Mostra EcoFalante exibe 110 filmes de 27 países em Porto Alegre

O mais importante evento sul-americano dedicado à divulgar a produção audio-visual dedicada à temática sócio-ambiental apresenta 110 filmes em Porto Alegre a partir desta quarta-feira, 24/8, até o dia 13/9/2022. Outras capitais do Brasil também recebem mostras itinerantes. Ver no site do evento – http://www.ecofalante.org.br.

As sessões em Porto Alegre são gratuitas e acontecem em quatro salas de cinema. Ver endereços no final da matéria.

A mostra faz homenagem a Sarah Maldoror em parceria com a Cinemateca do Capitólio, exibindo dois filmes da cineasta, conhecida como “a mãe do cinema africano”. “Sambizanga”, seu primeiro longa, completa 50 anos em 2022, e a versão recém-restaurada em 4K do longa é exibida pela primeira vez no Brasil pela Mostra Ecofalante.

O ator e diretor francês Jacques Perrin, falecido em abril deste ano, também recebe homenagem e os filmes de caráter socioambiental que produziu e dirigiu ganham exibição.

O festival celebra os 40 anos do clássico documentário cult “Koyaanisqatsi”, de Godfrey Reggio.

Participam ainda produções contemporâneas indicadas ao Oscar e premiadas nos festivais de Cannes, Sundance, Roterdã e Locarno.

Panorama Internacional Contemporâneo está organizado a partir dos temas Ativismo, Biodiversidade, Economia, Emergência Climática, Povos & Lugares e Trabalho.

Estão programados títulos assinados por Vincent Carelli, Joel Pizzini e Lucas Bambozzi.

Na Competição Latino-americana, estão selecionados representantes de seis países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba e México.

A seção Concurso Curta Ecofalante tem como temas os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Ciclo de entrevistas com diretores, disponibilizado no canal YouTube da Mostra Ecofalante, completa a programação do evento

Este ano, a 11ª Mostra Ecofalante de Cinema acontece em Porto Alegre de forma presencial e gratuita. Entre 24 de agosto e 13 de setembro, ela exibe na cidade gaúcha uma ampla programação de filmes contemporâneos e históricos de viés socioambiental, distribuídos em quatro salas de cinema da cidade: Cinemateca do Capitólio, Cinemateca Paulo Amorim, Cine Bancários e Sala Redenção.

Além da Sala Redenção, da UFRGS, outras universidades, como PUC-RS, IFRS e Senac, recebem o evento, formando assim um circuito universitário de difusão de filmes socioambientais propostos pela Mostra Ecofalante.

Fazem parte da programação da mostra: a Homenagem ao diretor e ator Jacques Perrin; a Homenagem à cineasta Sarah Maldoror; a Competição Latino-americana, com 35 títulos; o Panorama Internacional Contemporâneo, que inclui 24 longas-metragens com as melhores e mais recentes produções de viés socioambiental produzidas em diversos países; o Concurso Curta Ecofalante, que inclui filmes brasileiros assinados por estudantes; as Sessões especiais com exibição do documentário cult “Koyaanisqatsi”, lançado nos cinemas há exatos 40 anos, e do último filme do renomado diretor Vincent Carelli, “Adeus, Capitão” (2022).

Fechando este vasto programa, há a série de entrevistas exclusivas com alguns dos diretores dos filmes exibidos e outras personalidades. A série está disponível online, no canal YouTube da Mostra Ecofalante (https://www.youtube.com/mostraecofalante).

Este ano, o programa Panorama Internacional Contemporâneo está organizado a partir dos eixos Ativismo, Biodiversidade, Economia, Emergência Climática, Povos & Lugares e Trabalho.  Dentre os destaques da programação, no eixo Ativismo, está o longa premiado em Sundance “O Território”, de Alex Pritz, que mostra a luta do povo Uru-Eu-Wau-Wau pela posse de seu território. O Panorama traz ainda a sessão especial Sociedade & Redes, com o título “Geração Z”, de Liz Smith, tratando do impacto das redes sociais na formação dos jovens. Entre os filmes exibidos nos diversos eixos temáticos estão os indicados ao Oscar “Ascensão” e “Escrevendo com Fogo” (este também premiado em Sundance), além de filmes premiados nos festivais de Locarno (“Mil Incêndios”) e HotDocs (“Escola da Esperança” e “Ostrov – A Ilha Perdida”).

“O Território”

Da Competição Latino-Americana, participam o argentino “Esqui”, prêmio da crítica na seção Fórum do Festival de Berlim, e A Montanha Lembra (Argentina/México), ganhador da competição internacional de curtas do É Tudo Verdade. Competem ainda obras premiadas no Festival de Cannes (Céu de Agosto, de Jasmin Tenucci), no Bafici-Buenos Aires (“A Opção Zero”, uma coprodução Cuba/Colômbia) e no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Rolê – Histórias dos Rolezinhos, de Vladimir Seixas, “Lavra”, de Lucas Bambozzi, e “Ocupagem”, de Joel Pizzini).

Homenagem a Jacques Perrin (1941-2022), célebre ator e diretor francês, que atuou em dezenas de filmes, trabalhando com os mais renomados diretores de sua geração, traz ao público quatro de seus sucessos como diretor e/ou produtor. São filmes que exprimem sua preocupação com as causas ambientais. Em “Microcosmos” (1996), ele é produtor e narrador. Dentre os filmes que ele codirigiu, fazem parte desta homenagem “As Estações”“Oceanos” e “Migração Alada”, este último indicado ao Oscar. A programação também inclui uma conversa entre a jornalista Flávia Guerra e o parceiro frequente de Perrin atrás das câmeras, Jacques Cluzaud. Ela faz parte da série de entrevistas exclusivas realizada pela Mostra Ecofalante este ano e que encontra-se disponível online. 

Homenagem a Sarah Maldoror se dá no marco dos 50 anos de “Sambizanga” (1972), obra-prima vencedora de dois prêmios no Festival de Berlim. O filme, sobre o movimento de libertação angolano, é o primeiro longa-metragem filmado na África por uma mulher. No ano passado, ele ganhou uma restauração em 4K dentro do projeto African Film Heritage, da Film Foundation, FEPACI e UNESCO. Graças a essa iniciativa, o filme pode voltar a circular numa bela cópia, pronta para conquistar novos públicos. Essa versão é exibida no Brasil pela primeira vez na Mostra Ecofalante. 

“Esqui”

Clássico, cult e considerado um marco do cinema de viés socioambiental, o documentário “Koyaanisqatsi”, de Godfrey Reggio, é um dos destaques das Sessões especiais da Mostra Ecofalante, que celebra os 40 anos de seu lançamento. Tendo estreado no Festival de Berlim, este ensaio visual é o primeiro trabalho do diretor norte-americano Godfrey Reggio. O filme é uma crítica sobre o impacto da dita civilização e de seus padrões de consumo sobre o planeta e a natureza. Tem grande destaque sua trilha musical, assinada por Philip Glass, um dos compositores mais influentes do final do século 20. 

Também entre as Sessões especiais, está o último longa-metragem de Vincent Carelli, “Adeus, Capitão” (2022). Com registros colhidos ao longo de várias décadas, o filme fecha a trilogia iniciada com o premiado “Corumbiara” (2009) e que se seguiu com “Martírio” (2016). Codirigido por Tatiana “Tita” Almeida, o filme reflete sobre os males da aculturação nas populações indígenas do Brasil ao apresentar 70 anos de registros do povo Gavião, partindo do primeiro contato dos então isolados indígenas com os “kupên” (brancos). 

Além da Competição Latino-Americana, outra seção competitiva da Mostra Ecofalante é o Concurso Curta Ecofalante. Ele reúne curtas-metragens cujos temas dialogam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e são assinados por alunos de instituições de ensino brasileiras. Participam produções de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

“Koyaanisqatsi”

Panorama Internacional Contemporâneo

Reunindo em Porto Alegre um total de 24 longas-metragens, representando 21 países, o Panorama Internacional Contemporâneo está organizado em eixos temáticos. Os eixos Biodiversidade, Trabalho e Povos & Lugares são exibidos na Cinemateca do Capitólio; os eixos Emergência Climática, Economia e Sociedade & Redes acontecem na Cinemateca Paulo Amorim; o Cine Bancários exibe os eixos Ativismo e Economia. 

O documentário Uma Vez Que Você Sabe (2020), de Emmanuel Cappellin, é um dos destaques que integram o eixo Emergência Climática. Trata-se de um alerta: para um grupo de cientistas, a oportunidade de evitar mudanças climáticas catastróficas já passou. A obra, exibida em eventos na Itália, Reino Unido e Hong Kong, coloca a pergunta: como se adaptar ao colapso?

Vencedor do prêmio especial do júri e prêmio do público no Festival de Sundance, entre outras láureas, “O Território” (2022) fala da luta do povo indígena Uru-eu-wau-wau e de ativistas como Neidinha Suruí para proteger a terra indígena e a floresta da invasão por grileiros. Produzido por Daren Aronofsky (diretor de “Réquiem para um Sonho” e “Mãe!”), o filme é dirigido pelo norte-americano Alex Pritz e é parte do eixo Ativismo. Na mesma programação está “Escrevendo Com Fogo” (2021), sobre o primeiro e único jornal diário da Índia dirigido por mulheres. Sua equipe tem quebrado paradigmas, ao figurar na linha de frente da cobertura de temas urgentes que atingem a região onde vivem, mas que também concernem o país, como crimes ambientais e violência de gênero. Dirigido por Rintu Thomas e Sushmit Ghosho filme foi vencedor do prêmio do público e prêmio especial do júri no Festival de Sundance, tendo ainda sido eleito como melhor documentário no Festival de São Francisco. 

Dentre os destaques do eixo Biodiversidade está “Animal” (2021), a mais recente obra do diretor – e conhecido escritor – francês Cyril Dion, que conquistou reputação internacional com “Amanhã” (2015), documentário que levou mais de um milhão de franceses ao cinema. Aqui, ele aborda, a partir de dois jovens ativistas, uma geração convencida de que seu futuro está em perigo. O longa foi lançado no Festival de Cannes. Na mesma seção está “Birds of America” (2021), de Jacques Loeuille, selecionado para o Festival de Roterdã, na Holanda. O longa focaliza a obra do naturalista John James Audubon (1785-1851), que revolucionou o mundo da ornitologia com seu livro antológico “Birds of America”. É ainda um alerta ao mostrar o quanto nessa área foi perdido em um tempo relativamente curto pela industrialização, ganância e indiferença.

“Animal”

No eixo curatorial Economia, estão “Ascensão”, de Jessica Kingdon, e “A Rota do Mármore”, de Sean Wang. Indicado ao Oscar de melhor documentário, “Ascensão” (2021) oferece um impressionante retrato do “Sonho Chinês”, expressão cunhada pelo Secretário-Geral do Partido Comunista e presidente da China Xi Jinping. A obra expõe a busca paradoxal por riqueza e progresso na China do século 21. Já “A Rota do Mármore” (2021) percorreu os mais prestigiosos festivais internacionais de documentários – como IDFA-Amsterdã, Visions du Réel (Suíça), CPH:DOX (Dinamarca) e Hot Docs (Canadá). O documentário acompanha a odisseia do mármore branco, extraído em larga escala na Grécia e cujo consumo global é impulsionado pelo mercado interno chinês. É também uma investigação sobre o papel da China enquanto “compradora do mundo”.

Eleito como o documentário mais inovador do ponto de vista estético-formal da Semana da Crítica do Festival de Locarno, Mil Incêndios (2021), do cineasta palestino-britânico Saeed Taji Farouky, conta a história de uma família de Mianmar que pratica a extração manual de petróleo. A obra está incluída no eixo Povos & Lugares. 

No eixo curatorial Trabalho, destacam-se duas produções.  “The Gig Is Up: O Mundo É uma Plataforma” (2021) traz à tona as histórias dos trabalhadores por trás dos trabalhos da economia GIG, que engloba as formas de emprego alternativo. São milhões de pessoas atuando desde os serviços de entrega de comida e transporte por aplicativo até a marcação de imagens para a inteligência artificial. Dirigido pela canadense Shannon Walsh, o longa percorreu o circuito internacional de documentários, sendo exibido nos prestigiosos festivais IDFA-Amsterdã, Hot Docs (Canadá), CPH:DOX (Dinamarca) e Docufest (Kosovo). “Regresso a Reims (Fragmentos)”, documentário de montagem, baseado no livro de Didier Eribon, é um elogiado estudo sociológico da classe trabalhadora francesa do pós-guerra. A atriz e ativista LGBTQIA+ Adèle Haenel (premiada no Festival de Berlim) é responsável pela interpretação dos textos incluídos no filme, que participou da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Seu diretor, Jean-Gabriel Périot, assinou 28 títulos a partir de 2000, incluindo “Nos Défaites” (2019), vencedor do Prêmio C.I.C.A.E. no Festival de Berlim.

No programa Sociedade & Redes, ainda do Panorama Internacional Contemporâneo, está Geração Z (2021), de Liz Smith. O filme examina como a revolução digital está impactando nossa sociedade, nosso cérebro e nossa saúde mental. E como as forças que a impulsionam estão trabalhando contra a humanidade e nos colocaram em uma trajetória perigosa que tem enormes ramificações para esta primeira geração crescendo com a tecnologia digital móvel.

“Ascensão”

Competição Latino-Americana

A Competição Latino-americana da 11ª Mostra Ecofalante de Cinema é exibida integralmente em Porto Alegre. São 35 títulos, sendo 15 longas e 20 curtas-metragens. Eles representam seis países da região: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba e México. Estão incluídos na lista dos exibidos os vencedores da seção: O Bem Virá (Melhor Longa-metragem pelo Júri), A Opção Zero (Menção Honrosa na categoria Longa-metragem), Rolê – Histórias dos Rolezinhos (Menção Honrosa na categoria Longa-metragem), Mensageiras da Amazônia: Jovens Munduruku Usam Drone e Celular para Resistir às Invasões (Melhor Curta-metragem pelo Júri), Terra Nova (Menção Honrosa na categoria Curta-metragem).

Os longas-metragens dessa programação são:

  • “A Mãe de Todas as Lutas” (Brasil-RJ, 2021) – Susanna Lira
  • “A Opção Zero” (Cuba/Colômbia, 2020) – Marcel Beltrán
  • “A Praia do Fim do Mundo” (Brasil-CE, 2021) – Petrus Cariry
  • “Borom Taxi” (Argentina, 2021) – Andrés Guerberoff
  • “Cruz” (México, 2021) – Teresa Camou Guerrero
  • “Esqui” (Argentina, 2021) – Manque La Banca
  • “Husek” (Argentina, 2021) – Daniela Seggiaro
  • “Lavra” (Brasil-MG, 2021) – Lucas Bambozzi
  • “Muribeca” (Brasil-PE, 2020) – Alcione Ferreira e Camilo Soares
  • “Ninho” (“Nidal”, Chile, 2021) – Josefina Pérez-García e Felipe Sigala
  • “O Bem Virá” (Brasil-PE, 2020) – Uilma Queiroz
  • “Panorama” (Brasil-SP, 2021) – Alexandre Leco Wahrhaftig
  • “Pobo ‘Tzu’ – Noite Branca” (México, 2021) – Tania Ximena e Yollotl Alvarado
  • “Rolê – Histórias dos Rolezinhos” (Brasil-RJ, 2021) – Vladimir Seixas
  • “Vai Acabar” (Argentina, 2021) – David Blaustein e Andrés Cedrón.
  • Já a relação dos curtas-metragens é a seguinte:
  • “0,2 Miligramas de Ouro” (Brasil-RJ, 2021) – Diego Quindere de Carvalho
  • “A Felicidade do Motociclista Não Cabe em Sua Roupa” (México, 2021) – Gabriel Herrera
  • “A Montanha Lembra” (Argentina/México, 2021) – Delfina Carlota Vazquez
  • “Aurora – A Rua Que Queria Ser um Rio” (Brasil-SP, 2021) – Radhi Meron
  • “Céu de Agosto” (Brasil-SP/Islândia, 2021) – Jasmin Tenucci
  • “Chichiales” (México, 2021) – José López Arámburo
  • “Curupira e a Máquina do Destino” (Brasil-AM/França, 2021) – Janaina Wagner
  • “Flores da Planície” (México, 2021) – Mariana Xochiquétzal Rivera
  • “Kaapora – O Chamado das Matas” (Brasil-BA, 2020) – Olinda Muniz Silva Wanderley
  • “LOOP” (Argentina/Espanha, 2021) – Pablo Polledri
  • “Mar Concreto” (Brasil-RJ, 2021) – Julia Naidin
  • “Mensageiras da Amazônia: Jovens Munduruku Usam Drone e Celular para Resistir às Invasões” (Brasil-PA, 2022) – Joana Moncau, Elpida Nikou e Coletivo Audiovisual Munduruku Daje Kapap Eypi
  • “Montanha Dourada” (Brasil-AP, 2021) – Cassandra Oliveira
  • “Natureza Moderna” (Argentina/Colômbia, 2021) – Maia Gattás Vargas
  • “O Elemento Tinta” (Brasil-SP, 2021) – Luiz Maudonnet e Iuri Salles
  • “Ocupagem” (Brasil-SP, 2021) – Joel Pizzini
  • “Portugal Pequeno” (Brasil-RJ, 2021) – Victor Quintanilha
  • “Ser Feliz no Vão” (Brasil-RJ, 2020) – Lucas H. Rossi dos Santos
  • “Terra Nova” (Brasil-AM, 2021) – Diego Bauer
  • “Two-Spirit” (Colômbia, 2021) – Mónica Taboada-Tapia.
“O Bem Virá”

Homenagem a Jacques Perrin

11ª Mostra Ecofalante de Cinema promove a homenagem ao ator e diretor francês Jacques Perrin, falecido no último mês de abril, aos 80 anos. Conhecido pelo papel de Totó em “Cinema Paradiso” (1988), Perrin participou de mais de 130 filmes e séries ao longo da carreira, incluindo uma indicação ao Oscar por “Z” (1969). Ele, no entanto, também se transformou em ardoroso defensor da natureza e foi responsável por produções que encantam amplas plateias mundo afora. Todos os três longas-metragens que dirigiu, e um que produziu e narrou, estão incluídos na programação do evento. 

Exibido com sucesso na Mostra Ecofalante de Cinema em 2018, “As Estações” (2015) refaz a história da floresta europeia desde o final da última era glacial até nossos dias, abordando a questão das convulsões causadas pelas atividades humanas. Uma fascinante viagem pela natureza microscópica, “Microcosmos” (1996) foi produzido e narrado por Perrin. A obra foi vencedora do grande prêmio técnico no Festival de Cannes e do prêmio do público no Festival de Locarno. 

Indicado ao Oscar de melhor documentário, “Migração Alada” (2001), uma codireção com Jacques Cluzaud e Michel Debats, acompanha a migração de diversas espécies de pássaros, de todos continentes do planeta. Já “Oceanos” (2009) revela diversos mistérios escondidos nas águas, hábitos de vida das criaturas marinhas e os perigos que as cercam. A Homenagem a Jacques Perrin será integralmente exibida na Cinemateca Paulo Amorim. 

Jacques Perrin

Homenagem a Sarah Maldoror

Celebrando o cinquentenário de realização do longa-metragem Sambizanga, a Mostra Ecofalante de Cinema, em parceria com a Cinemateca do Capitólio, apresenta esta homenagem à cineasta francesa Sarah Maldoror (1929-2020). Considerada como a primeira mulher a dirigir um longa-metragem na África, ela é intitulada por muitos como “a mãe do cinema africano”. Sua obra é reverenciada como exemplo de cinema militante e, ao mesmo tempo, dotada de traços de grande singularidade. Com dezenas de obras audiovisuais realizadas no período de 1968 a 2009, entre eles quatro longas-metragens, sua carreira foi dedicada a valorizar e promover a perspectiva dos povos negros sobre a cultura e os acontecimentos históricos. 

Nesta homenagem, são exibidos dois filmes de Maldoror. “Sambizanga (1972), seu primeiro longa-metragem, realizado em Angola, no momento em que se organizava a resistência anticolonialista, teve cópia restaurada em 2021 sob os auspícios da Film Foundation, entidade voltada à preservação de filmes criada pelo diretor Martin Scorsese. É esta versão, exibida pela primeira vez no Brasil pela Mostra Ecofalante, que é projetada no evento. 

O filme, baseado na obra de José Luandino Vieira, focaliza a figura de Domingos Xavier, operário angolano e ativista anticolonial que foi preso e torturado até a morte, em 1961, pela polícia política portuguesa. Durante a mostra e em parceria com a Cinemateca do Capitólio, é exibido ainda “Uma Sobremesa para Constance”, longa de 1981, realizado para a televisão, que retrata a vida de imigrantes africanos na capital francesa, abordando a marginalização econômica e cultural dessas comunidades. 

Sarah Maldoror

Concurso Curta Ecofalante

A seção competitiva Concurso Curta Ecofalante inclui produções de alunos de ensino superior, ensino médio, cursos técnicos e cursos livres de cinema.  As temáticas de todos os filmes estão relacionadas a pelo menos um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas para tornar as cidades mais inclusivas e sustentáveis. A programação é composta por 15 títulos, incluindo os vencedores deste ano Yãy Tu Nunãhã Payexop: Encontro de Pajés (Melhor Filme do Concurso Curta Ecofalante pelo Júri) e Quem Saiu Para Entrega? (Menção Honrosa do Concurso Curta Ecofalante pelo Júri).

As 15 obras da programação são:

  • “[O Vazio Que Atravessa]” (Brasil-SP, 2021) – Fernando Moreira
  • “Como Respirar Fora d’Água” (Brasil-SP, 2021) – Júlia Fávero e Victoria Negreiros
  • “Crescer Onde Nasce o Sol” (Brasil-PE, 2021) – Xulia Doxágui
  • “Elos Positivos” (Brasil-SP, 2021) – Eduardo Oliveira
  • “Lua, Mar” (Brasil-SP, 2021) – Agua
  • “Meu Arado, Feminino” (Brasil-MG, 2021) – Marina Polidoro Marques
  • “Não Me Chame Assim” (Brasil-SP, 2020) – Diego Migliorini
  • “Neguinho” (Brasil-RJ, 2020) – Marçal Vianna
  • “O Abebé Ancestral” (Brasil-BA, 2020) – Paulo Ferreira
  • “O Andar de Cima” (Brasil-SP, 2021) – Tomás Fernandes da Silva
  • “Okofá” (Brasil-SP, 2021) – Pedro Henrique Martins, Rafael Rodrigues, Daniela Caprine, Mariana Bispo e Thamires Case
  • “Papa-Jerimum” (Brasil-RN, 2021) – Harcan Costa e Clara Leal
  • “Quem Saiu Para Entrega?” (Brasil-SC, 2021) – Evaldo Cevinscki Neto, Leonardo Roque Machado e Paula Roberta de Souza
  • “Tá Foda” (Brasil-RS, 2020) – Aline Golart, Denis Souza, Fernanda Maciel, Icaro Castello, Ligia Torres e Victoria Sugar
  • “Yãy Tu Nunãhã Payexop: Encontro de Pajés” (Brasil-MG, 2021) – Sueli Maxakali.
“Yãy Tu Nunãhã Payexop: Encontro de Pajés

Circuito Universitário

Fiel à sua missão de difundir as potencialidades da linguagem cinematográfica para sensibilizar e conscientizar as novas gerações para as questões socioambientais, a Mostra Ecofalante também prevê que seus filmes estejam presentes em um circuito universitário. 

As instituições que recebem o evento são UFRGS, IFRS, PUC-RS e Senac. A programação da Sala Redenção, da UFRGS, tem lugar de 25 de agosto a 13 de setembro. No IFRS, as sessões acontecem de 30 de agosto a 9 de setembro. Nos demais locais, os períodos de projeção ainda devem ser confirmados. 

Todas as sessões do Circuito Universitário são gratuitas. As sessões na Sala Redenção são abertas ao público. Já as sessões que acontecem nos demais locais são abertas apenas para a comunidade universitária. 

Os filmes exibidos nesse contexto fazem parte do Programa Ecofalante Universidades, que tem como objetivo levar obras audiovisuais de impacto para dentro das instituições  de ensino. O programa conta com uma plataforma gratuita de filmes (https://play.ecofalante.org.br/) disponíveis para educadores e professores. Todo educador vinculado a uma instituição de ensino pode se cadastrar, visionar filmes e agendar sessões gratuitas para seus alunos por meio do site.  

Especial Infantil

Como parte da 11ª Mostra Ecofalante de Cinema, a Cinemateca do Capitólio e a Mostra Ecofalante exibem, dentro da Sessão Vagalume, a animação “Zarafa” (2013), sobre a amizade de um homem com uma girafa. O filme tem classificação indicativa livre.

A Sessão Vagalume é uma ação do Programa de Alfabetização Audiovisual, braço educativo da Cinemateca Capitólio. Ela acontece periodicamente e tem por objetivo possibilitar a experiência do cinema para crianças e jovens a partir de uma programação diversificada e plural. 

“Zarafa”

Série de entrevistas exclusivas online

A programação do evento inclui ainda uma série de entrevistas exclusivas com realizadores e protagonistas dos filmes “Geração Z”, “Animal”, “Uma Vez Que Você Sabe”, “Lavra”, “Rolê – Histórias dos Rolezinhos”, “Demônios Invisíveis, “A Rota do Mármore”, “A Mãe de Todas as Lutas”, “A Praia do Fim do Mundo”, “O Bem Virá” e “Muribeca”, além de Jacques Cluzaud, co-realizador dos filmes de Jacques Perrin, e de Annouchka de Andrade, produtora cultural e filha da diretora Sarah Maldoror. As entrevistas são conduzidas pela documentarista e jornalista Flávia Guerra e, na série Ecofalante/WWF-Brasil, pelas jornalistas Marcela Fonseca e Gabriela Yamaguchi. Todas as entrevistas estão dispon´íveis no canal do YouTube da Mostra Ecofalante (https://www.youtube.com/mostraecofalante).

As informações sobre exibições e demais atividades do evento poderão ser encontradas na plataforma Ecofalante: www.ecofalante.org.br

Mostra Ecofalante de Cinema em sua itinerância a Porto Alegre é viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Ela tem apoio da IHS Brasil e é uma realização da Ecofalante, Secretaria Especial de Cultura e Ministério do Turismo. A produção é da Doc & Outras Coisas e a coprodução é da Química Cultural. 

Serviço:

  • 11ª Mostra Ecofalante de Cinema – Porto Alegre
  • Período: de 24 de agosto a 13 de setembro
  • Entrada gratuita em todas as atividades do evento
  • apoio: IHS Brasil 
  • produção: Doc & Outras Coisas 
  • coprodução: Química Cultural
  • realização: Ecofalante, Secretaria Especial de Cultura e Ministério do Turismo

Salas (endereços)

  • Cinemateca do Capitólio: R. Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre, 90010-311
  • Cinemateca Paulo Amorim: R. dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre, 90020-004
  • Cine Bancários: R. Gen. Câmara, 424 – Centro Histórico, Porto Alegre – RS, 90010-230
  • Sala Cine Redenção: Av. Paulo Gama, 110 – Farroupilha, Porto Alegre, 90040-060
  • Circuito universitário (PUC-RS, IFRS e Senac)

Fonte

Next Post

Juíza da Vara Ambiental Federal de Porto Alegre vai receber premiação do Conselho Nacional de Justiça

qua ago 24 , 2022
Autora da sentença sobre a Mina Guaíba, a magistrada Clarides Rahmeier, da 9ª Vara Federal de Porto Alegre, especializada na jurisdição ambiental, receberá premiação na categoria “Garantia do direito dos povos e comunidades tradicionais estabelecidas em área de proteção ou interesse ambiental”. A entrega da premiação pelo CNJ – Conselho […]
Send this to a friend