
Área verde de 12,9 hectares localizada ao lado do Clube do Professor Gaúcho, na Avenida Guaíba / Crédito: Divulgação
Preserva Zona Sul chama manifestação no dia 7 de junho, próximo domingo, na semana do Meio Ambiente, para defender área que alagou em 2024
Porto Alegre, 1/6/2026 – Moradores da Zona Sul de Porto Alegre retomam uma mobilização histórica pela preservação da mata do Arroio Espírito Santo, área verde de 12,9 hectares localizada ao lado do Clube do Professor Gaúcho, na Avenida Guaíba. A região, que alagou durante a enchente de 2024, voltou ao debate após a apresentação de uma nova proposta imobiliária para o terreno, atualmente vinculado à Consplan e antes associado à Maiojama e ao antigo projeto do Loteamento Ipanema.
Diante desse novo momento, o movimento Preserva Zona Sul realiza, no dia 7 de junho, uma manifestação em defesa da mata e do Arroio Espírito Santo. A data foi escolhida por ocorrer na mesma semana do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho. A concentração será às 10h, na Avenida Guaíba com a Rua Déa Coufal, com saída prevista para as 11h, em caminhada em direção à mata.
Há uma liminar em vigor desde 2018 que impede o desmatamento da área enquanto o processo judicial segue em tramitação. A medida foi mantida pelo Tribunal de Justiça, mas não representa uma proteção permanente. O processo discute aspectos ambientais do empreendimento, como a proteção da área de preservação permanente do arroio, a aplicação da Lei da Mata Atlântica e a preservação de espécies ameaçadas.

A nova proposta imobiliária foi apresentada em audiência judicial de conciliação no processo. A proposta está em análise técnica pelas entidades autoras da ação, que defendem o cumprimento integral da legislação ambiental. Para os moradores mobilizados no Preserva Zona Sul, a experiência da enchente de 2024 reforça a necessidade de ir além da discussão sobre o formato do empreendimento e avançar na proteção definitiva da área.
O movimento cobra que o terreno seja reconhecido por seu papel ambiental, climático e urbano. Segundo moradores, grande parte da área alagou durante a enchente, funcionando como zona de retenção natural da água. Para o grupo, a mata não pode ser tratada como vazio urbano disponível à especulação imobiliária, mas como parte da infraestrutura natural de proteção da cidade.
Histórico da luta
A luta pela preservação da área é histórica. Após o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comam) decidir pela inadequação ambiental do projeto, a União pela Vida (UPV), que integrava o conselho, denunciou ao Ministério Público que a decisão não havia sido respeitada. A denúncia deu origem a uma ação civil pública que apontou ilegalidades no empreendimento.
O antigo Loteamento Ipanema previa abertura de ruas e construção de prédios em uma área de mata nativa atravessada pelo Arroio Espírito Santo. Em 2018, a mobilização ganhou força com caminhadas, abaixo-assinados e a ação judicial que suspendeu o desmatamento. Desde então, moradores, associações e entidades ambientais acompanham a disputa em torno da área.
Agora, após a maior enchente da história recente do Rio Grande do Sul, moradores defendem que a área seja preservada de forma permanente. O Preserva Zona Sul argumenta que proteger matas, arroios e áreas alagáveis é uma medida necessária de adaptação climática e prevenção de novos desastres urbanos.
Serviço
O quê: Manifestação pela preservação da mata do Arroio Espírito Santo
Quando: 7 de junho
Horário: concentração às 10h; saída às 11h
Onde: Avenida Guaíba com Rua Déa Coufal, Zona Sul de Porto Alegre Destino: caminhada em direção à mata ao lado do Clube do Professor Gaúcho Realização: Movimento Preserva Zona Sul
Texto de Marcelo Ferreira / Brasil de Fato RS, para divulgação
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