Transmitida pelo canal Lutz Global no YouTube, a live de lançamento da coletânea “História dos agrotóxicos no Brasil: usos, impactos e resistências”, publicada pela Editora Fiocruz, reuniu organizadores, autores de textos acessórios e pesquisadores. O evento apresentou um panorama sobre como o consumo intensivo de defensivos agrícolas foi construído historicamente no país e ressaltou as iniciativas de resistência e agroecologia.

A mediação foi conduzida pela co-organizadora Elenita Malta Pereira (UFR), que organizou a seção “Resistências” e é autora do capítulo sobre a pioneira Lei dos Agrotóxicos do Rio Grande do Sul, aprovada em 1982. A pesquisadora Ingrid Fonseca Casazza (COC/Fiocruz) coordenou o eixo “Usos e difusão” e assina capítulo focado na introdução de agroquímicos no Submédio do Rio São Francisco, demonstrando a transição dessas substâncias de insumos essenciais para um problema de saúde pública. Por sua vez, o professor Leonardo Lignani (CEFET/RJ) organizou o eixo “Impactos” e assina estudo sobre as primeiras análises sistemáticas de resíduos químicos em alimentos pelos institutos Adolfo Lutz e Biológico de São Paulo na década de 1970.
Os autores das seções acessórias também trouxeram contribuições para a abertura da obra. Em vídeo gravado na Bélgica, a professora Larissa Mies Bombardi, autora do prefácio, analisou o papel das políticas públicas na estruturação da dependência química e denunciou a colonialidade que submete o país a substâncias banidas no exterior. A professora Dominique Miranda de Sá, responsável pela orelha, ressaltou o entrelaçamento entre história ambiental, ciências e saúde, apontando a obra como uma referência essencial para pensar o futuro do planeta. Já o professor Luís Cláudio Janovicz (Jó), autor da quarta capa, destacou o compromisso ético da pesquisa historiográfica ao questionar a necessidade fabricada de venenos e defender o diálogo com gestores e a sociedade civil.

Na sequência, os autores dos capítulos resumiram suas pesquisas e contribuições específicas para o livro:
- Víctor Pelaez (Cap. 1): Explicou a inserção do Brasil no comércio internacional de insumos e as assimetrias na relação de troca com a China.
- Mariá Freitas Monteiro (Cap. 2): Detalhou em vídeo a trajetória da empresa Bayer no Brasil e sua expansão estimulada pelo governo durante a ditadura militar.
- Letícia Solivre (Cap. 3): Abordou o histórico do inseticida DDT no país, do uso sanitário contra a malária à sua proibição tardia por pressões do mercado exportador.
- Ada Cristina Pontes Aguiar (Cap. 6): Relatou em vídeo os processos de contaminação e adoecimento por malformações e câncer na Chapada do Apodi, no Ceará.
- Juliana Ramalho (Cap. 7): Discutiu as transformações territoriais e os custos socioambientais decorrentes da expansão da agricultura intensiva no bioma Cerrado.
- Bianca Letícia de Almeida (Cap. 8): Apresentou em vídeo a recepção e a circulação do clássico Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, na imprensa brasileira das décadas de 1960 e 1970.
- Juliana Capra Maia (Cap. 9): Examinou o pensamento ecológico pioneiro do agrônomo Augusto Ruschi e suas críticas precoces ao modelo agrícola industrial.
- Paula Furtini Moreira (Cap. 10): Resgatou a história do movimento agroecológico fluminense, ressaltando a criação da cooperativa Conatura e o surgimento das primeiras feiras orgânicas no Rio de Janeiro.
Onde adquirir o livro: A obra “História dos agrotóxicos no Brasil: usos, impactos e resistências” está disponível para aquisição no catálogo impresso e virtual da própria Editora Fiocruz, além de poder ser encontrada na Amazon (capa comum e Kindle).
Veja a íntegra no YouTube no Canal do Lutz Global
Redação do Jornalista João Batista Santafé Aguiar Assine o Canal do AgirAzul.com no WhatsApp – todas as notas publicadas aqui e algumas mais no seu celular. Link para contatos e envio de materiais para o AgirAzul
