Arquivos da Categoria: Espécies Ameaçadas

Rio de Janeiro realiza painel sobre os 30 anos de luta pelas baleias

Captura de tela 2018-10-02 18.41.20.pngEm dezembro de 1987, a Lei Federal 7643, proposta pelos Deputados Federais Constituintes Gastone Righi e Fabio Feldmann, proibiu em definitivo a caça e o molestamento de cetáceos (baleias, botos e golfinhos) em águas brasileiras, pondo fim a um ciclo de submissão do Brasil aos interesses dos países baleeiros e fazendo florescer no país uma nova era de pesquisa científica e uso não-letal desses animais através do Turismo de Observação.  Ler mais

Anúncios

O Plano Diretor e os habitantes esquecidos de Porto Alegre

Artigo do Biólogo  Gerson Buss

Uma das características que fazem com que alguém seja nativo de um determinado lugar é o fato dele conhecer o lugar onde vive. E que conhecimento é esse? É saber o clima, conhecer as plantas, os bichos, os lugares, saber os caminhos que levam aos lugares importantes pra ele, conhecer as pessoas e saber se comunicar com elas.

Nossa vivência urbana, televisiva e global nos afasta da vivência local, do conhecimento do mundo natural e por conseguinte, das pessoas. Como não observamos os relacionamentos do mundo natural, nossos relacionamentos da vida pessoal se tornam superficiais. Como não observamos as causas e as consequências, achamos que “podemos tudo”. Vivemos num meio artificial, nossa cidade, com um grande número de indivíduos de uma única espécie, a nossa, e essa situação nos cria a ilusão de que é isso que precisamos e que o resto não nos atinge, podendo ser descartado. Senhores do caótico meio urbano queremos agora, com essa mentalidade, planejar o desenvolvimento do município. E nesse contexto, imaginamos o município como uma grande cidade, as áreas naturais como áreas a serem ocupadas, as praias como áreas que necessitam calçadões e iluminação, e por aí vai.

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental foi elaborado para atender as necessidades de uma espécie, sem levar em consideração que para uma existência saudável dependemos de todas as demais espécies. Das três espécies de primatas que habitam nosso município, só nos lembramos de uma, a nossa. O que falar então, do Graxaim-do-campo, da Figueira-de-folha-miúda, da Capivara, do Gavião-caramujeiro, da Lontra, do Ingá, etc. Todas essas espécies tem populações, que habitam um determinado lugar e que se relacionam de alguma forma conosco. E com isso, chegamos a conclusão que todos os demais habitantes do Município de Porto Alegre estão sendo esquecidos.

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental no máximo de sua evolução reconhece apenas a diversidade do uso humano das áreas, esquecendo, ou não considerando, a diversidade biológica do município. Eu me pergunto, será que os técnicos da FLACAN, da Secretaria de Planejamento Municipal e os demais membros da equipe que elaboraram o Plano conhecem o Município de Porto Alegre? Eu acho que não, imagino que eles conheçam somente a cidade de Porto Alegre, pois só isso explica o fato das questões relativas ao Meio Ambiente Municipal estarem tratadas tão superficialmente, ao contrário da questão da habitação, por exemplo. Além disso o PDDUA tem propostas extremamente preocupantes, como a  criação de uma zona de ocupação intensiva ao lado da Reserva Biológica do Lami; de criarem um corredor agro-industrial entre o Morro São Pedro e o Morro da Extrema; entre outras.

Será que eles sabem que ainda existem bugios no Morro São Pedro, Morro da Extrema , Lami e Boa Vista e que para a sobrevivência dessas populações é extremamente necessário que sejam preservadas as conexões de mata entre essas áreas ? Senão, a presença do bugio vai se tornar apenas uma lembrança vaga na cabeça de alguns pesquisadores e dos moradores mais antigos. E um dia vai ser esquecido. Quem mora hoje no Bairro Cristal não imagina que na década de 60 ainda existiam bugios nas matas do Bairro, e quem mora hoje na Ponta Grossa também perdeu a oportunidade de ouvir um dos sons mais impressionantes do mundo natural, que é o ronco de um bando de bugios.  Assim como foi esquecida a onça pintada que, na época da fundação da cidade, foi morta onde hoje é  a Cidade Baixa. Será que vai ser esse o destino da fauna silvestre em nosso município?

Além de toda a importância desses animais para o ecossistema, existe um aspecto importantíssimo que estamos desconsiderando, estamos perdendo os personagens que embelezam o fenômeno da existência. Estamos transformando o Teatro da Vida em um Monólogo da Espécie Humana. Quem de nós já viu uma lontra brincando no Arroio Lami, filhotes de tatu voltando para a toca,  não se assustou com o grito de alerta de uma capivara. Isso ainda é possível em nosso município. Resta-nos fazer o possível para que tais experiências não passem a existir somente na memória de alguns, e que as futuras gerações de cidadãos Porto-alegrenses

(Pág. 11)

Mono-Carvoeiro precisa proteção

União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN deve passar o muriqui da categoria “vulnerável à extinção” para a  de “criticamente  ameaçado”.

Esta foi a conclusão geral do encontro que aconteceu de 23 a 26 de maio de 1998, em Belo  Horizonte, em forma de workshop, para reavaliar o status de conservação do mono-carvoeiro ou muriqui (Brachyteles arachnoides), o maior primata americano, que vive na Mata Atlântica. O objetivo do workshop foi realizar um PHVA (análise da viabilidade populacional da espécie e do seu habitat), sugerindo medidas para sua conservação.

Participaram especialistas em muriqui de todo o país, mais representantes da  Sociedade Brasileira de Primatologia, Conservation International, União Internacional para a Conservação da Natureza – UICN (entidade com sede na Suiça que elabora os critérios e categorias de extinção: vulnerável, ameaçado, extinto, etc); a Dra. Karen Strier (University of Wisconsin, USA),  Fundação Biodiversitas e do IBAMA. O patrocínio para o encontro veio da Margot Marsh Foundation (USA).

Com a utilização do programa Vortex, que simula a possibilidade de extinção, quatro grupos de trabalho cruzaram informações sobre as populações remanescentes, a situação dos habitats, os esforços para reproduzir a espécie em cativeiro e o impacto humano nas áreas de ocorrência da espécie,foram feitas projeções sobre o comportamento das populações para os próximos 200 anos.

Concluiram que a população de Minas Gerais, a maior parte concentrada em um fragmento de mata de mil hectares, deve sobreviver sem problemas de consangüinidade durante os próximos 100 anos. A partir disto devem comecar a aparecer os problemas decorrentes do cruzamento entre parentes devido ao isolamento populacional. A taxa de desmatamento de Mata Atlântica naquele Estado é de 20 mil hectares/ano e precisa ser congelada para que os muriquis sobrevivam.

No Espírito Santo, a situação é mais grave: as populações vivem em pequenos fragmentos e não terão problemas nos próximos 50 anos. Em São Paulo, estão as últimas áreas de Mata Atlântica não fragmentadas e lá os animais devem sobreviver durante os próximos 200 anos, se o desmatamento não aumentar. Na Bahia, a espécie já foi extinta pelos desmatamentos dos últimos 20 anos.

Para evitar o desmatamento, sugeriram-se como atividades econômicas viáveis: turismo ecológico, fruticultura, psicultura, e também melhorias do sistema de plantio do café, para se coibir a utilização de novas áreas para plantio.

Deve-se  barrar o avanço da pecuária sobre a área de mata, fiscalizar pequenos desmatamentos em terrenos que serão utilizados para especulação imobiliária, que não aparecem nas fotos de satélite e hoje são os maiores  responsáveis pelo desmatamento; implementar mata-corredores entre fragmentos isolados; continuar a pesquisa sobre reprodução em cativeiro que é feita no Centro de Primatologia do RJ; e pesquisar a vida deste primata em outras regiões do Brasil.

Como conclusão geral do encontro, a IUCN deve passar o muriqui da categoria “vulnerável à  extinção” para “criticamente ameaçado”. Para o biólogo Rodrigo Cambará Printes, presente ao workshop, “devemos resgatar o muriqui como espécie-bandeira da conservação no Brasil”. (RCP/jbsa)

(Pág. 9)