As edições funcionaram simultaneamente como veículo jornalístico, espaço de debate, instrumento de mobilização e arquivo histórico do ambientalismo, com forte ênfase no Rio Grande do Sul, mas conectando as lutas locais às grandes questões ambientais nacionais e internacionais.
AgirAzul registra seis anos de lutas e transformações do ambientalismo gaúcho
Entre 1992 e 1998, o AgirAzul acompanhou de perto uma fase decisiva da história do ambientalismo no Rio Grande do Sul e no Brasil. Criada às vésperas da Conferência do Rio, a publicação impressa nasceu com 16 páginas e chegou a edições de até 28 páginas, reunindo notícias, reportagens, análises e opiniões sobre a atuação dos ambientalistas. Agora, todo o conteúdo está disponibilizado no endereço www.AgirAzul.com.br. As páginas foram formatadas para melhor leitura pelo celular. Este site de notícias tem o mesmo endereço mas sem o ‘.br’ no final.
A Eco-92 ocupou lugar central nas primeiras edições, que discutiram as expectativas em torno da conferência, as disputas entre países do Norte e do Sul e os efeitos das decisões tomadas no Rio de Janeiro. O jornal também acompanhou as consequências da conferência para o movimento ambientalista brasileiro.

Outro personagem recorrente foi José Lutzenberger, tanto por sua atuação no Governo Collor quanto pelos debates que envolveram sua saída do Ministério do Meio Ambiente. O AgirAzul também publicou suas reflexões sobre ciência, tecnologia, desenvolvimento e destruição ambiental.
No Rio Grande do Sul, a publicação registrou as disputas envolvendo FEPAM, IBAMA, governos municipais e estaduais e grandes empreendimentos, incluindo questões relacionadas à indústria de papel e celulose, energia, gasodutos, loteamentos e obras de infraestrutura.
A defesa de áreas naturais e da biodiversidade ocupou espaço permanente. Parque de Itapuã, Aparados da Serra, Morro do Osso, Delta do Jacuí, Taim, Mata Atlântica e litoral aparecem entre os territórios onde ambientalistas enfrentavam projetos de ocupação, degradação ou falta de proteção.
A publicação acompanhou ainda campanhas pela proteção das baleias e da fauna silvestre, contra a caça, o tráfico de animais e a destruição de habitats. A biodiversidade passou a ser discutida também sob novos enfoques, como a etnobiologia e o patenteamento de formas de vida.
Questões que posteriormente se tornariam centrais na agenda ambiental também apareceram nas páginas do AgirAzul: agrotóxicos, produção orgânica, reciclagem, camada de ozônio, patentes, transgênicos e energia. A publicação procurava aproximar essas questões globais dos problemas concretos enfrentados no Estado.

O jornal dedicou atenção especial à organização da sociedade civil, registrando a atuação de entidades como AGAPAN, Fundação Gaia, Amigos da Terra, UPAN, Coolméia, Movimento Roessler e outras organizações. Em 1998, por exemplo, destacou os 27 anos da AGAPAN e suas campanhas históricas contra a poluição, o desmatamento, as queimadas e grandes empreendimentos.
Também ganhou espaço a própria comunicação ambiental, com cobertura da atuação de jornalistas e discussões sobre a imagem da natureza na mídia. O AgirAzul se apresentava, inclusive, como publicação dirigida à ação dos ambientalistas brasileiros, especialmente os do Rio Grande do Sul.
Ao chegar à edição 13, em julho de 1998, a publicação reunia temas como plano diretor de Porto Alegre, Amazônia, alimentos sem agrotóxicos, proteção de espécies, litoral, degradação ambiental e memória do movimento ecológico, consolidando-se como registro jornalístico de um período de intensa mobilização ambiental.
Em seis anos, o AgirAzul não apenas noticiou o ambientalismo: registrou sua formação, suas divergências, suas campanhas e suas conquistas, deixando um arquivo contemporâneo de uma transformação profunda na maneira de discutir meio ambiente no Rio Grande do Sul e no Brasil.
Atualidade
A história iniciada nas páginas impressas continua hoje no ambiente digital. O AgirAzul.com sucedeu o antigo site AgirAzul.com.br e mantém a mesma perspectiva de jornalismo voltado às questões ambientais, agora ampliada para meio ambiente, arquitetura e urbanismo, patrimônio cultural e justiça. O site atual produz notícias e reportagens sobre temas contemporâneos, especialmente no Rio Grande do Sul, ao mesmo tempo em que preserva o acervo histórico da publicação. O antigo AgirAzul.com.br reúne centenas de matérias produzidas desde 1992, incluindo o conteúdo das 13 edições impressas que circularam entre 1992 e 1998. Assim, o AgirAzul.com funciona simultaneamente como veículo jornalístico contemporâneo e como continuidade de um projeto editorial que há mais de três décadas acompanha, documenta e participa do debate ambiental.
Redação do Jornalista João Batista Santafé Aguiar Assine o Canal do AgirAzul.com no WhatsApp – todas as notas publicadas aqui e algumas mais no seu celular. Link para contatos e envio de materiais para o AgirAzul


