Falece aos 98 anos o professor Kurt Schmeling, fundador do Movimento Roessler

Professor Kurt Günther Hugo Schmeling em 2018

O Professor Kurt Günther Hugo Schmeling faleceu neste domingo aos 98 anos. Foi um dos fundadores do Movimento Roessler para Defesa Ambiental, entidade ambientalista criada em Novo Hamburgo em 16 de junho de 1978. O nome da entidade homenageia o pioneiro Henrique Roessler, criador da UPN – União Protetora da Natureza, que lutou pelo meio ambiente a partir do vale do rio dos Sinos. Kurt nasceu em Porto Alegre, como Roessler, o conheceu pessoalmente e foi um dos seus grandes companheiros.

Para a atual presidenta do Movimento Roessler, Luana Rosa, “o Professor Schmeling foi um grande ecologista gaúcho, uma importante referência para todas as gerações de ambientalistas — nesses anos de convívio, pude aprender muito com ele e levar seus ensinamentos adiante. Seu legado ficará para sempre!”

O Professor Kurt nasceu em 15 de maio de 1923, formou-se em Arquitetura, na UFRGS, e fez pós-graduação em Didática. Foi membro do Conselho Estadual de Educação, incentivador da criação da FEEVALE e esteve por 20 anos na direção da Fundação Evangélica de Novo Hamburgo da Rede Sinodal de Educação. Era o último fundador vivo do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo. Começou a lecionar a disciplina de Ecologia no segundo grau na Fundação Evangélica de Novo Hamburgo a convite do seu amigo e colega docente professor Ernest Sarlet. Deixou a esposa Agnes Schmeling e os filhos Bettina, Ursula, Christoph, Mathias e Agnes, genros, noras, netos e bisnetos. O filho Martin é falecido.

O Professor Schmeling morava há alguns anos em Maquiné, com a esposa e a família de uma filha.

Bandeira do Movimento Roessler,
retirada do vídeo sobre os 40 anos
da entidade, em 2018.

Foi na condição de diretor da Fundação Evangélica que após uma aula recebeu um grupo de jovens que queriam trabalhar na questão ambiental e criar uma entidade para isto. Era época do grande desastre de Hermenegildo, praia de Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, a chamada “maré vermelha” na versão oficial (ver mais), mas que a comunidade científica e ambientalista afirmou ter sido causada pelo naufrágio do navio Taquari, em 1975, carregado de produtos da Dow Chemical.

Arno Kayser, Professor Schmeling e Luana Rosa, atual presidente do Movimento Roessler, no lançamento do Museu Ambiental Henrique Roessler, em 2018. Foi para este Museu que Schmeling doou o seu acervo.

Em depoimento sobre a história do Roessler para vídeo institucional da entidade, conta que os alunos propuseram “a gente quer se reunir para fundar uma entidade e veio a pergunta que nome vamos usar….bom…eu pensei prá mim…seria bonito se fossemos lembrar do Roessler — me parece que houve uma empatia aí e eles propuseram este nome”. Ele destacou como grande atuação do Movimento Roessler a luta e a criação do Parcão, em Novo Hamburgo.

Na dissertação do seu Mestrado em História na Unisinos, Fabiano Quadros Rückert, conta que perguntou ao professor Schmeling como havia sido o seu envolvimento inicial com o ambientalismo. Sua resposta foi:

Bom. ai eu tenho que recuar muitos anos. No tempo que eu era aluno do Ginásio Sinodal, naquele tempo lá em São Leopoldo, sempre me chamou  atenção uma pequena vitrine de uma lojinha ao lado da Igreja Católica de São Leopoldo. Só mais tarde eu fiquei sabendo que a lojinha a era do Roessler, mas, naquela vitrine, então, tinha exposições sobre natureza, as aves, as árvores aqui da nossa região e alguns apelos. Só mais tarde eu fiquei sabendo quem era Henrique Luiz Roessler, mas, como aluno, isso já me marcou, e talvez, então, através dessa modesta vitrine em São Leopoldo, surgiu a minha abertura para a natureza preservação da natureza.

Conta ainda Fabiano Quadros Rückert que “o convívio entre o professor Schmeling e Henrique Luiz Roessler foi muito importante para a criação de uma rede de ensinamentos que contribuiu para a conscientização ambiental no Vale (Nota do Editor — Vale do Rio do Sinos). Schmeling levou para os seus alunos da Fundação Evangélica textos que Roessler publicou no Correio do Povo e fez desses textos um estímulo para a reflexão sobre os problemas ambientais. Nas suas aulas de  Ecologia, ele organizava, junto com outros professores da Fundação Evangélica, passeios de estudo para proporcionar aos seus alunos o contato com locais onde a ação humana ainda não havia desfigurado a paisagem natural. Os passeios combinavam leituras, com predomínio dos textos de Roessler e das obras de Albert Schweitzer, observação e apontamento da fauna e da flora, produção de relatórios e atividades necessárias para a manutenção de um acampamento como coleta de lenha, o preparo do alimento, a limpeza e a organização do material. Muito do que Schmeling fazia tinha Henrique Luiz Roessler como figura inspiradora”.

Velório e despedida

O velório do Professor Kurt acontece nesta segunda-feira (28/3/2022), a partir das 8h, na Capela da Casa Matriz de Diaconisas, rua Wilhelm Rothermund, 395, no Morro dos Espelhos, em São Leopoldo (mapa). A cerimônia de despedida acontecerá às 16h, no mesmo local. Após, seguirá para cremação.

Mais

Artigo de Arno Kayser sobre o falecimento do Professor Schmeling

Texto modificado em 28/3/2022, 10h50min, para incluir a fala da presidenta do Movimento Roessler, Luana Rosa, e o link para o artigo de Arno Kayser, no Instagram da entidade. 

Redação de João Batista Santafé Aguiar, editor do AgirAzul.com. Permitida a reprodução com citação da fonte.  

 

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