Já está disponível a edição comemorativa da Fepam em Revista lançada nesta quinta-feira (04/06), dia em que a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam) comemora 30 anos. O arquivo já está disponível e pode ser acessado aqui (PDF – 107 páginas – 8 mb).

O historiador Cláudio Dilda, ex-presidente da FEPAM e ex-secretário do meio ambiente do Estado do RGS e do Município de Porto Alegre publicou extenso artigo:   FEPAM 30 anos: narrativa da criação de uma utopia permanente.  Foi detalhista práticamente dando um depoimento pessoal sobre os estudos para a implementação de estruturas na área ambiental, as decisões, e resgata o papel construtivo para esta situação de entidades como  A ADFG- Amigos da TERRA, AGAPAN, a UPAN, entre outras.  Também relata os passos históricos para a criação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

A revista foi escrita por servidores e ex-funcionários, com um compilado de textos que contam a história da Fundação. Em suas 107 páginas, o leitor encontra artigos sobre fatos que percorrem desde a criação da Fepam até a dinâmica dos dias atuais, ilustrados por fotos e depoimentos.

A FEPAM é a entidade responsável no Rio Grande do Sul pelo licenciamento ambiental das atividades industriais,  produção agrícola, geração local de energia, entre outras funções. A instituição hoje conta com 470 colaboradores diretos, dos quais 340 são servidores de seu quadro de empregados, apoiados por terceirizados de serviços de informática (10) e de limpeza (10), estagiários remunerados (92), e bolsistas de iniciação científica (17).

Para a atual presidente, Marjorie Kauffmann, também Analista da FEPAM, a publicação é mais do que um resgate histórico, é um documento capaz de preservar o passado, registrar o presente e projetar futuro. “Em 2020, com a pandemia do novo coronavírus, fomos desafiados a encontrar formatos e ferramentas alternativas de trabalho. A equipe da Comissão Editorial, assim como todos os servidores, não deixou a responsabilidade de lado, entregando um documento memorável que descreve nossa trajetória como órgão regulador que prioriza o equilíbrio entre desenvolvimento e proteção ambiental”..

A Fepam em Revista é uma produção interna, editada e organizada pela Comissão Editorial que conta com nove servidores. Esta é a 16ª edição.

Conforme a coordenadora da Comissão Editorial, Katia Helena Lipp Nissinen, três mil exemplares ainda serão impressos e distribuídos gratuitamente aos colaboradores e órgãos parceiros em todo Brasil. “A Fepam em Revista ainda é indexada por instituições internacionais, aumentando sua visibilidade, importância e utilização“.

A publicação traz o nome de todos os atuais servidores, os que já faleceram e os que já se aposentaram. O album de fotografias comprova as inúmeras ações e locais de trabalho da instituição.

Sílvia Maria Jungblut destaca que a biblioteca dispõe o acervo de estudos e relatórios de impacto ambiental – EIA/RIMAs,  digitalizado desde 2019.

Arno Kayser, que trabalha na FEPAM, escreveu sobre o patrono da entidade, Henrique Luiz Roessler.  Republicamos a íntegra:

Quem foi Roessler

Henrique Luiz Roessler (1896-1963)

por Arno Leandro Kayser
(Engenheiro Agrônomo, Chefe da Divisão de Criações – DILC/DASP; membro atuante do Movimento Roessler para a Defesa Ambiental desde 1985 – e-mail: arno-kayser@fepam.rs.gov.br)

 O homem moderno não tem mais tempo de meditar. Seu interesse máximo é enriquecer o mais rapidamente possível. Não tem mais tempo para procurar contato com a natureza que cura todos os males.

Roessler
Henrique L. Roessler em meados da década de 1950.

Esta frase de 13 de outubro de 1961, que po-deria ter sido escrita neste exato instante, é uma das muitas do pioneiro dos pioneiros da ecologia brasileira e patrono da FEPAM.

Nos anos 30, graças à pressão da Sociedade de Amigos das Árvores, o presidente Getúlio Vargas sancionou o primeiro conjunto de leis que formataram a legislação de proteção da natureza no século 20.

Essa legislação previa um cargo de delegado voluntário de caça e pesca a ser exercido por servidor público. Para esse cargo um gaúcho, nascido em 1896, em Porto Alegre, mas criado na Rua da Margem em São Leopoldo, junto ao Rio dos Sinos, se apresentou de forma corajosa e generosa.

Foi assim, em 1939, que Roessler iniciou sua trajetória pública em defesa da natureza. Investido na função, ele passou a fazer fiscalizações, emitir documentos educativos e organizar uma rede de colabora- dores em todo o sul do Brasil. Com o fim de formalizar o compromisso de adesão dos colaboradores à causa, Roessler criou, em 1953, o juramento de proteção à natureza. Documento célebre de referência para todos que militam na causa da defesa do meio ambiente.

Com base nesse grupo de apoio tornou-se uma figura quase mítica e onipresente, aparecendo onde menos era esperado para surpreender depredadores da natureza.

Seu trabalho foi tão eficiente que passou a ser uma figura polêmica, com defensores e detratores, na opinião pública, imprensa e até mesmo na Assembleia Legislativa do RS.

Nas ruas de sua cidade era comum gritarem “olha que o Roessler te pega”, quando alguém era flagrado maltratando algum animal ou planta.

Ao fim de 1954, ele foi demitido do cargo por conta de pressões políticas que chegaram ao Governo Federal no Rio de Janeiro.

Como resposta, ele cria, no dia 01 de janeiro de 1955, a União Protetora da Natureza (UPN), provavelmente a primeira entidade com esse carácter no país.

Assim, com o apoio de seus simpatizantes, ele começa uma nova fase de atuação, agora muito mais centrada na conscientização, pois lhe fora vedado o poder de multar e apreender.

Passou a fazer palestras em escolas, pois devotava grande esperança na edu- cação dos jovens. Também passou a produzir cartazes com belos bicos de pena de sua própria lavra, com mensagens em prol da defesa da natureza e atacando os seus inimigos.

Mas o que realmente o projetou em larga escala foi o trabalho como cronista de jornal. A partir de 1957, passa a publicar artigos no Correio do Povo. Foram mais de 300 crônicas que contribuíram muito para formar a consciência ecológica do povo gaúcho. Abrangendo diversos temas, eles alternavam denúncias, reflexões filosóficas e descrições da beleza da nossa natureza.

Esse trabalho prosseguiu até o dia de sua morte, em 14 de novembro de 1963, pouco antes de completar 66 anos. Suas crônicas foram selecionadas e organizadas pelo ambientalista Augusto Carneiro, sendo reunidas em um livro publicado pela AGAPAN em 1986. Em comemoração aos 15 anos de sua criação em 2005, a FEPAM reeditou a obra em uma 2ª. edição.

O conjunto de sua obra foi tão marcante que, além de deixar uma massa crítica geradora de toda uma geração de militantes ecologistas, seu nome passou a ser indicado para nominar ruas, praças, pontes e parques em diversas cidades do país.

Por conta de seu pioneirismo em defesa da proteção ambiental, seu nome foi também dado à FEPAM, cujo denominação oficial é Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler*. Uma justa homenagem e uma fonte de inspiração para todos os seus servidores.

Aqui o Juramento de Proteção elaborado por Henrique Luiz Roessler:

Juro solenemente, como filho do Brasil, orgulhoso de suas belezas e riquezas, zelar pelas suas flores, sítios e campos, protegendo-os contra o fogo e a devastação. Fomentar o reflorestamento, conservar a fertilidade do solo, a pureza das águas e a perenidade das fontes e impedir o extermínio dos animais silvestres, aves e peixes.

 

Redação e edição do AgirAzul.com a partir de texto da Imprensa da FEPAM (link)