Tipuana tipu) para impedir o trabalho das motosserras.

Ela está lá até hoje. O protesto terminou na delegacia de polícia política. Foi notícia nos principais jornais. A foto ganhou destaque de capa no diário O Estado de São Paulo. Naquela época, impedir o corte de árvores era crime contra a segurança nacional. “De minha parte, colocaria como marco inicial de um movimento ecopolítico no Brasil o caso Carlos  Dayrell“, escreveu Alfredo Sirkis no apêndice da edição brasileira do livro Rumo ao Paraíso — A história do movimento ambientalista, de John McCormick.

Mais do que um símbolo, Dayrell é um herói sempre citado pelos ecologistas gaúchos. “O protesto do Dayrell foi o fato que mais sacudiu a opinião pública na época”, reconhece o primeiro presidente da Agapan, José Lutzenberger, atual mentor e dirigente da Fundação Gaia.

Por recomendação médica, e por receio de alguma represália por agentes do Governo, em 1976 o jovem estudante mineiro, natural de Sete Lagoas, fugiu do clima frio e úmido da capital gaúcha e voltou para Minas Gerais. Ele nunca mais foi visto em Porto Alegre. Ficaram apenas as histórias do protesto que marcou o início do movimento ecológico brasileiro.

“O protesto do Dayrell foi um marco para nós. Naquele dia, toda a imprensa do Rio Grande do Sul e do Brasil nos conheceu”, recorda o presidente da Pangea, Augusto Carneiro, fundador da Agapan, naquela época militando nesta entidade.

Dias antes do protesto, Dayrell tinha viajado para Torres com um grupo de ambientalistas da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, criada em 1971. O corte das árvores no Parque da Redenção já era assunto dos ecologistas. Carneiro recorda que numa reunião José Lutzenberger chegou a sugerir que os jovens subissem nas árvores para impedir a derrubada.

Dayrell estava presente, ouvindo com atenção. Quem mandou derrubar as árvores para construir o viaduto foi o prefeito Thompson Flores. Lutzenberger não esquece: — Ele mandou derrubar as árvores durante as férias, pensando que não iria haver estudantes lá. Esqueceu que era dia de matrícula. Surpreso, o prefeito argumentou que iria derrubar 25 árvores para melhorar o tráfego, mas estava plantando 20 mil nos bairros.

Aí, preparamos um manifesto que começava mais ou menos assim: ‘Argumentar que não tem importância derrubar 25 árvores velhas, porque estão sendo plantadas 20 mil novas, seria como dizer não importa que morra o nosso velho e sábio prefeito, estão nascendo tantos bebês’.

O atual diretor da Faculdade de Direito da Ufrgs, professor Eduardo Kroeff Carrion, conselheiro da Agapan, decidiu fazer uma homenagem a Carlos Dayrell. No dia 20 de novembro, Carrion reuniu em seu gabinete representantes de importantes entidades ecologistas de Porto Alegre — Agapan, Pangea, Coolméia, e União pela Vida, que resolveram co-organizar os eventos e solicitar ao vereador Gerson Almeida (PT) fosse encaminhado ao Dayrell o título de Cidadão de Porto Alegre.

Quase 23 anos depois, Dayrell participou de dois atos públicos no dia 28 de abril de 1998, um dia após a data do aniversário de 27 anos da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural.

Foi implantada num dos pilares da cerca da Faculdade de Direito, em frente à árvore salvada,  placa de metal para lembrar à posteridade o protesto de 1975.  Carlos Dayrell também recebeu de representantes da Câmara de Vereadores o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre, proposto por Almeida, em sessão realizada no auditório da própria Faculdade.

Carlos Alberto Dayrell foi localizado em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Está com 44 anos e três filhos. O mais velho, Luciano, com 16 anos, e a mais nova, Luana, com 10, além de sua mãe, a simpática Dona Alexandrina, também vieram à Porto Alegre.

Após o episódio, trocou a engenharia elétrica pela agronomia e está trabalhando como consultor do Centro de Agricultura Alternativa.  Nesta entrevista, Dayrell fala do seu trabalho em Minas Gerais e recorda detalhes do mais importante protesto ecológico de Porto Alegre.

O que você está fazendo em Minas Gerais?

Eu trabalho numa entidade chamada Centro de Agricultura Alternativa. É uma Organização Não—Governamental que presta assistência a pequenos produtores rurais, dentro desta proposta de desenvolver uma agricultura mais sustentável.

 Então você não abandonou a luta ecológica?

Realmente. Naquela época do protesto em Porto Alegre, era muito um sentimento que a gente tinha de preocupação com a vida. E este sentimento vem se aprofundando. Hoje, a gente tenta de outras formas, continuar esta busca por uma vida mais digna e sustentável, não só pra gente, mas para as gerações futuras.

Por que você subiu naquela árvore em 1975?

Naquela época eu morava em Porto Alegre e entrei na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. Eu morava na Casa do Estudante, na frente da Faculdade de Direito. Naquele dia eu estava saindo de casa para fazer minha matrícula na Universidade e fiquei chocado com o que vi. Um monte de árvores já no chão. Me chamou muito a atenção porque todo mundo passava indiferente. Eram árvores belas, que davam uma sombra muito agradável. Foi algo meio instintivo. Como você fez para subir tão alto naquela árvore? Eu tava na rua pensando o que fazer… aí passou um amigo meu, o Marcos Sarassol. A árvore realmente era muito alta. Os funcionários da Prefeitura estavam utilizando uma escada para cortar os galhos, e depois o tronco. Eu pedi a escada emprestada e coloquei na primeira árvore.

Quanto tempo você ficou lá em cima?

Eu nem lembro direito. Eu sei que era de manhã, pois eu iria fazer minha matrícula na Faculdade. A gente ficou lá até umas três ou quatro horas da tarde. O pessoal passava lanche pra gente. Logo uma multidão ficou em volta. Teve dois companheiros que subiram pra me apoiar, logo no começo, o Marcos e a Teresa Jardim.

Qual foi o papel da imprensa naquele episódio?

Se não fosse a imprensa naquele momento, talvez o pessoal teria derrubado a gente. Tinha jornal, televisão e rádio lá. O fato foi sendo divulgado e a população foi chegando em volta. Porto Alegre estava vivendo naquela época um processo de transformação importante. Era uma cidade que estava crescendo o número de carros, as ruas precisavam ser ampliadas. Mas havia muita preocupação com a qualidade do ambiente urbano. De certa forma, foi uma reflexão. Eu lembro que saiu muita matéria sobre a questão do desenvolvimento e da qualidade de vida.

Quanto tempo você morou em Porto Alegre?

Eu cheguei em Porto Alegre em 1970 para trabalhar no Banco Mineiro do Oeste, que depois foi comprado pelo Bradesco. Entrei na Ufrgs para estudar Engenharia Elétrica. Depois fiz novo vestibular para Agronomia. Morei em Porto Alegre até 1976. Por problema de saúde, voltei para Minas Gerais. Consegui uma transferência para a Universidade Federal de Viçosa. Me formei em Agronomia em 1980. E desde então, trabalho com agricultura alternativa, com agroecologia.

O que você faz em Montes Claros?

Atualmente eu trabalho no Centro de Agricultura Alternativa. Eu estou fazendo um curso de mestrado na Espanha, em agroecologia e desenvolvimento rural sustentado. Aqui a gente dá assistência a pequenos produtores rurais. A nossa grande preocupação aqui no norte de Minas Gerais é com o Cerrado.

 

As palavras de Dayrell

Caros Amigas e Amigos:

Eu fico aqui pensando se por acaso vocês aqui estão, vereadores da Câmara Municipal de Porto Alegre, representantes da Faculdade de Direito que está comemorando o centenário de fundação da instituição, militantes do movimento ecológico gaúcho representados pela Coolméia, Pangea, União pela Vida, Núcleo dos Ecojornalistas, Fundação Gaia e Agapan, que merece lembrar, ontem, fez 27 anos de fundação, com uma trajetória reconhecida não só aqui no Estado, mas em todo Brasil e inclusive no Exterior.

Eu fico pensando se, por acaso, vocês que aqui estão   presentes, possam ter idéia do que representa este momento para o cidadão Carlos Dayrell, um desconhecido nos sertões de Minas Gerais, que saiu de Montes Claros, no norte do Estado, um sertanejo que se define no dizer de Guimarães Rosa: “Sou só um sertanejo. Nestas altas idéias, navego mal”.

E quem é o sertanejo?

O sertanejo é um homem criado num ambiente onde o contrato natural que ele estabelece com o seu meio é mediado pelo respeito com a natureza. E pode ter sido um fragmento deste sentimento, lapidado pelo sentimento gaúcho na sua relação com a imensidão dos pampas, que fez o ainda menino mover-se por um sentimento natural, tornar-se sem saber e sem querer, através de um gesto coletivo, um símbolo de uma sociedade que se propõe estabelecer um novo contrato com o seu meio.

Pois é um destes sertanejos que está aqui nesta cerimônia, que está aqui hoje para receber o título de Cidadão de Porto Alegre onde, com muita responsabilidade e carinho, vai levar de volta para o lugar onde vive, quem sabe um elo invisível traçado hoje por vocês, um elo invisível mas permanente de amor por uma causa que é muito maior que a soma de todos nós.

Vocês não podem imaginar a emoção que isto faz comigo e na verdade é até difícil entender como hoje estou aqui nesta cerimônia. Certamente, para eu estar aqui hoje muita coisa mudou nos corações das pessoas que lidam diariamente com decisões que influenciam a vida de centenas de milhares de cidadãos. Inclusive com a minha. Muita coisa mudou pois, quando sai daqui em 1976, de volta a Minas Gerais, um ano e meio após o episódio da subida na árvore, minha mãe ainda carregava consigo a tensão de uma possível represália da ditadura militar contra o seu filho.

Episódio que compartilho com Marcos Sarassol, Teresa Jardim, com a imprensa de Porto Alegre, com os militantes da Agapan, com centenas de pessoas, estudantes populares que anonimamente lutaram naquele dia pela preservação da árvore, não se curvaram diante do aparato militar e que, de lá para cá provocaram um salto na luta pela defesa, não só das árvores isoladamente, mas em defesa da vida em seu sentido mais amplo. Esta homenagem compartilho com todos vocês.

Eu não poderia estar aqui se não fossem os ensinamentos de meus pais, que, em 1970, ainda com 17 anos, permitiram que saísse de Sete Lagoas para estudar e trabalhar em Porto Alegre.

Eu não poderia estar aqui se não fosse o carinho do meu irmão Geraldo Dayrell Filho e de toda a família Hiwatashi, ilustres horticultores de Porto Alegre, que me acolheram como membro da família, e me estimularam na profissão que segui.

Eu não poderia estar aqui se não fossem pessoas como José Lutzenberger, Augusto Carneiro, Caio Lustosa, Magda Renner, e muitos outros que colaboraram no desenvolvimento da percepção de solidariedade não só com a vida no planeta Terra de hoje, mas uma solidariedade intergeneracional, solidariedade para coma vida das gerações que estão por vir, solidariedaade para com gerações anteriores que souberam nos legar um planeta amplo de possibilidades e de potencialidades.

Solidariedade que se traduz não em grandes feitos, mas de um construir diário na busca de sociedades sustentáveis. Sociedades que incluem a intricada e maravilhosa teia de seres vivos onde suas mais de 30 milhões de diferentes espécies de seres vivos a que denominamos de biodiversidade, nos garante a possibilidade de continuidade da vida no planeta Terra.

Biodiversidade que está ameaçada pela ganância de uma economia baseada na exploração dos seres vivos (e entre eles o homem), na dilapidação dos recursos naturais, onde poucas empresas transnacionais conseguem impor os seus interesses numa escala global, corrompendo governos e legisladores. Temos exemplo no Brasil a Lei das Patentes, que se curva ao permitir a difusão de novos seres vivos criados pelo homem cujos riscos de sua manipulação na natureza ainda são desconhecidos. Biodiversidade que está ameaçada por alguns setores prepotentes ligados à ciência que avalizam sem assinar nenhuma promissória. Afinal, ao contrário dos produtos químicos, os produtos da engenharia genética não podem ser retirados do mercado. Me vem à mente a imagem do Titanic, saudados pelos setores sociais dominantes da época como insubmergível. Um iceberg o afundou. O mundo ficou perplexo. A engenharia genética está aí. Mal conhecemos a ponta deste iceberg.

Então eu me pergunto: o que podemos fazer além de homenagear as pessoas que lutam em defesa da vida em seu sentido mais amplo?

O que podemos fazer além de subir nas árvores?

(Págs. 12, 13 e 14)

Mono-Carvoeiro precisa proteção

União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN deve passar o muriqui da categoria “vulnerável à extinção” para a  de “criticamente  ameaçado”.

Esta foi a conclusão geral do encontro que aconteceu de 23 a 26 de maio de 1998, em Belo  Horizonte, em forma de workshop, para reavaliar o status de conservação do mono-carvoeiro ou muriqui (Brachyteles arachnoides), o maior primata americano, que vive na Mata Atlântica. O objetivo do workshop foi realizar um PHVA (análise da viabilidade populacional da espécie e do seu habitat), sugerindo medidas para sua conservação.

Participaram especialistas em muriqui de todo o país, mais representantes da  Sociedade Brasileira de Primatologia, Conservation International, União Internacional para a Conservação da Natureza – UICN (entidade com sede na Suiça que elabora os critérios e categorias de extinção: vulnerável, ameaçado, extinto, etc); a Dra. Karen Strier (University of Wisconsin, USA),  Fundação Biodiversitas e do IBAMA. O patrocínio para o encontro veio da Margot Marsh Foundation (USA).

Com a utilização do programa Vortex, que simula a possibilidade de extinção, quatro grupos de trabalho cruzaram informações sobre as populações remanescentes, a situação dos habitats, os esforços para reproduzir a espécie em cativeiro e o impacto humano nas áreas de ocorrência da espécie,foram feitas projeções sobre o comportamento das populações para os próximos 200 anos.

Concluiram que a população de Minas Gerais, a maior parte concentrada em um fragmento de mata de mil hectares, deve sobreviver sem problemas de consangüinidade durante os próximos 100 anos. A partir disto devem comecar a aparecer os problemas decorrentes do cruzamento entre parentes devido ao isolamento populacional. A taxa de desmatamento de Mata Atlântica naquele Estado é de 20 mil hectares/ano e precisa ser congelada para que os muriquis sobrevivam.

No Espírito Santo, a situação é mais grave: as populações vivem em pequenos fragmentos e não terão problemas nos próximos 50 anos. Em São Paulo, estão as últimas áreas de Mata Atlântica não fragmentadas e lá os animais devem sobreviver durante os próximos 200 anos, se o desmatamento não aumentar. Na Bahia, a espécie já foi extinta pelos desmatamentos dos últimos 20 anos.

Para evitar o desmatamento, sugeriram-se como atividades econômicas viáveis: turismo ecológico, fruticultura, psicultura, e também melhorias do sistema de plantio do café, para se coibir a utilização de novas áreas para plantio.

Deve-se  barrar o avanço da pecuária sobre a área de mata, fiscalizar pequenos desmatamentos em terrenos que serão utilizados para especulação imobiliária, que não aparecem nas fotos de satélite e hoje são os maiores  responsáveis pelo desmatamento; implementar mata-corredores entre fragmentos isolados; continuar a pesquisa sobre reprodução em cativeiro que é feita no Centro de Primatologia do RJ; e pesquisar a vida deste primata em outras regiões do Brasil.

Como conclusão geral do encontro, a IUCN deve passar o muriqui da categoria “vulnerável à  extinção” para “criticamente ameaçado”. Para o biólogo Rodrigo Cambará Printes, presente ao workshop, “devemos resgatar o muriqui como espécie-bandeira da conservação no Brasil”. (RCP/jbsa)

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O Minuto Ecológico, demagogia ou desleixo ?

Artigo de Júlio César Pereira Tomazzolli

Para manterem os índices de audiência, as redes de televisão, em especial o grupo RBS, do sul do Brasil, vem se utilizando cada vez mais da chamada mídia ecológica. Neste caso destacamos o Minuto Ecológico. Programa, ou melhor, pacote ecológico, comprado do centro do país, que vem sendo veiculado já há algum tempo nas proximidades do programa Jornal do Almoço (como diz o nome, perto do meio-dia). Em contato informal com a emissora, verifiquei que os programas vão continuar por algum tempo.

O que poderia ser, em princípio, uma boa idéia, consegue transmitir muitas informações errôneas. Para um público sedento de informações sobre o meio ambiente, principalmente o estudantil, o resultado pode ser catastrófico.

Normalmente são mostrados animais que habitam outras regiões (exemplo: Pantanal), não ocorrem aqui entre nós – fato que o programa não deixa claro para seus telespectadores. Tuiuiús, Guarás, Ibis, etc. são aves típicas do ecossistema pantaneiro; o macaco-aranha próprio das regiões tropicais e assim por diante.

Os nomes populares dos animais, que o programa aproveita, são muitas vezes regionalizados. Isto é, um determinado animal, como por exemplo, o que apresenta o nome científico Furnárius Ruffus, que vale para todo o planeta, é conhecido no Brasil, como João-de-Barro. Na Argentina e no Uruguai  ele é conhecido como Hornero. Assim poderíamos citar vários outros casos.

Há outro problema também sério: a forma ´humana´ como os animais se manifestam, com necessidades e desejos. Porque não admitir que existe em cada espécie uma forma específica de se comunicar? E que às vezes o homem não alcança os seus significados?

Devemos alertar a produção do Jornal do Almoço e aos telespectadores quanto aos erros de aprendizagem que conteúdos apresentados destas formas causam. Afinal, a RBS tem condições de sobra e qualidade nos profissionais para produzir programas regionalizados, que mostre os animais de nosso meio natural! O premiado programa Globo Ecologia poderia servir de exemplo de informação passada sem mistificação a um público maior.

*O autor é Professor de Ciências e Biologia no 2º Grau.

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