Por meio de assessoria externa contratada, a CMPC encaminhou ao AgirAzul.com nesta segunda-feira (1/6) o que considera respostas aos questionamentos enviados à empresa depois de matéria publicada neste espaço em 21/5/2026 – Em meio à crise climática, megaprojeto de Celulose divide o sul do Brasil., Segue o texto na íntegra:
Seguem abaixo as respostas da CMPC para os questionamentos enviados.
- Sobre o volume de efluentes e a qualidade da água: A nova planta projeta o despejo diário de 242 milhões de litros de efluentes industriais em uma área do Guaíba classificada como de altíssima qualidade hídrica (Classe 1), próxima ao ponto de captação de água potável. Como a CMPC pretende responder à exigência da FEPAM de comprovar, através de modelagem ponto a ponto, que não haverá impacto na qualidade da água e nas captações para abastecimento público antes e depois do lançamento?
A CMPC esclarece que o Projeto Natureza está sendo desenvolvido dentro dos mais rigorosos padrões ambientais nacionais e internacionais. Todos os parâmetros de lançamento de efluentes serão submetidos às exigências técnicas da FEPAM e dos órgãos competentes, incluindo modelagens hidrodinâmicas e de dispersão ponto a ponto, capazes de demonstrar o comportamento do efluente antes, durante e após o lançamento no Guaíba.
O sistema previsto utilizará tecnologia avançada de tratamento, com monitoramento contínuo e controle permanente da qualidade da água, assegurando e excedendo o atendimento integral aos limites legais. A empresa reforça que os estudos técnicos comprovam que o empreendimento será implantado sem prejuízos às captações de abastecimento público nem à qualidade hídrica do manancial.
A planta industrial terá uma capacidade máxima de tratar até 240 milhões de litros por dia de efluentes que serão descartados com alto padrão de qualidade e eficiência na remoção de carga poluente, sem impactos no Lago Guaíba, e monitorados tanto no efluente quanto no lago Guaíba para garantir a ausência de impactos em vários pontos do lago. Os valores na prática da operação ficarão entre 190 milhões e 210 milhões de litros por dia de efluentes tratados e não de poluentes. Os poluentes serão removidos na ETE com eficiência de acima de 99%. - Sobre a falta de testes de toxicidade e acúmulo em sedimentos no EIA-RIMA: Especialistas afirmam que o Estudo de Impacto Ambiental não incluiu testes de toxicidade crônica para o efluente da nova fábrica e ignorou a análise de contaminação nos sedimentos. Sendo sabido que compostos organoclorados, dioxinas e furanos tendem a se concentrar e acumular no fundo dos rios, por que o estudo apresentou essas omissões e como a empresa pretende garantir a segurança ambiental sem essas análises essenciais?
A CMPC informa que o EIA-RIMA foi elaborado conforme o Termo de Referência emitido pelos órgãos ambientais competentes e contempla os estudos exigidos nesta fase do licenciamento. A toxicidade de efluentes não podem ser estudadas por medição no EIA, uma vez que o efluente somente será gerado na fase de operação. Por similaridade tecnológica de efluente tratado da planta Guaíba que tem monitoramento de toxicidade aguda e crônica, com resultados de ausência de toxicidade, pode-se afirmar que o efluente da nova fábrica em Barra do Ribeiro não apresentará toxicidade. A empresa destaca que as tecnologias de tratamento previstas eliminam a presença de compostos potencialmente tóxicos, atendendo aos padrões ambientais da legislação brasileira e internacional. O monitoramento de toxicidade aguda e crônica está prevista como monitoramento para garantir a ausência de toxicidade.
Quanto a dioxinas e furanos a empresa não apresentará em seu efluente, uma vez que o processo não gera estes compostos, de tal modo que não haverá deposição nos sedimentos. - Sobre o uso de tecnologias defasadas (derivados de cloro): O projeto insiste no uso de derivados de cloro no branqueamento do papel, gerando substâncias cumulativas e altamente tóxicas. Considerando que indústrias modernas na Escandinávia já utilizam tecnologias Totalmente Isentas de Cloro (TCF), baseadas em peróxido de hidrogênio e ozônio, por que a CMPC optou por uma tecnologia considerada superada, inclusive já rejeitada em novas expansões no seu país de origem, o Chile?
A tecnologia prevista no Projeto Natureza segue padrões amplamente utilizados nas mais modernas fábricas de celulose do mundo e adota o processo ECF (Elemental Chlorine Free), reconhecido internacionalmente como seguro e eficiente. Esse processo que elimina o uso de cloro elementar não é precursor de dioxinas e furanos. A opção tecnológica considera fatores técnicos, ambientais, energéticos e de qualidade do produto final, sempre alinhados às melhores práticas globais do setor. A CMPC ressalta que todas as emissões e efluentes estarão dentro dos padrões Internacionais e legais.
O branqueamento TCF atualmente ocupa a nível mundial cerca de 8% do volume de produção para uma celulose de um nicho de mercado. Muitas plantas de celulose TCF foram convertidas para ECF, bem como os últimos projetos implantados no mundo são processos ECF, devido a ser um processo reconhecidamente seguro ambientalmente. - Sobre os riscos à saúde pública e à fauna local: Diante dos alertas médicos sobre os riscos de efeitos mutagênicos, aumento das taxas de câncer e malformações congênitas devido à entrada dessas toxinas na cadeia alimentar, o que a empresa esclarece sobre a paralisação de estudos anteriores que investigavam malformações de peixes no Guaíba? Como a empresa garante que a contaminação não afetará as águas até a Lagoa dos Patos, colocando em risco a subsistência de 15 mil pescadores?
A CMPC reafirma que o processo de branqueamento ECF é internacionalmente indicado como melhor tecnologia disponível por não ser gerador de dioxinas e furanos, não promovendo efeitos mutagênicos, não gerando aumento de taxas de câncer e nem malformações congênitas. Além disto o processo será operado sob rígido controle ambiental e monitoramento contínuo da água. Não há evidência técnica que associe o projeto aos impactos mencionados, e qualquer afirmação nesse sentido deve ser analisada com base em estudos científicos e avaliações dos órgãos competentes.
O processo de licenciamento ambiental inclui avaliações sobre ecossistemas aquáticos, cadeia alimentar e comunidades potencialmente afetadas. A empresa também seguirá protocolos permanentes de monitoramento ambiental, garantindo rastreabilidade e transparência dos indicadores ambientais ao longo da operação.
O estudo de malformações de peixes no lago Guaíba foram conduzidos desde 1991 até 2019, sendo que foi dispensado pela FEPAM, por entender que os resultados foram suficientes para demonstrar que não há relação das malformações com efluente da planta de Guaíba. - Sobre a narrativa de geração de empregos: A justificativa de progresso econômico menciona a criação de 12 mil empregos, mas os especialistas apontam que esse número reflete apenas um pico temporário durante a fase de construção civil. Com a previsão de apenas 800 empregos diretos permanentes para uma operação tão impactante, como a empresa justifica os extensos riscos ambientais e sociais em troca de uma oferta de trabalho permanente considerada ínfima?
O Projeto Natureza terá impacto econômico estrutural e de longo prazo para o Rio Grande do Sul. Além dos empregos diretos permanentes, o empreendimento movimentará uma ampla cadeia produtiva envolvendo logística, silvicultura, transporte, comércio e serviços, gerando milhares de empregos indiretos e aumento de arrecadação para diversos municípios.
Durante a implantação, haverá um pico importante de empregos na construção civil, mas os benefícios econômicos se estendem muito além dessa etapa, contribuindo para o desenvolvimento regional, atração de investimentos e fortalecimento da economia gaúcha.
Se tratando de empregos diretos, serão 12 mil durante o pico das obras e 5 mil na operação florestal e industrial quando o Projeto Natureza estiver a pleno. E indiretamente, o impacto será multiplicado e potencializado em todo a cadeia produtiva. - Sobre a destruição de áreas de proteção natural (RPPN Barba Negra): A CMPC solicitou a “desafetação” (retirada do status de proteção legal) de parcelas da Reserva Particular de Patrimônio Natural Barba Negra (cerca de 15 hectares no total) para instalar um emissário de efluentes e um terminal portuário. Como a empresa justifica a supressão de vegetação nativa e a instalação de infraestrutura industrial em uma área protegida onde foram mapeadas espécies em extinção?
Área a desafetar da RPPN corresponde a 0,6% da área total da RPPN e não configura em destruição do ambiente natural. As áreas onde estão previstas a desafetação serão compensadas pela incorporação de 89 novos hectares de conservação (6x mais do que será desafetado). A supressão vegetal na área da infraestrutura industrial não é em área de vegetação nativa, mas de plantios de eucaliptos a mais de 60 anos neste local. Além disto a vegetação a ser suprimida nas áreas a desafetar serão compensadas conforme previsão legal. Estas áreas para desafetação foram escolhidas com base técnica e amplo estudo de local com menor impacto e sem interferência em espécies em extinção. - Sobre o diálogo com comunidades tradicionais e bioma Pampa: Além de denúncias sobre a proliferação da monocultura de eucalipto estar desestruturando o solo do bioma Pampa e esgotando aquíferos, os debatedores criticam a falta de cumprimento da exigência internacional de consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas afetadas pelo projeto. Por que não houve essa consulta e como a CMPC planeja dialogar com essas comunidades?
O Estudo de Componente Indígena do Projeto Natureza está sendo feito com a ampla participação das comunidades presentes na área de influência do projeto. Estamos seguindo tudo que nos foi passado no Termo de Referência para Estudo de Componente Indígena definido pela FUNAI.
A CMPC reforça, ainda, que mantém compromisso permanente com o diálogo social e institucional com comunidades, lideranças locais e diferentes segmentos da sociedade. A empresa seguirá todas as determinações legais relacionadas ao licenciamento ambiental e às consultas previstas pela legislação brasileira.
Foto do Destaque: Fabiano Panizzi / Divulgação.
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