Categoria Comunicação

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Roda Viva entrevista ao vivo o Ministro do Meio Ambiente nesta segunda, 26/8

Captura de Tela 2019-08-24 às 20.30.14.pngO ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ocupa o centro do Roda Viva na segunda-feira (26/8).

Compõem a bancada de entrevistadores Ana Carolina Amaral, repórter de Meio Ambiente da Folha de S.Paulo e autora do blog Ambiência; Daniela Chiaretti, repórter especial do Valor Econômico; Giovana Girardi, repórter de Ambiente do jornal O Estado de S. Paulo; Washington Novaes, jornalista; e Daniel Gallas, correspondente de Economia da BBC na América do Sul. O programa conta também com a participação fixa do cartunista Paulo Caruso. Ler mais

porRedação

Congresso de Jornalismo Ambiental evidencia o empreendedorismo

Captura de Tela 2019-08-16 às 10.46.21

por Silvia Franz Marcuzzo*

Evento realizado em São Paulo, nos dia 9 e 10 de agosto, contou com a participação de profissionais de todas regiões do País

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porRedação

Alguns painéis realizados no Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental estão na Internet

O Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental – CBJA foi realizado em São Paulo em 9 e 10 de agosto de 2019. Alguns vídeos de painéis realizados estão na Internet, na conta do Facebook da Unibes Cultural, local do evento.

O Congresso foi realizado pela Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental – RBJA e o Instituto Envolverde.

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Jornalismo Ambiental: Resiliência e Resistência

Artigo de Dal Marcondes

Falar da Rede de Jornalismo Ambiental é descrever um movimento que começa no Rio Grande do Sul na década de 1990 e se espraia pelo Brasil no início deste século. Jornalistas das mais diversas mídias e acesso a públicos se aliaram em uma rede para ampliar a cobertura de temas socioambientais. Talvez o mais importante efeito dessa rede á que passamos a nos conhecer, gente que trabalha no Sul, no Norte, no Sudeste e Centro-Oeste, além de, claro, profissionais do Nordeste brasileiro, a RBJA, como é conhecida por sua sigla, reduziu as distâncias em uma país continental e transformou desconhecidos em colegas e amigos. Ler mais

porRedação

V Workshop de Comunicação Ambiental da Rede Biomar será realizado em São Paulo

Em sua quinta edição, evento fará parte da programação do Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, no dia 10 de agosto, na Unibes Cultural, no bairro Sumaré.

Com objetivo de estimular a divulgação da temática ambiental marinha nas pautas diárias da imprensa e redes sociais, o V Workshop de Comunicação da Rede Biomar oferecerá palestras com profissionais experientes e engajados em estudos de comunicação e meio ambiente dos projetos Albatroz, Baleia Jubarte e Golfinho Rotador, além de representantes da National Geographic e das mídias digitais do G1. O encontro tem o apoio da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental e Instituto Envolverde e acontecerá no dia 10 de agosto, a partir das 10 horas, durante o Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental (CBJA 2019), na Unibes Cultural, em São Paulo. Para participar do V Workshop é necessário se inscrever em cbja.com.br. A entrada é gratuita, as vagas são limitadas, distribuídas por ordem de chegada e materiais promocionais exclusivos da Rede Biomar serão oferecidos aos presentes.

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porRedação

Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental 2019 – o Futuro do Jornalismo Ambiental em debate

Profundas mudanças tecnológicas; o crescimento do ceticismo climático; a ciência sendo contestada pela crença e a preservação ambiental sendo novamente colocada como entrave ao desenvolvimento.
I

  • Inscrições e a programação aqui
porRedação

A quem interessa a desinformação sobre a agenda de conservação da biodiversidade no Brasil?

Artigo de Elizabeth Oliveira*

Como país de megadiversidade biológica e signatário da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), o Brasil vinha assumindo compromissos internacionais de proteção desse patrimônio inestimável, por meio de políticas públicas e outras ações institucionais, nas últimas décadas. A Política Nacional da Biodiversidade (Decreto 4.339/2002) é um resultado direto desse comprometimento do governo brasileiro com a CDB. Vale ressaltar que, dentre os sete componentes dessa política pública, o sexto se refere à “Educação, Sensibilização Pública, Informação e Divulgação sobre Biodiversidade”, alinhado, por sua vez, ao artigo 13 da própria Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) que trata de “Educação e Conscientização Pública”.

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porRedação

Inscreva-se para receber as principais manchetes do dia

A plataforma AgirAzul Notícias sediada no Telegram entra em período experimental a partir de julho de 2019. Ao dia, a pessoa inscrita receberá algumas principais manchetes e links para materiais inéditos ou não sobre Meio Ambiente, Qualidade de Vida, Justiça, Arquitetura e Patrimônio Histórico.

Com base em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, o serviço será oferecido até 1/7/2019 em caráter experimental. Conforme a receptividade, poderemos continuar ou não, aprimorando-o, procurando monetizar o serviço e ampliar o número de profissionais participantes.

O editor é o jornalista João Batista Santafé Aguiar. Veja mais sobre ele aqui.

A plataforma escolhida é o Telegram. Veja mais aqui.

Todos os dias, o inscrito irá receber no seu smartphone/telefone celular ou computador desktop as principais manchetes do dia, eventualmente com link para ampliação da informação. Algum material poderá ser inédito e publicado com maior extensão no site AgirAzul.com. O AgirAzul.com é formatado para ser facilmente acessado nas telas. pequenas dos telefones celulares e tablets.

Aguardamos as contribuições e críticas.

porRedação

Pesquisadores lançam o Observatório de Jornalismo Ambiental

Captura de Tela 2019-04-16 às 10.06.40Como primeira matéria do Observatório de Jornalismo Ambiental, o Grupo de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental publicou nesta segunda-feira (15/4) a primeira matéria, de autoria do  jornalista, professor e doutorando em comunicação Roberto Villar Belmonte. Na matéria, intitulada “Agrotóxicos: qual a função e o limite do jornalismo?“, Belmonte analisa o conteúdo da série de reportagens veiculadas no Globo Rural, de 31 de março e 7 de abril produzidas no Paraná.

Para o autor, “as reportagens abrem com a vinheta do Globo Natureza, sugerindo ao telespectador que a perspectiva apresentada seria a da natureza ou ambiental”.  “No entanto”, observa, “o enquadramento foi o do Agro é Pop: a Indústria-Riqueza do Brasil, campanha publicitária em prol do agronegócio exibida no horário nobre da emissora”.

Para o professor, “O programa comprou a resposta da indústria: O Brasil tem problemas com agrotóxicos – quase 40 mil casos de intoxicações notificados entre 2007 e 2017 – porque os agricultores usam errado o veneno.”.

porRedação

Jornalistas & Biodiversidade: aberto prazo para concorrer a recursos

  • 00A Sociedade de Jornalistas Ambientais – SEJ dos Estados Unidos está aceitando propostas para subsidiar trabalhos sobre biodiversidade por meio do Fundo de Jornalismo Ambiental. 

15 de maio de 2019 (23h59, horário local) é o prazo final para propostas ao Fundo de Jornalismo Ambiental (FEJ) da SEJ para subsídios de até US $ 5.000,00 para despesas e estipêndios como viagens, produção de multimídia, tradução e muito mais. Ler mais

porRedação

Eloise Beling Loose recebe prêmio de melhor tese do ano pela CAPES na área de ciências ambientais

Captura de Tela 2017-10-14 às 18.55.20A jornalista Eloise Beling Looose irá receber no próximo dia 7 de dezembro o Prêmio CAPES de Tese 2017 da área de Ciências Ambientais. A sua tese, sobre ‘Riscos Climáticos no Circuito da Notícia Local: percepção, comunicação e governança’  foi defendida em 2016 no Programa de Pós-Graduação e Desenvolvimento da UFPR.

Eloise possui graduação em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (2007), mestrado em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2010) e doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (2016). Ler mais

porEditor

Carlos Alberto Dayrell é Cidadão de Porto Alegre

O então estudante que salvou a Tipuana na frente da Faculdade de Direito da UFRGS, em 1975, recebeu o título de representantes da Câmara de Vereadores que foram à Faculdade de Direito. Ele não abandonou a luta ecológica.

Artigo de Roberto Villar

Carlos Alberto Dayrell recebeu o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Lembram dele? Na manhã do dia 25 de fevereiro de 1975, uma grande multidão se formou na frente da Faculdade de Direito da UFRGS, em uma das principais vias da cidade, a avenida João Pessoa.

Funcionários da Secretaria Municipal de Obras estavam cortando dezenas de árvores para construir o viaduto Imperatriz Leopoldina. Um estudante de engenharia elétrica, sócio da Agapan – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, subiu numa Tipuana (Tipuana tipu) para impedir o trabalho das motosserras.

Ela está lá até hoje. O protesto terminou na delegacia de polícia política. Foi notícia nos principais jornais. A foto ganhou destaque de capa no diário O Estado de São Paulo. Naquela época, impedir o corte de árvores era crime contra a segurança nacional. “De minha parte, colocaria como marco inicial de um movimento ecopolítico no Brasil o caso Carlos  Dayrell“, escreveu Alfredo Sirkis no apêndice da edição brasileira do livro Rumo ao Paraíso — A história do movimento ambientalista, de John McCormick.

Mais do que um símbolo, Dayrell é um herói sempre citado pelos ecologistas gaúchos. “O protesto do Dayrell foi o fato que mais sacudiu a opinião pública na época”, reconhece o primeiro presidente da Agapan, José Lutzenberger, atual mentor e dirigente da Fundação Gaia.

Por recomendação médica, e por receio de alguma represália por agentes do Governo, em 1976 o jovem estudante mineiro, natural de Sete Lagoas, fugiu do clima frio e úmido da capital gaúcha e voltou para Minas Gerais. Ele nunca mais foi visto em Porto Alegre. Ficaram apenas as histórias do protesto que marcou o início do movimento ecológico brasileiro.

“O protesto do Dayrell foi um marco para nós. Naquele dia, toda a imprensa do Rio Grande do Sul e do Brasil nos conheceu”, recorda o presidente da Pangea, Augusto Carneiro, fundador da Agapan, naquela época militando nesta entidade.

Dias antes do protesto, Dayrell tinha viajado para Torres com um grupo de ambientalistas da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, criada em 1971. O corte das árvores no Parque da Redenção já era assunto dos ecologistas. Carneiro recorda que numa reunião José Lutzenberger chegou a sugerir que os jovens subissem nas árvores para impedir a derrubada.

Dayrell estava presente, ouvindo com atenção. Quem mandou derrubar as árvores para construir o viaduto foi o prefeito Thompson Flores. Lutzenberger não esquece: — Ele mandou derrubar as árvores durante as férias, pensando que não iria haver estudantes lá. Esqueceu que era dia de matrícula. Surpreso, o prefeito argumentou que iria derrubar 25 árvores para melhorar o tráfego, mas estava plantando 20 mil nos bairros.

Aí, preparamos um manifesto que começava mais ou menos assim: ‘Argumentar que não tem importância derrubar 25 árvores velhas, porque estão sendo plantadas 20 mil novas, seria como dizer não importa que morra o nosso velho e sábio prefeito, estão nascendo tantos bebês’.

O atual diretor da Faculdade de Direito da Ufrgs, professor Eduardo Kroeff Carrion, conselheiro da Agapan, decidiu fazer uma homenagem a Carlos Dayrell. No dia 20 de novembro, Carrion reuniu em seu gabinete representantes de importantes entidades ecologistas de Porto Alegre — Agapan, Pangea, Coolméia, e União pela Vida, que resolveram co-organizar os eventos e solicitar ao vereador Gerson Almeida (PT) fosse encaminhado ao Dayrell o título de Cidadão de Porto Alegre.

Quase 23 anos depois, Dayrell participou de dois atos públicos no dia 28 de abril de 1998, um dia após a data do aniversário de 27 anos da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural.

Foi implantada num dos pilares da cerca da Faculdade de Direito, em frente à árvore salvada,  placa de metal para lembrar à posteridade o protesto de 1975.  Carlos Dayrell também recebeu de representantes da Câmara de Vereadores o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre, proposto por Almeida, em sessão realizada no auditório da própria Faculdade.

Carlos Alberto Dayrell foi localizado em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Está com 44 anos e três filhos. O mais velho, Luciano, com 16 anos, e a mais nova, Luana, com 10, além de sua mãe, a simpática Dona Alexandrina, também vieram à Porto Alegre.

Após o episódio, trocou a engenharia elétrica pela agronomia e está trabalhando como consultor do Centro de Agricultura Alternativa.  Nesta entrevista, Dayrell fala do seu trabalho em Minas Gerais e recorda detalhes do mais importante protesto ecológico de Porto Alegre.

O que você está fazendo em Minas Gerais?

Eu trabalho numa entidade chamada Centro de Agricultura Alternativa. É uma Organização Não—Governamental que presta assistência a pequenos produtores rurais, dentro desta proposta de desenvolver uma agricultura mais sustentável.

 Então você não abandonou a luta ecológica?

Realmente. Naquela época do protesto em Porto Alegre, era muito um sentimento que a gente tinha de preocupação com a vida. E este sentimento vem se aprofundando. Hoje, a gente tenta de outras formas, continuar esta busca por uma vida mais digna e sustentável, não só pra gente, mas para as gerações futuras.

Por que você subiu naquela árvore em 1975?

Naquela época eu morava em Porto Alegre e entrei na Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. Eu morava na Casa do Estudante, na frente da Faculdade de Direito. Naquele dia eu estava saindo de casa para fazer minha matrícula na Universidade e fiquei chocado com o que vi. Um monte de árvores já no chão. Me chamou muito a atenção porque todo mundo passava indiferente. Eram árvores belas, que davam uma sombra muito agradável. Foi algo meio instintivo. Como você fez para subir tão alto naquela árvore? Eu tava na rua pensando o que fazer… aí passou um amigo meu, o Marcos Sarassol. A árvore realmente era muito alta. Os funcionários da Prefeitura estavam utilizando uma escada para cortar os galhos, e depois o tronco. Eu pedi a escada emprestada e coloquei na primeira árvore.

Quanto tempo você ficou lá em cima?

Eu nem lembro direito. Eu sei que era de manhã, pois eu iria fazer minha matrícula na Faculdade. A gente ficou lá até umas três ou quatro horas da tarde. O pessoal passava lanche pra gente. Logo uma multidão ficou em volta. Teve dois companheiros que subiram pra me apoiar, logo no começo, o Marcos e a Teresa Jardim.

Qual foi o papel da imprensa naquele episódio?

Se não fosse a imprensa naquele momento, talvez o pessoal teria derrubado a gente. Tinha jornal, televisão e rádio lá. O fato foi sendo divulgado e a população foi chegando em volta. Porto Alegre estava vivendo naquela época um processo de transformação importante. Era uma cidade que estava crescendo o número de carros, as ruas precisavam ser ampliadas. Mas havia muita preocupação com a qualidade do ambiente urbano. De certa forma, foi uma reflexão. Eu lembro que saiu muita matéria sobre a questão do desenvolvimento e da qualidade de vida.

Quanto tempo você morou em Porto Alegre?

Eu cheguei em Porto Alegre em 1970 para trabalhar no Banco Mineiro do Oeste, que depois foi comprado pelo Bradesco. Entrei na Ufrgs para estudar Engenharia Elétrica. Depois fiz novo vestibular para Agronomia. Morei em Porto Alegre até 1976. Por problema de saúde, voltei para Minas Gerais. Consegui uma transferência para a Universidade Federal de Viçosa. Me formei em Agronomia em 1980. E desde então, trabalho com agricultura alternativa, com agroecologia.

O que você faz em Montes Claros?

Atualmente eu trabalho no Centro de Agricultura Alternativa. Eu estou fazendo um curso de mestrado na Espanha, em agroecologia e desenvolvimento rural sustentado. Aqui a gente dá assistência a pequenos produtores rurais. A nossa grande preocupação aqui no norte de Minas Gerais é com o Cerrado.

 

As palavras de Dayrell

Caros Amigas e Amigos:

Eu fico aqui pensando se por acaso vocês aqui estão, vereadores da Câmara Municipal de Porto Alegre, representantes da Faculdade de Direito que está comemorando o centenário de fundação da instituição, militantes do movimento ecológico gaúcho representados pela Coolméia, Pangea, União pela Vida, Núcleo dos Ecojornalistas, Fundação Gaia e Agapan, que merece lembrar, ontem, fez 27 anos de fundação, com uma trajetória reconhecida não só aqui no Estado, mas em todo Brasil e inclusive no Exterior.

Eu fico pensando se, por acaso, vocês que aqui estão   presentes, possam ter idéia do que representa este momento para o cidadão Carlos Dayrell, um desconhecido nos sertões de Minas Gerais, que saiu de Montes Claros, no norte do Estado, um sertanejo que se define no dizer de Guimarães Rosa: “Sou só um sertanejo. Nestas altas idéias, navego mal”.

E quem é o sertanejo?

O sertanejo é um homem criado num ambiente onde o contrato natural que ele estabelece com o seu meio é mediado pelo respeito com a natureza. E pode ter sido um fragmento deste sentimento, lapidado pelo sentimento gaúcho na sua relação com a imensidão dos pampas, que fez o ainda menino mover-se por um sentimento natural, tornar-se sem saber e sem querer, através de um gesto coletivo, um símbolo de uma sociedade que se propõe estabelecer um novo contrato com o seu meio.

Pois é um destes sertanejos que está aqui nesta cerimônia, que está aqui hoje para receber o título de Cidadão de Porto Alegre onde, com muita responsabilidade e carinho, vai levar de volta para o lugar onde vive, quem sabe um elo invisível traçado hoje por vocês, um elo invisível mas permanente de amor por uma causa que é muito maior que a soma de todos nós.

Vocês não podem imaginar a emoção que isto faz comigo e na verdade é até difícil entender como hoje estou aqui nesta cerimônia. Certamente, para eu estar aqui hoje muita coisa mudou nos corações das pessoas que lidam diariamente com decisões que influenciam a vida de centenas de milhares de cidadãos. Inclusive com a minha. Muita coisa mudou pois, quando sai daqui em 1976, de volta a Minas Gerais, um ano e meio após o episódio da subida na árvore, minha mãe ainda carregava consigo a tensão de uma possível represália da ditadura militar contra o seu filho.

Episódio que compartilho com Marcos Sarassol, Teresa Jardim, com a imprensa de Porto Alegre, com os militantes da Agapan, com centenas de pessoas, estudantes populares que anonimamente lutaram naquele dia pela preservação da árvore, não se curvaram diante do aparato militar e que, de lá para cá provocaram um salto na luta pela defesa, não só das árvores isoladamente, mas em defesa da vida em seu sentido mais amplo. Esta homenagem compartilho com todos vocês.

Eu não poderia estar aqui se não fossem os ensinamentos de meus pais, que, em 1970, ainda com 17 anos, permitiram que saísse de Sete Lagoas para estudar e trabalhar em Porto Alegre.

Eu não poderia estar aqui se não fosse o carinho do meu irmão Geraldo Dayrell Filho e de toda a família Hiwatashi, ilustres horticultores de Porto Alegre, que me acolheram como membro da família, e me estimularam na profissão que segui.

Eu não poderia estar aqui se não fossem pessoas como José Lutzenberger, Augusto Carneiro, Caio Lustosa, Magda Renner, e muitos outros que colaboraram no desenvolvimento da percepção de solidariedade não só com a vida no planeta Terra de hoje, mas uma solidariedade intergeneracional, solidariedade para coma vida das gerações que estão por vir, solidariedaade para com gerações anteriores que souberam nos legar um planeta amplo de possibilidades e de potencialidades.

Solidariedade que se traduz não em grandes feitos, mas de um construir diário na busca de sociedades sustentáveis. Sociedades que incluem a intricada e maravilhosa teia de seres vivos onde suas mais de 30 milhões de diferentes espécies de seres vivos a que denominamos de biodiversidade, nos garante a possibilidade de continuidade da vida no planeta Terra.

Biodiversidade que está ameaçada pela ganância de uma economia baseada na exploração dos seres vivos (e entre eles o homem), na dilapidação dos recursos naturais, onde poucas empresas transnacionais conseguem impor os seus interesses numa escala global, corrompendo governos e legisladores. Temos exemplo no Brasil a Lei das Patentes, que se curva ao permitir a difusão de novos seres vivos criados pelo homem cujos riscos de sua manipulação na natureza ainda são desconhecidos. Biodiversidade que está ameaçada por alguns setores prepotentes ligados à ciência que avalizam sem assinar nenhuma promissória. Afinal, ao contrário dos produtos químicos, os produtos da engenharia genética não podem ser retirados do mercado. Me vem à mente a imagem do Titanic, saudados pelos setores sociais dominantes da época como insubmergível. Um iceberg o afundou. O mundo ficou perplexo. A engenharia genética está aí. Mal conhecemos a ponta deste iceberg.

Então eu me pergunto: o que podemos fazer além de homenagear as pessoas que lutam em defesa da vida em seu sentido mais amplo?

O que podemos fazer além de subir nas árvores?

(Págs. 12, 13 e 14)

porEditor

O Minuto Ecológico, demagogia ou desleixo ?

Artigo de Júlio César Pereira Tomazzolli

Para manterem os índices de audiência, as redes de televisão, em especial o grupo RBS, do sul do Brasil, vem se utilizando cada vez mais da chamada mídia ecológica. Neste caso destacamos o Minuto Ecológico. Programa, ou melhor, pacote ecológico, comprado do centro do país, que vem sendo veiculado já há algum tempo nas proximidades do programa Jornal do Almoço (como diz o nome, perto do meio-dia). Em contato informal com a emissora, verifiquei que os programas vão continuar por algum tempo.

O que poderia ser, em princípio, uma boa idéia, consegue transmitir muitas informações errôneas. Para um público sedento de informações sobre o meio ambiente, principalmente o estudantil, o resultado pode ser catastrófico.

Normalmente são mostrados animais que habitam outras regiões (exemplo: Pantanal), não ocorrem aqui entre nós – fato que o programa não deixa claro para seus telespectadores. Tuiuiús, Guarás, Ibis, etc. são aves típicas do ecossistema pantaneiro; o macaco-aranha próprio das regiões tropicais e assim por diante.

Os nomes populares dos animais, que o programa aproveita, são muitas vezes regionalizados. Isto é, um determinado animal, como por exemplo, o que apresenta o nome científico Furnárius Ruffus, que vale para todo o planeta, é conhecido no Brasil, como João-de-Barro. Na Argentina e no Uruguai  ele é conhecido como Hornero. Assim poderíamos citar vários outros casos.

Há outro problema também sério: a forma ´humana´ como os animais se manifestam, com necessidades e desejos. Porque não admitir que existe em cada espécie uma forma específica de se comunicar? E que às vezes o homem não alcança os seus significados?

Devemos alertar a produção do Jornal do Almoço e aos telespectadores quanto aos erros de aprendizagem que conteúdos apresentados destas formas causam. Afinal, a RBS tem condições de sobra e qualidade nos profissionais para produzir programas regionalizados, que mostre os animais de nosso meio natural! O premiado programa Globo Ecologia poderia servir de exemplo de informação passada sem mistificação a um público maior.

*O autor é Professor de Ciências e Biologia no 2º Grau.

(Pág. 8)

porEditor

A Natureza na mídia: a imagem que vende

Artigo de  Guilherme Castro

As representações da natureza na mídia, especialmente como “imagem” usada pela publicidade para vender de tênis à coca-cola. Este é o tema que a bióloga Marize Basso investigou em seu mestrado em Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Marize explica que para questionar as representações hegemônicas, que reproduzem relações desiguais de poder, desenvolve seu trabalho no campo dos estudos culturais. Seu objetivo é problematizar o dado como óbvio, o colocado como simples representação da verdade natural. Utiliza-se da semiótica, da filosofia e da história das ciências.

Assistindo a um comercial de TV que afirmava textualmente: “ainda bem que não somos bicho nem planta”, Marize resolveu descortinar mensagens que poderiam estar por trás desta representação. O comercial iniciava com folhas caindo das árvores e formigas indo para seus abrigos. Corta. Num ambiente interno e aconchegante, seres humanos, brancos, bonitos e alegres, se divertem. Não somos bichos, a natureza está lá fora. Como leitura Marize diz que é clara a alusão à fábula da cigarra e da formiga. Hoje, o ser humano assume o papel da cigarra, aproveitando o conforto tecnológico, que independe do clima e da natureza. A natureza é tratada como um recurso, o ser humano, não fazendo parte da natureza, é um consumidor. O consumo é associado à idéia de liberdade e conforto, de autonomia com relação à natureza.

Outro comercial lido sob esta ótica mostra bandos de animais exóticos à fauna brasileira se deslocando em seu ambiente natural, também estranho ao Brasil. Última cena: automóveis se deslocam em uma larga avenida. O destino destes bandos é aproveitar as ofertas do anunciante. Ao mostrar exemplares da natureza completamente distantes do seu público, o comercial impede qualquer interação. A natureza é idealizada: o leão, a girafa. A natureza é algo exótico. Quando mostra o bando urbano, o representante escolhido é o automóvel. O sujeito é substituído pela máquina. Assim está presente o elemento determinante de nossa cultura: a tecnologia é o que diferencia e separa o homem da natureza. Marize diz que ao escolher a imagem e o recurso técnico para a representação publicitária, faz-se uma escolha política (o carro: massa metálica, monocromática e uniforme; não humanos, pluriformes e pluricromáticos).

A tendência geral observada pela pesquisadora na utilização da natureza pela publicidade é agregar um falso valor ao produto. Uma natureza cada vez mais distante, idealizada e desconhecida ajuda a vender os mais variados produtos industriais. Por outro lado, normalmente se mostra o ambiente natural como o monótono e sem graça e o ambiente de consumo de produtos industrializados como diversificado e interessante.

Dentro desta tendência geral são desenvolvidos alguns diferentes discursos. Há o discurso da saúde, que vende cigarro associando-lhe à uma vida natural e saudável. Há o discurso do natural, que mostra o shampoo brotando da natureza. Também há o discurso tecnológico, que diz ser a natureza inferior e mostra potentes automóveis dominando terrenos selvagens. Em todos esses discursos a natureza é representada como o primitivo, o inóspito, que reforça o modelo do desenvolvimento subjugador.

O dado como óbvio, presente nas manifestações hegemônicas que representam a realidade, entra elas a publicidade, tem o ser humano como apartado da natureza, este é o senso comum.

O trabalho de mestrado de Marize Basso, que pode ser encontrado na Biblioteca da Faculdade de Educação da UFRGS, em Porto Alegre, propõe rediscutir o lugar da sociedade na natureza e o da natureza na sociedade.

O autor é jornalista.

(Pág. 8)