Autor Redação

porRedação

Ciclovia nova em Porto Alegre. Será?

Com as obras do Barrashopping interferindo em metade da Zona Sul de Porto Alegre, os empreendedores tiveram que construir uma ciclovia ao portoalegrense. Um belo presente de final de ano. A avenida Diário de Notícias nova, duas vias, três pistas em cada via… Tudo o que se precisava para incluir um leve empurrãozinho na via prá lá e para cá para acomodar uma ciclovia moderna, bem sinalizada e bem resolvida.
Mas nos enganamos todos. O que temos ? Temos uma ciclovia sim. Em bloquetos intercalados e EM CIMA do que seria a calçada. Pobre do passante caminhador. Vai ter que se desviar das bicicletas. Tudo muito estranho e até mereceu inauguração festiva com a presença do Prefeito Municipal. Ciclovia na calçada…já viram essa ???

porRedação

Em construção

Caros amigos, o sítio eletrônico da Apedema encontra-se em construção.

Aguarde!

porRedação

Summers x Lutzenberger

AgirAzul Zero – Março de 1992

Correspondências
Tese da Poluição transferida para o Terceiro Mundo

O Memorando

Lawrence Summers, economista-chefe do Banco Mundial, em 12 de dezembro passado (1991), enviou um memorando a alguns colegas. Eis alguns trechos do documento, publicado por The Economist, na edição de 6 de fevereiro:

Cá entre nós, não deveria o Banco Mundial estar encorajando mais migração das indústrias poluidoras para os países menos desenvolvidos ? Três razões vêm-me ao espírito:

1) A medição dos custos da poluição prejudicial à saúde depende dos ganhos auferidos com uma maior mortalidade. Levando-se em conta esse ponto de vista, uma determinada quantidade de poluição prejudicial à saúde deveria ser gerada no país com os menores salários. Eu penso que a lógica econômica por trás do despejo de um carregamento tóxico no país de menores salários é impecável e deveríamos levá-la em conta.

2) Os custos da poluição deverão ser não-lineares, já que os acréscimos iniciais de despesas com a poluição provavelmente têm um custo muito baixo. Sempre achei que os países subpovoados da África eram extremamente ´subpoluídos´; a qualidade do ar é provavelmente amplamente ineficiente baixa comparada com Los Angeles ou com a Cidade do México. Apenas os lamentáveis fatos de que tanta poluição é gerada por indústrias não-deslocáveis  (transportes, geração de eletricidade) e que os custos de transporte por unidade dos detritos sólidos sejam tão caros impedem um comércio de poluição atmosférica e lixo aumentando o bem-estar mundial.

3) A demanda por um meio ambiente limpo por razões estéticas e de saúde provavelmente terá uma grande elasticidade de ganhos. A preocupação com um agente poluidor que causa alteração de um em um milhão de probabilidades de um câncer da próstata do que em um país onde a mortalidade das crianças de até 5 anos é de duzentas por mil. Além disso, uma grande parte das preocupações com as emissões de poluentes industriais é com as partículas que dificultam a visibilidade. Essas partículas podem ter um impacto direto sobre a saúde muito pequeno. É claro que o comércio com bens que corporificam as preocupações com a poluição estética pode ser favorável ao bem-estar. Enquanto a produção é deslocável, o consumo de ar puro não é comercializável.

O problema com os argumentos contrários a todas essas propostas de mais poluição nos países menos desenvolvidos (direitos intrínsecos a certos bens, razões morais, preocupações sociais, falta de mercados adequados, etc) poderia ser invertido e usado com maior ou menor eficiência contra qualquer proposta do Banco Mundial de concessão (de verbas)”.

Lutzenberger manifesta-se

De posse de todo o documento de Summers, após ser divulgado na imprensa americana, José Lutzenberger, Secretário do Meio Ambiente brasileiro, remeteu a seguinte correspondência ao Economista-Chefe do Banco Mundial:

“It was almost a pleasant surprise to me to read reports in our  papers and then receive copy of your memorandum suporting the export of pollution tu Third World Countries and the arguments you present for justifyng it. Your reasoning is perfectly logical but totally insane. It underlines what I just wrote in a chapter on the absurdity of much of whaat goes for ´economic thinking´ today as part of a book that will be presented at the RIO-92 Conference. Your thoughts will be quoted in full in the book, as a concrete example of the unbellevable alienation, reductionist thinking, social ruthlessness and the arrogant ignorance of many conventional ´economists´ concerning the nature of the world we live in.

If it came from some insgnificant teacher in a third grade school in the backwoods it might be laughable, but coming from a Harvard professor and a man in your position it is an insult to thinking people all over the World. If the World Bank keeps you as vice presidente it will lose all credibility. To me it would confirm what I often said as an environmentalist, years ago, fighting ecologically devastating and socially disruptive World Bank ´development projects´, namely that the best thing that could happen would be for the Bank to desappear.´

(ass). José Lutzenberger

A resposta de Lawrence Summers, em 13 de fevereiro

“Dear Mr. Lutzenberger:

Your recent note to me expresses understandable outrage at the contents of my now infamous memo on toxic wastes.

As I have tried make clear in the past few days, this memo can only be fully understood in the context of internal discussions held here on a draft of our forthcoming Global Economic Prospects paper. To sharpen the analysis and clarify a rather vaghe internal discussion, this note took as narrow-minded an economic perspective as possible. Outside this context, you and other readers can and have misunderstood the memo´s intent.

Let me be very clear! The memo does not represent my view, the World Bank´s view, or that of any sane person. The Bank´s record on this topic and its strong position on numerous other environmental issues today should give you great confidence that this ridicuouos and absurd argument in no way reflects the real world of the Bank´s policies and programs.

As you must know, this has been a painful period for me. I desply regret that this has happened, and I sympathize with the concern you and others have expressede.

Sincerely, (ass) Lawrence H. Summers.

porRedação

Aparados da Serra, uma área a proteger

Por Jorge Hermann, integrante da Comissão de Defesa faz a apologia da luta

  • AgirAzul Zero / Março 1992

Aparados da Serra, majestoso santuário. Região extensa, pouco conhecida, misteriosa e bela. Seus mais de vinte cânions, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, apaixonaram um grande número de pessoas que passaram a percorrer cada meandro de sua fisionomia, uma relação íntima e intensa, um mergulho num mundo fascinante. No entanto, aquele que se apaixona pelos Aparados, leva para sempre consigo, como num encanto, uma tristeza infinita, silenciosa e incômoda. É a tristeza de quem vê o seu santuário ser destruído. Sua fisionomia original, dia a dia está sendo tomada por uma paisagem humana, desinteressante e monótona. A cobiça e a falta de visão do homem moderno estão provocando mudanças irremediáveis. As outrora abundantes florestas de araucária estão reduzidas por um desmatamento furioso, que apesar de ter praticamente dizimado os grandes exemplares de pinheiro, continua, agora, voltado para indivíduos de porte cada vez menor. Assim, além de destruir, o homem ainda consegue o feito de impedir a recuperação destas matas.

As outras formações vegetais da região, por sua vez, estão sendo vítimas de um inimigo ainda mais cruel: os reflorestamentos de Pinus elliottis. Árvore norte-americana, o pinus se adaptou formidavelmente ao nosso solo e clima. Antes tivesse sido diferente. O imediatismo dos poderosos industriais de celulose fez com que cobrissem a região com monoculturas, um verdadeiro deserto verde, completamente desprovidas de vida, uma aberração ecológica. Quem já entrou num mato de pinus sabe do que estou falando. A resina presente nas folhas impede a decomposição das mesmas e, quando no solo, formam um tapete de muitos centímetros de espessura, impedindo a germinação de outras espécies de plantas, mesmo rasteiras. O resultado disto é que nem cobras se encontram nestas plantações. Baseada numa premissa ultrapassada e equivocada de que as essências nativas não oferecem possibilidade de aproveitamento econômico, as monoculturas são símbolo de uma visão reducionista e pobre do mundo. Uma visão espiritualmente miserável que não computa os custos ambientais dos empreendimentos e que só consegue ver valor naquilo que pode ser transformado imediatamente em dinheiro. Curiosamente, esta visão, é, na verdade, um atestado de incompetência: o empobrecimento do solo, a destruição do potencial paisagístico e turístico, e o aniquilamento das matrizes genéticas que compõem a região, são atentados à nossa autonomia econômica.

Por ser uma região de clima peculiar, resultado da transição abrupta dos campos de cima da serra para a planície costeira, o que provoca uma grande precipitação anual, os Aparados oferecem condições para o surgimento de um dos fenômenos mais fascinantes da Biologia: o endemismo. É muito conhecido dentro da Biologia que ambientes com características muito peculiares podem freqüentemente abrir caminho para o surgimento de espécies com uma capacidade especial de explorá-los, o que muitas vezes significa uma existência restrita a uma pequena área. São conhecidas atualmente nos Aparados da Serra, mais de vinte espécies endêmicas, algumas confinadas numa área de poucos quilômetros quadrados. Estas plantas são especialmente interessantes do ponto de vista da preservação daquele ecossistema, pois a elucidação dos eventos que possibilitaram o seu surgimento é de grande valor para o conhecimento dos mecanismos biológicos de especiação, além de representarem indicadores da qualidade ambiental dos ecossistemas. Como vemos, por si só este potencial biológico já justificaria a preservação daquele ecossistema.

Em linhas gerais, portanto, o maior risco com que a área se defronta, é a diminuição brutal na diversidade da fauna e da flora. A diversidade é um valor intrínsico à vida, que cria relações intrincadas e fascinantes que apenas um olhar educado e sensível consegue perceber. A destruição desta biodiversidade é fruto de uma coisa: ignorância. A pobreza espiritual leva inevitavelmente ao empobrecimento dos ecossistemas.

Defender a preservação desta biodiversidade é uma obrigação daqueles que se apaixonaram pelos Aparados, seja através da educação ambiental, através do trabalho de fiscalização voluntária, denúncia, enfim, alguma coisa. A Comissão de Defesa dos Aparados da Serra é um grupo de antigos freqüentadores, que há quase dois anos vem desenvolvendo um trabalho de conscientização e denúncia do que vem acontecendo nos Aparados.

Exemplo disto, é um evento chamado Arte Alerta, organizado pela Comissão, que fez um chamamento e conseguiu reunir mais de trinta artistas que se deslocaram à região e que de 5 a 26 de abril estarão expondo seus trabalhos na Usina do Gasômetro, tudo tendo como tema a preservação dos Aparados. A criação é absolutamente livre e a expectativa do resultado do trabalho destes artistas, é grande. Enfim, é mais um espaço criado para que as pessoas sensíveis reflitam sobre aquela realidade e ofereçam uma nova visão daquilo que acontece na região. Um auxílio importantíssimo.

A Comissão de Defesa dos Aparados da Serra é um grupo amplamente democrático e aberto. Reúne-se às terças-feiras à noite na sede da AGAPAN (Praça Osvaldo Cruz, 15 – sala 1607 – Edifício Coliseu – tel. 228-7352). Compareça, sua presença é importante. Ser ecologista já não é um adjetivo, é hoje uma condição indispensável a toda pessoa consciente da situação.

Nota do Editor (1991): A Comissão de Defesa dos Aparados da Serra ainda edita boletim informativo próprio sobre suas atividades. O de nº 3 (setembro/outubro de 1991) publica levantamento das excursões e eventos dos quais ela participou/patrocinou naquele ano e um texto de Manuel Brum sobre a estada na Serra do Rio do Rastro: a Comissão atua também pelos Aparados da Serra de Santa Catarina.

porRedação

AgirAzul Zero – Apresentação

AgirAzul- Boletim Ambientalista

(Março 1992)

AgirAzul não é um jornal. Também não é revista. De confecção mais simples – não menos trabalhosa; e ao mesmo tempo mais útil para os bons militantes ambientalistas de nosso Estado, AgirAzul é um “boletim de atividades”.Com uma ou outra matéria produzida por sua própria equipe, deverá divulgar documentos produzidos por entidades e pessoas (sempre com autorização, bem claro), tudo de interesse do ativista gaúcho. O movimento ecologista do RS tem produzido textos de excelente qualidade, quase sempre destinadas a clandestinidade, somente conhecidos por aqueles que os redigiram e, quem sabe, dos respectivos destinatários. Esta produção, se mostrada e discutida, pode ter papel multiplicador da luta muito grande;

Agirazul também publicará legislação — se ela for factível, desejável ou não, não caberá ao veículo julgar.

Agirazul publicará  artigos que expressam pontos de vista interessante e originais, para nosso conhecimento, discussão e aprendizado; seção de livros,com excelentes sugestões de Augusto Carneiro; seção de Cartas (o número zero não tem, óbvio). Uma agenda informativa diferenciada citará fatos recém passados e previstos, com a liberdade de incluir-se complementação das informações em algumas linhas;

Sendo possível mostrar a realidade a partir de diversas visões de mundo, AgirAzul procurará enxergá-la sempre via ambientalistas. É uma escolha que define o conteúdo do veículo. Caso aconteça um grande desastre ecológico e nenhuma entidade/pessoa a tratar do assunto, Agirazul. provavelmente, também não trará nada a respeito – embora, sob ângulo estritamente jornalístico, seja errado;

O número zero apresenta uma grande diferença em relação às demais edições: traz pouca ou nenhuma notícia originada no Interior do Estado. Mas o Rio Grande do Sul tem entidades muito atuantes fora da Capital. A todas o espaço está à disposição para divulgar seus pleitos, posições, experiências;

Publicidade: AgirAzul aceitará publicidade de profissionais liberais e pequenas empresas ao limite de até 30% do espaço disponível. Entre em contato. É possível, também, a inclusão de malas-diretas ou outros documentos junto com o AgirAzul. Por exemplo: se uma entidade promotora de um evento quiser colocar junto ao Boletim um folheto de publicidade, é possível. Da mesma forma, pode ser distribuído cópias de documentos, etc;

AgirAzul é um projeto em franco desenvolvimento. Esta edição está impressa com corpo de letra pequeno. Se o processo industrial (composição, fotolito, gráfica) o tornar de leitura difícil, poderemos melhorá-la a partir da próxima edição. Aliás, n úmero zero é para isto. Vários testes estão sendo realizados.

Nada cai do céu. Em tudo há custos envolvidos. Não receba AgirAzul gratuitamente, colabore com suas finanças.

Finalmente, cabe afirmar que o AgirAzul poderá ligar-se, organicamente, a outro(s) projeto(s) em andamento, desde que as propostas sejam complementares. Não há o desejo de individualismos. Há a intenção de construir algo a meu ver importante: o aumento da capacidade comunicativa do ambientalista gaúcho. Somente assim teremos força para enfrentar a grande ressaca que se seguirá à realização da Conferência do Rio.

A título de editorial desta edição, cabe destacar o assunto da capa: a Consolidação das Leis Ambientais em curso, tentada pelo Governo Federal. Excelentes considerações a respeito em três artigos: da UPAN, da ADFG-Amigos da Terra e da Coordenação de Articulação Setorial da Secretaria do Meio Ambiente.  Também publicamos a Carta de Canela, em que os presidentes das Repúblicas do cone sul da América fazem coro pelo meio ambiente; o novo Código Florestal do RS; a troca carinhosa de correspondência entre Summers e Lutzenberger a respeito da exportação de empresas sujas para o Terceiro Mundo, tudo na íntegra, indicações de livros.     Sobre unidades de conservação, damos notícia sobre investimentos no Parque Nacional dos Aparados da Serra e publicamos um excelente artigo de Jorrge Hermmann. E muito mais. Bom proveito. Escreva informando sua(s) crítica(s).

porRedação

Summers x Lutzenberger

AgirAzul Zero

Correspondências

Tese da Poluição transferida para o Terceiro Mundo

O Memorando

Lawrence Summers, economista-chefe do Banco Mundial, em 12 de dezembro passado (1991), enviou um memorando a alguns colegas. Eis alguns trechos do documento, publicado por The Economist, na edição de 6 de fevereiro:

Cá entre nós, não deveria o Banco Mundial estar encorajando mais migração das indústrias poluidoras para os países menos desenvolvidos ? Três razões vêm-me ao espírito:

1) A medição dos custos da poluição prejudicial à saúde depende dos ganhos auferidos com uma maior mortalidade. Levando-se em conta esse ponto de vista, uma determinada quantidade de poluição prejudicial à saúde deveria ser gerada no país com os menores salários. Eu penso que a lógica econômica por trás do despejo de um carregamento tóxico no país de menores salários é impecável e deveríamos levá-la em conta.

2) Os custos da poluição deverão ser não-lineares, já que os acréscimos iniciais de despesas com a poluição provavelmente têm um custo muito baixo. Sempre achei que os países subpovoados da África eram extremamente ´subpoluídos´; a qualidade do ar é provavelmente amplamente ineficiente baixa comparada com Los Angeles ou com a Cidade do México. Apenas os lamentáveis fatos de que tanta poluição é gerada por indústrias não-deslocáveis  (transportes, geração de eletricidade) e que os custos de transporte por unidade dos detritos sólidos sejam tão caros impedem um comércio de poluição atmosférica e lixo aumentando o bem-estar mundial.

3) A demanda por um meio ambiente limpo por razões estéticas e de saúde provavelmente terá uma grande elasticidade de ganhos. A preocupação com um agente poluidor que causa alteração de um em um milhão de probabilidades de um câncer da próstata do que em um país onde a mortalidade das crianças de até 5 anos é de duzentas por mil. Além disso, uma grande parte das preocupações com as emissões de poluentes industriais é com as partículas que dificultam a visibilidade. Essas partículas podem ter um impacto direto sobre a saúde muito pequeno. É claro que o comércio com bens que corporificam as preocupações com a poluição estética pode ser favorável ao bem-estar. Enquanto a produção é deslocável, o consumo de ar puro não é comercializável.

O problema com os argumentos contrários a todas essas propostas de mais poluição nos países menos desenvolvidos (direitos intrínsecos a certos bens, razões morais, preocupações sociais, falta de mercados adequados, etc) poderia ser invertido e usado com maior ou menor eficiência contra qualquer proposta do Banco Mundial de concessão (de verbas)”.

Lutzenberger manifesta-se

De posse de todo o documento de Summers, após ser divulgado na imprensa americana, José Lutzenberger, Secretário do Meio Ambiente brasileiro, remeteu a seguinte correspondência ao Economista-Chefe do Banco Mundial:

“It was almost a pleasant surprise to me to read reports in our  papers and then receive copy of your memorandum suporting the export of pollution tu Third World Countries and the arguments you present for justifyng it. Your reasoning is perfectly logical but totally insane. It underlines what I just wrote in a chapter on the absurdity of much of whaat goes for ´economic thinking´ today as part of a book that will be presented at the RIO-92 Conference. Your thoughts will be quoted in full in the book, as a concrete example of the unbellevable alienation, reductionist thinking, social ruthlessness and the arrogant ignorance of many conventional ´economists´ concerning the nature of the world we live in.

If it came from some insgnificant teacher in a third grade school in the backwoods it might be laughable, but coming from a Harvard professor and a man in your position it is an insult to thinking people all over the World. If the World Bank keeps you as vice presidente it will lose all credibility. To me it would confirm what I often said as an environmentalist, years ago, fighting ecologically devastating and socially disruptive World Bank ´development projects´, namely that the best thing that could happen would be for the Bank to desappear.´

(ass). José Lutzenberger

A resposta de Lawrence Summers, em 13 de fevereiro

“Dear Mr. Lutzenberger:

Your recent note to me expresses understandable outrage at the contents of my now infamous memo on toxic wastes.

As I have tried make clear in the past few days, this memo can only be fully understood in the context of internal discussions held here on a draft of our forthcoming Global Economic Prospects paper. To sharpen the analysis and clarify a rather vaghe internal discussion, this note took as narrow-minded an economic perspective as possible. Outside this context, you and other readers can and have misunderstood the memo´s intent.

Let me be very clear! The memo does not represent my view, the World Bank´s view, or that of any sane person. The Bank´s record on this topic and its strong position on numerous other environmental issues today should give you great confidence that this ridicuouos and absurd argument in no way reflects the real world of the Bank´s policies and programs.

As you must know, this has been a painful period for me. I desply regret that this has happened, and I sympathize with the concern you and others have expressede.

Sincerely, (ass) Lawrence H. Summers.

 

porRedação

Aparados da Serra, uma área a proteger

por Jorge Hermann, integrante da Comissão de Defesa faz a apologia da luta

Aparados da Serra, majestoso santuário. Região extensa, pouco conhecida, misteriosa e bela. Seus mais de vinte cânions, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, apaixonaram um grande número de pessoas que passaram a percorrer cada meandro de sua fisionomia, uma relação íntima e intensa, um mergulho num mundo fascinante. No entanto, aquele que se apaixona pelos Aparados, leva para sempre consigo, como num encanto, uma tristeza infinita, silenciosa e incômoda. É a tristeza de quem vê o seu santuário ser destruído. Sua fisionomia original, dia a dia está sendo tomada por uma paisagem humana, desinteressante e monótona. A cobiça e a falta de visão do homem moderno estão provocando mudanças irremediáveis. As outrora abundantes florestas de araucária estão reduzidas por um desmatamento furioso, que apesar de ter praticamente dizimado os grandes exemplares de pinheiro, continua, agora, voltado para indivíduos de porte cada vez menor. Assim, além de destruir, o homem ainda consegue o feito de impedir a recuperação destas matas.

As outras formações vegetais da região, por sua vez, estão sendo vítimas de um inimigo ainda mais cruel: os reflorestamentos de Pinus elliottis. Árvore norte-americana, o pinus se adaptou formidavelmente ao nosso solo e clima. Antes tivesse sido diferente. O imediatismo dos poderosos industriais de celulose fez com que cobrissem a região com monoculturas, um verdadeiro deserto verde, completamente desprovidas de vida, uma aberração ecológica. Quem já entrou num mato de pinus sabe do que estou falando. A resina presente nas folhas impede a decomposição das mesmas e, quando no solo, formam um tapete de muitos centímetros de espessura, impedindo a germinação de outras espécies de plantas, mesmo rasteiras. O resultado disto é que nem cobras se encontram nestas plantações. Baseada numa premissa ultrapassada e equivocada de que as essências nativas não oferecem possibilidade de aproveitamento econômico, as monoculturas são símbolo de uma visão reducionista e pobre do mundo. Uma visão espiritualmente miserável que não computa os custos ambientais dos empreendimentos e que só consegue ver valor naquilo que pode ser transformado imediatamente em dinheiro. Curiosamente, esta visão, é, na verdade, um atestado de incompetência: o empobrecimento do solo, a destruição do potencial paisagístico e turístico, e o aniquilamento das matrizes genéticas que compõem a região, são atentados à nossa autonomia econômica.

Por ser uma região de clima peculiar, resultado da transição abrupta dos campos de cima da serra para a planície costeira, o que provoca uma grande precipitação anual, os Aparados oferecem condições para o surgimento de um dos fenômenos mais fascinantes da Biologia: o endemismo. É muito conhecido dentro da Biologia que ambientes com características muito peculiares podem freqüentemente abrir caminho para o surgimento de espécies com uma capacidade especial de explorá-los, o que muitas vezes significa uma existência restrita a uma pequena área. São conhecidas atualmente nos Aparados da Serra, mais de vinte espécies endêmicas, algumas confinadas numa área de poucos quilômetros quadrados. Estas plantas são especialmente interessantes do ponto de vista da preservação daquele ecossistema, pois a elucidação dos eventos que possibilitaram o seu surgimento é de grande valor para o conhecimento dos mecanismos biológicos de especiação, além de representarem indicadores da qualidade ambiental dos ecossistemas. Como vemos, por si só este potencial biológico já justificaria a preservação daquele ecossistema.

Em linhas gerais, portanto, o maior risco com que a área se defronta, é a diminuição brutal na diversidade da fauna e da flora. A diversidade é um valor intrínsico à vida, que cria relações intrincadas e fascinantes que apenas um olhar educado e sensível consegue perceber. A destruição desta biodiversidade é fruto de uma coisa: ignorância. A pobreza espiritual leva inevitavelmente ao empobrecimento dos ecossistemas.

Defender a preservação desta biodiversidade é uma obrigação daqueles que se apaixonaram pelos Aparados, seja através da educação ambiental, através do trabalho de fiscalização voluntária, denúncia, enfim, alguma coisa. A Comissão de Defesa dos Aparados da Serra é um grupo de antigos freqüentadores, que há quase dois anos vem desenvolvendo um trabalho de conscientização e denúncia do que vem acontecendo nos Aparados.

Exemplo disto, é um evento chamado Arte Alerta, organizado pela Comissão, que fez um chamamento e conseguiu reunir mais de trinta artistas que se deslocaram à região e que de 5 a 26 de abril estarão expondo seus trabalhos na Usina do Gasômetro, tudo tendo como tema a preservação dos Aparados. A criação é absolutamente livre e a expectativa do resultado do trabalho destes artistas, é grande. Enfim, é mais um espaço criado para que as pessoas sensíveis reflitam sobre aquela realidade e ofereçam uma nova visão daquilo que acontece na região. Um auxílio importantíssimo.

A Comissão de Defesa dos Aparados da Serra é um grupo amplamente democrático e aberto. Reúne-se às terças-feiras à noite na sede da AGAPAN (Praça Osvaldo Cruz, 15 – sala 1607 – Edifício Coliseu – tel. 228-7352). Compareça, sua presença é importante. Ser ecologista já não é um adjetivo, é hoje uma condição indispensável a toda pessoa consciente da situação.

Nota do Editor: A Comissão de Defesa dos Aparados da Serra ainda edita boletim informativo próprio sobre suas atividades. O de nº 3 (setembro/outubro de 1991) publica levantamento das excursões e eventos dos quais ela participou/patrocinou naquele ano e um texto de Manuel Brum sobre a estada na Serra do Rio do Rastro: a Comissão atua também pelos Aparados da Serra de Santa Catarina.