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Sartori, Cairoli e Ana Pelini tentam liberar os agrotóxicos que ainda não circulam no Rio Grande do Sul

Por João Batista Santafé Aguiar, jornalista

Com a publicação no Diário Oficial do Estado de uma nova definição do que seria país de origem, o território do Estado do Rio Grande do Sul passaria a dar livre-trânsito a todos os agrotóxicos que até então deixavam de circular no Estado mais ao sul do Brasil, pois o registro era indeferido ao se observar que o produto era proibido no seu país de origem. O que fez o Estado por meio de sua área ambiental, chefiada por Ana Pelini, medida assinada pelo Governador José Ivo Sartori? Publicou Decreto nesta quarta-feira  (17/1/2018) modificando o conceito de ‘país de origem’.  Será que vai “colar”? Ler mais

NAT avisa: TJ RS suspende lei estadual que possibilita queimadas de campos

Promulgada em 30 de janeiro de 2012 a Lei 13931, que modifica artigos do Código Florestal do RS, e torna possível o uso do fogo – queimadas – sobre vegetação foi suspensa em decisão liminar.

O Desembargador Marco Aurélio dos Santos Caminha suspendeu os efeitos de lei que altera o Código Florestal Estadual e amplia as hipóteses em que podem ser realizadas queimadas. A decisão é desta quinta-feira (9/2).

Clique aqui e veja no site do NAT a notícia completa.

Ilustração de Eugênio Neves cedida a APEDEMA como colaboração ao movimento ambientalista

O Plano Diretor e os habitantes esquecidos de Porto Alegre

Artigo do Biólogo  Gerson Buss

Uma das características que fazem com que alguém seja nativo de um determinado lugar é o fato dele conhecer o lugar onde vive. E que conhecimento é esse? É saber o clima, conhecer as plantas, os bichos, os lugares, saber os caminhos que levam aos lugares importantes pra ele, conhecer as pessoas e saber se comunicar com elas.

Nossa vivência urbana, televisiva e global nos afasta da vivência local, do conhecimento do mundo natural e por conseguinte, das pessoas. Como não observamos os relacionamentos do mundo natural, nossos relacionamentos da vida pessoal se tornam superficiais. Como não observamos as causas e as consequências, achamos que “podemos tudo”. Vivemos num meio artificial, nossa cidade, com um grande número de indivíduos de uma única espécie, a nossa, e essa situação nos cria a ilusão de que é isso que precisamos e que o resto não nos atinge, podendo ser descartado. Senhores do caótico meio urbano queremos agora, com essa mentalidade, planejar o desenvolvimento do município. E nesse contexto, imaginamos o município como uma grande cidade, as áreas naturais como áreas a serem ocupadas, as praias como áreas que necessitam calçadões e iluminação, e por aí vai.

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental foi elaborado para atender as necessidades de uma espécie, sem levar em consideração que para uma existência saudável dependemos de todas as demais espécies. Das três espécies de primatas que habitam nosso município, só nos lembramos de uma, a nossa. O que falar então, do Graxaim-do-campo, da Figueira-de-folha-miúda, da Capivara, do Gavião-caramujeiro, da Lontra, do Ingá, etc. Todas essas espécies tem populações, que habitam um determinado lugar e que se relacionam de alguma forma conosco. E com isso, chegamos a conclusão que todos os demais habitantes do Município de Porto Alegre estão sendo esquecidos.

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental no máximo de sua evolução reconhece apenas a diversidade do uso humano das áreas, esquecendo, ou não considerando, a diversidade biológica do município. Eu me pergunto, será que os técnicos da FLACAN, da Secretaria de Planejamento Municipal e os demais membros da equipe que elaboraram o Plano conhecem o Município de Porto Alegre? Eu acho que não, imagino que eles conheçam somente a cidade de Porto Alegre, pois só isso explica o fato das questões relativas ao Meio Ambiente Municipal estarem tratadas tão superficialmente, ao contrário da questão da habitação, por exemplo. Além disso o PDDUA tem propostas extremamente preocupantes, como a  criação de uma zona de ocupação intensiva ao lado da Reserva Biológica do Lami; de criarem um corredor agro-industrial entre o Morro São Pedro e o Morro da Extrema; entre outras.

Será que eles sabem que ainda existem bugios no Morro São Pedro, Morro da Extrema , Lami e Boa Vista e que para a sobrevivência dessas populações é extremamente necessário que sejam preservadas as conexões de mata entre essas áreas ? Senão, a presença do bugio vai se tornar apenas uma lembrança vaga na cabeça de alguns pesquisadores e dos moradores mais antigos. E um dia vai ser esquecido. Quem mora hoje no Bairro Cristal não imagina que na década de 60 ainda existiam bugios nas matas do Bairro, e quem mora hoje na Ponta Grossa também perdeu a oportunidade de ouvir um dos sons mais impressionantes do mundo natural, que é o ronco de um bando de bugios.  Assim como foi esquecida a onça pintada que, na época da fundação da cidade, foi morta onde hoje é  a Cidade Baixa. Será que vai ser esse o destino da fauna silvestre em nosso município?

Além de toda a importância desses animais para o ecossistema, existe um aspecto importantíssimo que estamos desconsiderando, estamos perdendo os personagens que embelezam o fenômeno da existência. Estamos transformando o Teatro da Vida em um Monólogo da Espécie Humana. Quem de nós já viu uma lontra brincando no Arroio Lami, filhotes de tatu voltando para a toca,  não se assustou com o grito de alerta de uma capivara. Isso ainda é possível em nosso município. Resta-nos fazer o possível para que tais experiências não passem a existir somente na memória de alguns, e que as futuras gerações de cidadãos Porto-alegrenses

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